Posts Tagged ‘valores’

A ladra

junho 4, 2011

Infelizmente nosso amigo Luciano Pires presenciou uma cena onde o valor que tanto se busca nesse Blog não se concretizou. Vocês verão no texto abaixo.

Ainda tenho esperança, pois já ocorreu algo semelhante comigo e ví que ainda há honestidade no povo brasileiro.

DC

 

Fui ao Barra Shopping Sul em Porto Alegre ver uma exposição sobre o Titanic. É um caça-níqueis, mas impressiona quem – como eu – é fascinado pela história daquele navio. Valeu cada níquel caçado… De volta  ao hotel, descubro que esqueci meu celular no taxi, um IPhone 4 novíssimo! Liguei para o Shopping, consegui falar com o ponto do taxi, mas de nada adiantou. Eu não tinha o modelo do carro, a placa ou número, nem o nome do motorista. Angustiado, voltei até o shopping. Eram dez e meia da noite. Fiquei plantado em frente ao ponto de taxi para ver se reconhecia o motorista e… reconheci!

– Foi o senhor que me levou para o hotel minutos atrás?

– Foi sim!

– Ufa! Esqueci meu celular no banco de seu carro!

– Ah! Olha só, depois do senhor, fiz uma corrida para uma mulher. Ela sentou no celular. Quando ela saiu do carro eu vi o celular, achei que era dela e avisei que estava sobre o banco. Ela pegou, olhou, enfiou na bolsa e desceu…Calafrio. Se não tivesse intenção de roubar, ela teria devolvido o celular para o taxista, não é? Ao ver minha expressão de desânimo ele continuou:

– Eu sei onde deixei a mulher. Quer que eu leve o senhor até lá?

– Quero!

Bem, vou encurtar a história. Localizamos o apartamento da mulher num condomínio de classe média. Ela desceu até a portaria acompanhada do filho, um jovem adulto, e desmentiu que tivesse encontrado o celular. O taxista, inconformado insistiu, descrevendo o celular e a cena.

– Não peguei nenhum celular!

E pronto. Rolou barraco, ameaça de chamar policia e tudo mais. Mas não adiantou. Fui à delegacia e o próprio escrivão aconselhou:

– Deixa pra lá.

Tomei duas porradas. A menos dolorida foi a perda do aparelho. Mas a cena da mulher nos encarando e dizendo – na frente do filho – que não havia roubado o celular, foi um baque. Não consigo entender como é que alguém pode ficar com algo que não é seu, tendo a oportunidade de devolver ao dono…

Conheci uma ladra. Seus valores individuais, que orientam o comportamento, determinam nossas prioridades e nos definem como indivíduos, estão em total desacordo com os meus. Meus valores estão relacionados à virtude, os dela ao vício. Quem vive os valores virtuosos sofre diante de escolhas morais. É tentador ficar com o “achado”. E vencer essa tentação dói.

Mas quem não vive os valores virtuosos, deixando-os apenas pairando sobre sua vida, nem percebe que escolhas morais precisam ser feitas. Sequer entende que o “achado não é roubado” é apenas uma justificativa para um comportamento indigno.Gente assim tem desvalores individuais.

Conheci uma ladra. Que além do meu celular, roubou mais um pouco de minha fé na natureza humana.

Luciano Pires

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Quais são os valores do país?

abril 10, 2011

Caros leitores,

Ao navegar na internet nesse domingo, encontrei os resultados da pesquisa de valores do Brasil 2010, realizado pela Marcondes Consultoria. São muitas informações sobre a cabeça do brasileiro. Veja e tire as suas conclusões.

Vamos lá para a pesquisa. Reflitam, pensem, questionem.

DC

Quais são os seus valores? Quais valores são percebidos no país hoje? E quais são importantes para o futuro do País?

2544 brasileiros foram convidados a responder essas questões. Os resultados da Pesquisa Marcondes Valores Brasil – 2010, desenvolvida pela Marcondes Consultoria mostram o perfil de valores predominante do brasileiro, assim como áreas de carência e desenvolvimento. A pesquisa também identifica o nível de consciência do brasileiro em relação aos problemas de hoje, assim como aponta caminhos para a construção do País, no futuro.

O que foi pesquisado:

Os entrevistados receberam três listas com aproximadamente 70 palavras representativas dos valores pessoais, da cultura atual do Brasil e da cultura desejada. Após a leitura, deveriam responder as três perguntas abaixo:

  • Quais os 10 valores mais representativos de quem o brasileiro é?
  • Quais os 10 valores mais predominantes no Brasil de hoje?
  • Quais os 10 valores desejados na cultura do Brasil de amanhã?

Metodologia da Pesquisa

A pesquisa, inédita no Brasil, mas já realizada em outros 13 países, em quatro continentes, utilizou uma metodologia consagrada mundialmente, baseada no Modelo dos Sete Níveis de Consciência, de autoria de Richard Barrett, consultor e pesquisador britânico. Barrett distribui os valores em sete categorias (níveis de consciência), conforme a figura abaixo. Para cada nível de consciência, são atribuídos valores correspondentes. Exemplo: O nível de consciência 2 (relacionamentos) apresenta valores como: família e amizade.

Para os três primeiros níveis de consciência, também denominados de “Interesses Próprios”, Barrett identificou a presença de valores potencialmente limitantes que poderiam trazer dificuldades para a realização de projetos individuais, organizacionais ou em âmbito nacional. Exemplo: controle, manipulação ou arrogância.

Fonte: Libertando a Alma da Empresa – Richard Barrett – Values Centre

Bom, de acordo com as explicações da pesquisa, vamos aos resultados:

Valores Pessoais do Brasileiro apontados na Pesquisa

Valores da Cultura Atual do País

Valores Desejados para o País do futuro

Percepção de (des)valor

abril 3, 2011

Desculpem amigos, mas o artigo não entrou no dia certo. Problemas técnicos.

Ladies and Gentlemen, Luciano Pires.

Entre 1993 e 1995 uma novela de rádio foi ao ar na Tanzânia, África, tendo como tema principal a contaminação pela AIDS, uma tragédia no país. A produção foi montada por estudiosos e cientistas, com o objetivo de influenciar os ouvintes a proteger-se contra a doença. O resultado (cientificamente obtido): um quarto da população na área coberta pela novela mudou seu comportamento, reduzindo drasticamente a contaminação pelo HIV. Em apenas dois anos, uma novela de rádio mudou os pensamentos, as percepções e emoções das pessoas…

Essa história me veio à mente quando participei de evento sobre uma pesquisa chamada Valores Brasil. Em julho de 2010, 2544 brasileiros escolheram em um conjunto de 54 valores positivos e negativos “os 10 mais representativos de como o Brasil opera hoje”. Resultado (em ordem de importância): Corrupção, Pobreza, Crime/Violência, Desemprego, Analfabetismo, Poluição Ambiental, Burocracia, Agressividade, Incerteza sobre o futuro e Desperdício de Recursos.

Pô, não apareceu nenhum valor! Só desvalor! Surpreso? Eu não.

Em minhas palestras uso uma definição que aprendi com o Jaime Troiano: “marca é o conjunto organizado de percepções e de sentimentos que identificam a empresa, seus produtos e serviços e os diferenciam de seus eventuais concorrentes.“ Pois bem, a pesquisa de Valores apresentou o “conjunto organizado de percepções e sentimentos que identificam o Brasil…”.

O debate que se seguiu à apresentação dos resultados da pesquisa foi praticamente todo focado na questão educacional. Lancei uma pergunta: qual o papel da mídia (rádio, tele e cine dramaturgia e entretenimento, imprensa, propaganda, etc), na construção dessa percepção de país fracassado? Um dos debatedores, Eduardo Giannetti da Fonseca, disse que a mídia não tem esse poder…

Não? Há pelo menos 40 anos nossos tele e radio jornais, jornais impressos, revistas e especialmente o cinema,  esfregam em nossas caras as lixeiras do Brasil. Num país onde a maioria da população, com educação deficiente, tem a televisão como única janela para o mundo, não é difícil entender como se constrói a percepção de (des)valores que a pesquisa apresentou. Especialmente quando a realidade mostra que as tragédias diárias existem mesmo e quem deveria lutar contra elas, pouco faz.

Se a novelinha de rádio africana mudou a realidade do país em dois anos, uma lavagem cerebral de 40 anos é capaz de fazer o quê?

O Brasil é uma grande cozinha. Nela existe uma lixeira. Mas o Brasil não é só a lixeira. A relação de valores que a pesquisa apresentou como representativos do Brasil, não é obra do acaso. Tem sido pacientemente construída ao longo de pelo menos duas gerações.

Isso é o que eu chamo de burrice.

Luciano Pires

Os detalhes da pesquisa: http://www.marcondes.net/pesquisavalores/

Aos pais

agosto 8, 2010

A todos os pais, minhas sinceras lembranças nesse dia. Não deixemos de lembrar que esse dia, e o dia das mães, são dias para valorizarmos nossa herança imaterial, que provém dessas duas pessoas fundamentais.

Chamo de herança imaterial a educação, os valores que são passados de pais para filhos, hábitos saudáveis…

Já pensou no que você recebeu de seus pais? Características, hábitos, valores….

Uma das coisas que recebi foi a empatia, de minha mãe, a humildade e o “perfeccionismo” de meu pai. Entre outras coisas…

Quero deixar a mensagem de valorizarmos nossos ancestrais, mais próximos ou mesmo os mais distantes. São características de outros povos que hoje difícilmente encontramos. Respeito aos mais velhos.

Fica a provocação para você refletir sobre essa herança imaterial.

Abs,

DC

Você dá valor a que?

maio 26, 2010

Foi divulgado recentemente uma pesquisa da ONU – PNUD a respeito da percepção dos valores pelos brasileiros. Ainda não consegui a publicação completa, porém encontrei um quadro resumo de algumas informações interessantes.

Há algumas informações interessantes…

  • A família está relacionada como responsável por passar os valores. Essa é uma instituição que está muito fragilizada no momento, tanto que a prórpia ONU tem como unidade básica de atuação a própria família;

Para agregar valor a minha provocação, coloco também aqui alguns cartoon criados por Quino, autor de “Mafalda”.








É de suma importância um trabalho extensivo e exaustivo sobre essa questão de herança imaterial que é passada de geração em geração. Como queremos ver a nova geração sem certos hábitos, se nós mesmos os cultivamos? É isso que queremos passar para as próximas gerações? O dinheiro como Deus, a nudez explícita e sexo banalizado como característica cultural do brasileiro? O país do Oba-Oba?

Provoco os leitores.

Abraços,

DC