Posts Tagged ‘vida’

Lista de desejos

junho 10, 2011

O que queremos fazer antes de morrer? Essa pergunta é crucial. Ela motiva a darmos sentido a nossa vida.

Alice Pyne, britânica, 15 anos tem desejos. Assim como eu e você. Ela foi destaque hoje dos jornais por ter publicado em seu blog sua lista de desejos. A questão principal é que ela sofre de câncer e já não há muito mais coisa que se possa fazer.

Ao ler a lista (abaixo) me deparei com uma questão: A experiência dá lugar a posse. Excetuando um Ipad roxo, todos os outros desejos são vivências!

  1. Nadar com tubarões
  2. Fazer todos assinarem lista de doadores de medula óssea
  3. Viajar ao Quênia (não posso viajar para lá agora, mas gostaria)
  4. Inscrever a cachorra Mabel em um concurso
  5. Fazer uma sessão de fotos com 4 amigas
  6. Ter uma sessão privada de cinema com as melhores amigas
  7. Desenhar uma caneca para vender para caridade
  8. Viajar em um trailer
  9. Passar uma noite em um trailer
  10. Ter um iPad roxo
  11. Ser uma treinadora de golfinhos (também não posso mais fazer esta)
  12. Encontrar a banda Take That
  13. Ir ao Cadbury World (parque temático da fábrica) e comer um monte de chocolate
  14. Tirar uma boa foto com a Mabel
  15. Ficar em um quarto de chocolate no (parque de diversões) Alton Towers
  16. Fazer meu cabelo, se alguém puder fazer algo com ele
  17. Fazer uma massagem nas costas
  18. Ver baleias

Sem bolsas, sapatos, roupas caras… Engraçado que é completamente na contra-mão do mundo consumista de hoje. Queremos sempre o próximo iphone, ipad ou outro “i”. O mundo é medido de acordo com o que produz. Você só tem atenção quando POSSUI algo.

Até que ponto ainda viveremos nessa pressa de obter tudo, e não viver?

Indico também um filme genial: “Antes de partir” (“Bucket List” em inglês) com Jack Nicholson, Morgan Freeman, Sean Hayes, Beverly Todd.

Carter Chambers (Morgan Freeman) é um homem casado, que há 46 anos trabalha como mecânico. Submetido a um tratamento experimental para combater o câncer, ele se sente mal no trabalho e com isso é internado em um hospital. Logo passa a ter como companheiro de quarto Edward Cole (Jack Nicholson), um rico empresário que é dono do próprio hospital. Edward deseja ter um quarto só para si mas, como sempre pregou que em seus hospitais todo quarto precisa ter dois leitos para que seja viável financeiramente, não pode ter seu desejo atendido pois isto afetaria a imagem de seus negócios. Edward também está com câncer e, após ser operado, descobre que tem poucos meses de vida. O mesmo acontece com Carter, que decide escrever a “lista da bota”, algo que seu professor de filosofia na faculdade passou como trabalho muitas décadas atrás. A lista consiste em desejos que Carter deseja realizar antes de morrer. Ao tomar conhecimento dela Edward propõe que eles a realizem, o que faz com que ambos viagem pelo mundo para aproveitar seus últimos meses de vida.

Ou seja, não dê importância ao ter e sim ao sentir.

Pense nisso. Já fez a sua lista?

DC

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Manifesto

junho 1, 2011

Não precisa dizer mais nada né?

DC

A velha guarda

maio 21, 2011

Ladies and Gentlemen, Luciano Pires.

Compareci a um jantar em homenagem a um colega que estava se aposentando após dirigir por anos uma empresa que fazia parte do grupo no qual trabalhei por 26 anos. Um convite irresistível: fui para Porto Alegre exclusivamente para rever amigos queridos que eu não encontrava já fazia um bom tempo. Imaginei que seria um jantar para uma dezena de pessoas e me deparei com uma centena!

Fui recebido com uma profusão de sorrisos e abraços, cabelos brancos, barrigas e traços envelhecidos, mas o mesmo calor humano. Quando entrei na sala de jantar fui encaminhado para uma mesa reservada.
A mesa da velha guarda.

Fiquei entretido no bate papo e quando o evento começou, várias referências foram feitas à mesa onde eu estava, à velha guarda. Todos com mais de 60 anos. Eu era o caçula, com meus 55. Somamos o tempo de experiência profissional de cada um e deu uns 500 anos!

Velha guarda…

Perdi a conta de quantos eventos participei ao longo da minha carreira, sempre com uma mesa para a velha guarda, que eu observava com curiosidade. Agora era minha vez. Olhei aquela moçada toda nos observando e senti uma sensação estranha, misto de angústia com perplexidade.

“Velha guarda” foi uma bofetada.

Enquanto eu assistia ao vídeo em homenagem ao colega que deixava a empresa, minha carreira passava diante de meus olhos. Lembrei-me da ansiedade com que, aos 26 anos de idade, caprichei na feitura de meu “curriculum vitae” para tentar emprego numa multinacional, 30 anos atrás! Então veio à minha mente Rubem Alves, sempre ele, que um dia escreveu:

“Um curriculum vitae é uma enumeração dos lugares por onde se passou, na correria da vida. As coisas que ele registra não existem mais. O que é passado está morto. Assim, na minha homepage, ao invés de curriculum vitae eu escrevi curriculum mortis, porque eu não sou o meu passado. Eu sou o meu agora”. Naquele momento mudei minha atitude. Para mim, aquela deixou de ser a mesa da velha guarda para ser a mesa onde estavam velhos amigos cheios de planos, sonhos e com energia para fazer acontecer.

Tudo que fiz em minha carreira serviu para construir minha história, para definir quem eu sou e do que sou capaz. Sou grato àqueles que me homenageiam pelo meu passado, que reconhecem minha contribuição, aos que valorizam o tempo que permaneceram ao meu lado, aos que acham que aprenderam algo comigo.  

Mas isso passou. Não existe mais. O que importa é o que eu farei amanhã.

Me aguardem.

Luciano Pires

Vida

maio 19, 2011

Sempre a indesencorajada alma do homem
resoluta indo à luta.
(Os contingentes anteriores falharam?
Pois mandaremos novos contingentes
e outros mais novos.)
Sempre o cerrado mistério
de todas as idades deste mundo
antigas ou recentes;
sempre os ávidos olhos, hurras, palmas
de boas-vindas, o ruidoso aplauso;
sempre a alma insatisfeita,
curiosa e por fim não convencida,
lutando hoje como sempre,
batalhando como sempre.

Walt Whitman, in “Leaves of Grass”

As 3 coisas que descobri quando meu avião caiu

maio 17, 2011

As tragédias são ótimas (é dificil escrever isso) para nos forçarmos a repensar a vida. No dia-a-dia estamos preocupados com as coisas triviais e não conseguimos lembrar do que realmente importa.

No vídeo de hoje, Ric Elias, sobrevivente do avião que pousou no rio Hudson, descreve o que passou por sua cabeça no momento do acidente e suas reflexões. Não vou escrever aqui para não quebrar o suspense. São apenas 5 minutos.

Meu conselho é: faça de todo dia uma tragédia e repense todo dia o que é importante para você.

Segue link com o vídeo.

Ric Elias: As 3 coisas que descobri quando meu avião caiu

Pensem nisso.

DC

Sonhar

março 24, 2011

“Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida
e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades
para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E
esperança suficiente para fazê-la feliz.”

Clarice Lispector

Uma vida de propósito

março 15, 2011

Sem dúvida esse vídeo de hoje do TED é realmente um dos melhores que já indiquei aqui. Jacqueline Novogratz expõe sobre ter uma vida com algum propósito.

Resumo da apresentação: Cada um de nós quer viver uma vida com propósito, mas onde começar? Nessa luminosa, ampla palestra, Jacqueline Novogratz nos apresenta a pessoas que ele conheceu no seu trabalho de “ïnvestimentos de longo prazo” – pessoas que se dedicaram a uma causa, a comunidade, a paixão pela justiça. Estas histórias humanas levam a poderosos momentos de inspiração.

Jacqueline Novogratz – Inspirando uma vida de imersão

Se eu fosse você, dedicaria um tempo para ver esse vídeo. É demais.

Sds,

DC

Vida

março 10, 2011

Vida

Sempre a indesencorajada alma do homem
resoluta indo à luta.
(Os contingentes anteriores falharam?
Pois mandaremos novos contingentes
e outros mais novos.)
Sempre o cerrado mistério
de todas as idades deste mundo
antigas ou recentes;
sempre os ávidos olhos, hurras, palmas
de boas-vindas, o ruidoso aplauso;
sempre a alma insatisfeita,
curiosa e por fim não convencida,
lutando hoje como sempre,
batalhando como sempre.

Walt Whitman, in “Leaves of Grass”

A certeza de ser um eterno aprendiz

setembro 23, 2010

Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz…

Trecho de Eterno Aprendiz de Gonzaguinha.

O título deste post, ligeiramente diferente da música de gonzaguinha, é para provocar o leitor a pensar sobre o que ele aprende com a vida.

Este breve espaço de tempo entre a inspiração e a expiração, que com infinitas possibilidades, é a maior professora que existe. Ela nos faz aprender a cada segundo. Uma das poucas certezas que temos é que aprendemos com a vida.

Os momentos mais difícieis são os mais adequados para aprender muito. Talvez a pergunta feita “Por que isso aconteceu comigo?” tem como uma possível resposta “Para você aprender”.

Reflita sobre todas as coisas que estão disponíveis para seu aprendizado. Você vai ver que é muito mais do que imagina.

Deixo vocês com um poema de Bertold Brecht, publicado em “‘Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas” e traduzido por Paulo Quintela.

Louvor do Aprender

Aprende o mais simples! Pra aqueles
Cujo tempo chegou
Nunca é tarde de mais!
Aprende o abc, não chega, mas
Aprende-o! E não te enfades!
Começa! Tens de saber tudo!
Tens de tomar a chefia!

Aprende, homem do asilo!
Aprende, homem na prisão!
Aprende, mulher na cozinha!
Aprende, sexagenária!
Tens de tomar a chefia!

Frequenta a escola, homem sem casa!
Arranja saber, homem com frio!
Faminto, pega no livro: é uma arma.
Tens de tomar a chefia.

Não te acanhes de perguntar, companheiro!
Não deixes que te metam patranhas na cabeça:
Vê c’os teus próprios olhos!
O que tu mesmo não sabes
Não o sabes.
Verifica a conta:
És tu que a pagas.
Põe o dedo em cada parcela,
Pergunta: Como aparece isto aqui?
Tens de tomar a chefia.

Um grande abraço,

DC

Qual é a sua obra?

agosto 12, 2010

No livro “O livro dos saberes”, de Constantin Von Barloewen, li uma entreista com o poeta Ali Ahmed Saïd Esber, provavelmente um dos maiores poetas mulçumanos. Da entrevista, destaquei um trecho que me provoca a pensar sobre quem sou eu, sobre minha identidade.

Pensamos que a identidade é uma coisa fabricada com antecedência, preexistente, e que o ser humano é só uma realização dessa identidade pré-fabricada. É como uma fonte na qual os descendentes devem sempre encontrar sua identidade, em sua embocadura, lá onde ela brota… E eu tenho uma outra concepção da identidade. A identidade nunca é pré-fabricada, é uma abertura eterna e não vem do passado, mas sim do futuro! O homem cria sua identidade criando sua obra, portanto a identidade é infinita, não termina; mesmo com a morte, não pode ser concluída, é isso.

E aí em a pergunta: qual é a minha obra? Pensei sobre o que eu quero fazer, o que eu quero construir e a resposta que me veio a cabeça: Só saberei qual é a minha obra, quando perder o tempo, quando não puder fazer mais nada, quando morrer.

Posso ter direções, mas não saberei o lugar exato onde chegar, pois a cada segundo, um novo rumo posso tomar. A vida é uma escolha de infinidades de alternativas. É o livre-arbítrio.

Tenho que pensar sobre uma premissa que tenho sobre as perguntas: Toda pergunta possui resposta?

Fica a reflexão.

Abraços,

DC