Posts Tagged ‘tempo’

O Efeito do Tempo e a Mutabilidade das Coisas

junho 20, 2011

Hoje,ao invés de apenas um aforismo, trarei um pensamento. Nossa fonte: O Citador, é claro.

Deveríamos ter sempre diante dos olhos o efeito do tempo e a mutabilidade das coisas, por conseguinte, em tudo o que acontece no momento presente, imaginar de imediato o contrário, portanto, evocar vivamente a infelicidade na felicidade, a inimizade na amizade, o clima ruim no bom, o ódio no amor, a traição e o arrependimento na confiança e na franqueza e vice-versa. Isso seria uma fonte inesgotável de verdadeira prudência para o mundo, na medida em que permaneceríamos sempre precavidos e não seríamos enganados tão facilmente. Na maioria das vezes, teríamos apenas antecipado a acção do tempo. Talvez para nenhum tipo de conhecimento a experiência seja tão imprescindível quanto na avaliação justa da inconstância e mudança das coisas. Ora, como cada estado, pelo tempo da sua duração, existe necessariamente e, portanto, com pleno direito, cada ano, cada mês, cada dia parecem querer conservar o direito de existir por toda a eternidade. Mas nada conserva esse direito, e só a mudança é permanente.Prudente é quem não é enganado pela estabilidade aparente das coisas e, ainda, antevê a direcção que a mudança tomará. Por outro lado, o que via de regra faz os homens tomarem o estado provisório das coisas ou a direcção do seu curso como permamente é o facto de terem os efeitos diante dos olhos, sem todavia entender as suas causas. Mas são estas que trazem o germe das mudanças futuras, enquanto os efeitos, únicos existentes para os olhos, nada contêm de parecido. Os homens apegam-se aos efeitos e pressupõem que as causas desconhecidas, que foram capazes de produzi-los, também estão na condição de mantê-los. Nesse caso, quando erram, têm a vantagem de fazê-lo sempre em uníssono. Sendo assim, a calamidade que, em decorrência desse erro, acaba por atingi-los, é sempre universal, enquanto a cabeça pensante, caso erre, ainda permanece sozinha. Diga-se de passagem que temos aqui uma confirmação do meu princípio de que o erro nasce sempre de uma conclusão da consequência para o fundamento.

Arthur Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’

Uma cidade soterrada

junho 3, 2011

Hoje, o post do Blog Inspiração Coletiva, da Brastemp.

Em 1978, funcionários de uma companhia de eletricidade faziam escavações para realizar um cabeamento subterrâneo quando se depararam com uma grande pedra circular esculpida. Desconfiados de que aquela peça pudesse ter valor, acionaram arqueólogos que confirmaram a importância do objeto encontrado. Tratava-se de uma representação da deusa asteca Coyolxauhqui.

A descoberta levou a uma pesquisa mais profunda. Chegaram à conclusão de que havia mais coisa ali embaixo. E havia mesmo. Era o Templo Mayor, um enorme templo asteca do século 14. Toda a região foi expropriada, os prédios foram demolidos e o México trouxe à tona um valioso tesouro arqueológico.

Um desavisado, ao ver a enorme área esburacada com paredes quebradas no centro da capital mexicana, pode imaginar que eles estão se preparando pra sediar alguma Copa do Mundo. Trata-se, na verdade, de ruínas de Tenochtitlán, a capital da civilização asteca, que havia sido soterrada pelos espanhóis. Sobre ela ergueram suas construções, entre elas a Catedral Metropolitana.

Fico intrigado por que os espanhóis, depois de dizimarem os astecas, resolveram soterrar suas construções, tentando apagar qualquer vestígio da existência da antiga civilização.  Só vejo um motivo. O conquistador Hernán Cortes mandou destruir tudo depois de se irritar  porque não conseguia pronunciar nomes de deuses como Huitzilopochti Quetzalcoatl, Coyolxauhqui…

Os mexicanos viveram anos e anos sem ter ideia de que estavam andando sobre construções de uma antiga e avançada civilização. Ao visitar recentemente a cidade fiquei impressionado com o Templo Mayor. Não só pela dimensão do templo, como também pela coragem de promoverem tamanha desapropriação para revelar ao mundo uma parte relevante da História Universal.

Voltei ao Brasil pensando como essa iniciativa poderia nos inspirar a preservar e valorizar nosso patrimônio histórico.

O gargalo

março 19, 2011

Com vocês mais um artigo do provocador Lucinao Pires.

Uma das principais reflexões de minha palestra “Gente Nutritiva” é de que tempo é vida. Quem desperdiça o tempo dos outros, desperdiça a vida dos outros… E conto um caso, veja só:

Um dos projetos que mais satisfação me deu durante minha carreira dirigindo a área de comunicação de uma multinacional, foi a edição de nosso jornal interno, O Pinhão. Quando a edição do jornal foi transferida da área de RH para a minha, tomei uma decisão estratégica: se o jornal era interno, tinha que falar de gente. E se falaria de gente, tinha que mostrar gente. E começamos a fazer com que cada edição fosse repleta de fotos de vários dos mais de 5 mil colaboradores da empresa, sempre com uma atitude positiva, um sorriso, uma imagem de ação. Do jardineiro ao diretor, da cozinheira ao engenheiro, do porteiro ao Presidente. E um dia tive uma idéia: mandar uma cartinha de agradecimento para cada um dos funcionários retratados no jornal, inclusive nas fotos em grupo. Com um bilhete meu! E eram em média 100 a 150 funcionários por edição! Assim que o jornal era publicado minha secretária levantava os nomes dos “contemplados”, imprimia as cartas e trazia para que eu escrevesse o bilhete e assinasse. Depois mandava pelo malote para os líderes de cada setor, que entregavam a carta em mãos para o destinatário. Todo mês era a mesma coisa, a secretária entrava pela porta e colocava sobre minha mesa uma pilha com 150 cartas… Sim, eu fazia questão de que fosse um bilhete de próprio punho com uma assinatura real, não uma cópia impressa.

Aquela singela cartinha com o bilhete assinado pelo diretor causava um impacto imenso nos funcionários. Eles guardavam com carinho, levavam para casa, felizes e orgulhosos.

– Alguém lá em cima lembrou de mim!

Quando a pilha de cartas era colocada em minha mesa, eu parava tudo que estava fazendo, escrevia o bilhete e assinava uma por uma. Em minutos devolvia a pilha para a minha secretária. Mais de uma vez colegas acharam aquilo estranho e perguntaram a razão de eu priorizar as cartas quando tinha coisas “mais importantes para resolver”. E eu respondia:

– Não tenho vocação pra gargalo…

O processo das cartinhas envolvia muita gente e muitos passos: convidar as pessoas, produzir a foto, escolher e editar, publicar, pegar os nomes, montar as cartinhas, assinar e remetê-las. E tudo parava completamente enquanto eu não assinasse as ditas. Eu era o gargalo!

Quem exerce papel de liderança precisa entender que muita gente tem reação rápida, gosta de fazer as coisas logo e de uma vez, aprecia antecipar prazos. Quando tenho gente assim trabalhando comigo, quero ter certeza de que não sou eu o gargalo.  Policio-me para dar-lhes atenção imediata quando precisam. Não quero ninguém frustrado esperando por minhas decisões. Prefiro funcionar como um daqueles tratores que tiram as pedras que impedem o caminho, deixando a estrada livre para que as pessoas corram por ela.

Não desperdiçar o tempo dos outros é valorizar a vida dos outros.

Tem gente que chama isso de “eficiência”. Prefiro chamar de respeito.

Luciano Pires

Presente

janeiro 31, 2011

Presente: a parte da eternidade que assinala a divisão entre o domínio da frustração e o reino da esperança.

Ambrose Bierce, crítico satírico, escritor e jornalista estadunidense, particularmente conhecido pela sua obra O Dicionário do Diabo.

Qual a velocidade do tempo?

janeiro 17, 2011

Tirei férias para trabalhar. Estou em uma correria só.

Como provocação de hoje, deixo vocês com a frase de Nicolas Boileau,crítico e poeta francês.

Depressa: o tempo foge e arrasta-nos consigo: o momento em que falo já está longe de mim.

 

O tempo por Carlos Drummond

novembro 11, 2010

Duração

O tempo era bom? Não era
O tempo é, para sempre.
A hera da antiga era
roreja incansavelmente.

Aconteceu há mil anos?
Continua acontecendo.
Nos mais desbotados panos,
estou me lendo e relendo.

Tudo morto, na distância
que vai de alguém a si mesmo?
Vive tudo, mas sem ânsia
de estar amando e estar preso.

Pois tudo enfim se liberta
de ferros forjados no ar.
A alma sorri, já bem perto,
da raiz mesma do ser.

Carlos Drummond de Andrade, in ‘As Impurezas do Branco’

Tá precisando de tempo?

outubro 8, 2010

Você reclama que não tem tempo para nada? Está sem tempo? Talvez esteja dando prioridade às coisas erradas…

Você sabe o valor do seu tempo?

Abraços,

DC

Sobre o tempo

setembro 20, 2010

Leia o que o Dalai Lama falou sobre o tempo. Não preciso falar mais nada.

Algumas vezes, quando encontro velhos amigos, isso me lembra como o tempo passa depressa. E me faz indagar se temos ou não usado nosso tempo de modo adequado. O uso adequado do tempo é tão importante. Penso que cada minuto é algo precioso enquanto nós possuímos este corpo e, especialmente, este assombroso cérebro humano. Nosso dia-a-dia se mantém alimentado pela esperança, embora não haja garantia alguma do nosso futuro. Não há garantia de amanhã, a esta hora, estaremos aqui […] Precisamos, portanto, fazer o melhor uso do nosso tempo. Acredito que a utilziação adequada do tempo seja esta: se você puder, servir outras pessoas, outros seres dotados de sentimentos. Se não, ao menos tratar de não prejudicá-los. Penso que essa é toda a base de minha filosofia.

Dalai Lama (1998)

Deixo vocês para pensar.

Abraços,

DC

Corrida para onde?

abril 22, 2010

Essa matéria publicada de Eduardo Shor na Página 22 provoca muito pensar…

Segunda-feira, às 9 da manhã, no escritório. Você torce para os cinco dias seguintes passarem voando, até que possa respirar sábado e domingo. Olha o calendário. Às vezes, olhar o calendário é calcular. Durante o ano, são 52 semanas, menos as quatro de férias. O resultado final é um indivíduo 48 semanas apressado. Cada tarefa riscada na agenda significa o surgimento súbito e inexplicável de outras duas, três, quatro. O monitor do computador está lotado de post-its amarelos. A sua testa franzida estaria livre para colar mais um, não fosse ali já anunciado pelas rugas: ocupado. Quem dá conta?

As crianças cresceram logo, parece que os Beatles lançaram o primeiro álbum há 15 dias e você se lembra do impeachment do ex-presidente Fernando Collor como se fosse ontem. Além disso, chega dezembro e comenta com o pessoal: “Nossa, mas o ano passou tão rápido”. Também, pudera. São 240 dias querendo que a vida corra*, contra 96, a todo custo, tentando pisar no freio; aproveitar, enfim, a tranquilidade.

*Há também o caso dos autônomos, que apostam uma corrida contra o relógio, a fim de conseguirem entregar o produto ou o serviço a tempo. O trabalho engole sábados, domingos, feriados. Férias? Que férias?

Nas pouco mais de duas centenas de dias chamados úteis, em boa parte das horas, a última coisa que você fez foi algo que, de fato, desejaria fazer. Não ofereceu a atenção que os amigos e a família mereciam. No mais, realizou tarefas um tanto estressantes que nem sempre contribuíram para a qualidade de vida ou o bem-estar.

Terça-feira, às oito e meia, em vez de bater bola na praia, bateu ponto mais cedo no escritório. Trocou o mergulho na piscina do clube pelo mergulho no software de gestão que a companhia acabara de instalar. O bate-papo no café da manhã, ao lado da família, deu vez à lista de argumentos com objetivo de sua equipe realizar melhores vendas. A viagem ao interior para visitar os avós no feriado foi adiada, pois era preciso dar prioridade à visita ao cliente. Você concluiu e anotou no bloco de rascunhos que trabalhar é necessário e saudável, contanto que os pesos do trabalho e do lazer estejam equilibrados.

Com razão. Dizer que alguém trabalhou 12 ou 14 horas em um dia é quase retroceder ao começo da Revolução Industrial, no século XIX. É grave se imaginarmos um estudante que passe quatro horas na faculdade, oito no escritório e outras quatro em trânsito. O que lhe sobra para o resto? “O trabalho tornou-se referência central na vida do indivíduo e da sociedade. Tudo se converte em tarefa. O filme que seria assistido para enriquecimento pessoal ou pura admiração da arte é deixado de lado. Acaba substituído, muitas vezes, por uma obra que melhore o rendimento no emprego e tenha aplicação no trabalho”, explica Scarlett Marton, professora titular de Filosofia Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP).

Na Grécia Antiga, o ócio era mais valorizado do que as atividades manuais. Trabalhar era tarefa, principalmente, destinada aos escravos. O trabalho apenas começou a ganhar algum lugar de expressão na vida social a partir do século XVII, com a expansão marítima e os grandes descobrimentos. Posteriormente, foi valorizado também na época da ascensão da burguesia, no contexto da Revolução Francesa.

Daí em diante, ele passou a ser avaliado como fator de progresso. O ser humano se viu como dominador da natureza. E o esforço foi uma das formas de ampliar suas conquistas. Hoje, existe a figura do workaholic, o indivíduo viciado em trabalho, que pensa em suas tarefas, na carreira, na performance e na eficiência o tempo todo.

Homens e mulheres poderiam ter feito outra opção. No lugar da sociedade do consumo, a sociedade da abundância, na qual se preserva e economiza mais do que se destrói e gasta. Mas isso não ocorreu. Trabalhamos cada vez mais, porque é fundamental ter cada vez mais. Por comprarmos itens além do necessário, precisamos aumentar a produção sempre.

Quando as pessoas entram na lógica do consumo, elas perdem a figura do “ser humano integral”, aquele que decide o que quer sem se atrelar ao último modelo de carro, à grife mais famosa, aos apelos do marketing e da propaganda. “Corremos o risco de perder o cidadão com interesses diversificados. O que tem desejo por conhecer a si mesmo, o mundo. O que tem vontade de estabelecer relações com os outros pelo simples desejo de se relacionar ou fazer amizades”, afirma Scarlett.

Segundo a professora, outra consequência do posicionamento hegemônico que o trabalho assumiu na vida das pessoas se traduz por determinadas estratégias de networking*. Dessa forma, tendo que escolher número reduzido de convidados, ao promover uma festa em casa, os anfitriões passam a excluir amigos ou conhecidos da lista, privilegiando pessoas ligadas a seu meio que podem lhes oferecer melhores oportunidades de emprego no futuro.

*A manutenção de contatos que podem, em algum momento da vida, facilitar uma melhor colocação do profissional no mercado de trabalho.

Trabalhar menos é out

Quarta-feira, às 11 da noite, portaria do prédio do seu escritório. Na roda de conversa entre amigos que se encontraram por ali, é vergonha dizer que trabalhou menos. Ganha conceito alto no grupo aquele que não teve tempo para almoçar. Admite-se, no máximo, um sanduíche. Mesmo assim, lá pelas 4 da tarde. Nada de sair do escritório às 6, depois de 8 horas de jornada. Amigo digno de respeito saiu às 9, 10 da noite. E haja cafezinho.

A tecnologia agilizou processos na indústria, permitiu avanços na medicina, facilitou a comunicação das pessoas, entre diversos benefícios. No entanto, a expectativa de que o tempo economizado na realização das tarefas se refletisse em menos trabalho não surtiu efeito. Essas horas foram preenchidas com mais trabalho, exigindo maior esforço do ser humano.

Além disso, o desenvolvimento trouxe laptops, telefones celulares, internet sem fio. Recursos que permitem ao trabalhador estar conectado a seus afazeres 24 horas. Assim, ele passou a ter ainda menos tempo “livre”.

Na França, houve gente se matando de tanto trabalhar. Entre fevereiro de 2008 e outubro de 2009, a France Telecom anunciou suicídio de 25 empregados. Os sindicatos do país culparam as condições de trabalho oferecidas e a reestruturação da companhia, que levou à saída de 22 mil funcionários entre 2006 e 2008. Diante do quadro, o governo de Nicolas Sarkozy obrigou empresas com mais de mil empregados a ter planos de combate ao estresse.

A tampa do vaso sanitário

Como destaca o professor Ladislau Dowbor, da Pós-Graduação em Economia e Administração da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), participamos de uma “corrida global de ratos”. A mentalidade competitiva faz um correr na frente do outro, sem se importar com quem ficou para trás. “A necessidade de produzir e consumir mais leva ao endeusamento da competição e ao individualismo. Todavia, nos EUA, existem pesquisas indicando que, depois de o valor do PIB alcançar certo nível, a percepção de satisfação com a vida permanece inalterada, ou declina”, diz.

Um dos antídotos, segundo ele, é a evolução para uma sociedade colaborativa, em que o conhecimento vale mais que os bens materiais. Exemplo: “Se eu tiro um bem material de alguém, ele fica sem. Se eu tiro conhecimento, essa pessoa continua com ele e nós dois juntos geramos mais conhecimento ainda”. É uma relação de colaboração, que a sociedade moderna, apegada ao modelo mental competitivo, ainda precisa desenvolver.

Dowbor conta que há algum tempo foi comprar uma tampa de vaso sanitário e se deparou com 586 modelos diferentes, na loja. E acrescenta o exemplo de incontáveis modelos de carro, como poderia usar o de roupas, calçados ou geladeiras. “Você não tem mais consumo pela utilidade, mas pela construção de outros tipos de valores. Eu não preciso escolher entre 586 modelos de tampa de privada”, avalia.

O excesso de consumo e produção vem levando não apenas ao desgaste do ser humano, com seu tempo perdido em tantas escolhas inúteis, mas ao esgotamento dos recursos do mundo. Aumento nos casos de doenças do coração, problemas gástricos e depressão. Desequilíbrio climático, poluição generalizada, ex-tinção acelerada de espécies. Um cenário que nos leva a pensar em alternativas que permitam continuar viáveis a vida e o bemestar da humanidade.

No livro The Overworked American: the unexpected decline of leisure (na tradução, algo como “O Americano Sobrecarregado: o inesperado declínio do lazer), de 1992, a professora do departamento de Sociologia da Boston College Juliet Schor observa que, entre 1948 e os primeiros anos da década de 1990, o nível de produtividade do trabalhador americano mais do que dobrou. Em suas palavras, “poderíamos agora alcançar nosso padrão de vida de 1948 (medido em bens e serviços comercializados) em menos da metade do tempo usado naquele ano. Poderíamos ter escolhido a jornada de quatro horas. Ou um ano de trabalho que durasse seis meses”.

A jornada ideal

Quinta-feira, meio-dia e quarenta, você encontra espaço na agenda para almoçar. Procura, na empresa, um colega para dividir a mesa. José Carlos, do Financeiro, está no telefone. Renata, da Controladoria, em reunião. Fátima, da área de Recursos Humanos, entrevistando um candidato a estagiário. Todos ocupados. Resta-lhe ir sozinho ao restaurante. Na TV do estabelecimento, uma reportagem sobre redução de jornada de trabalho.

Não sem polêmicas entre patrões e empregados, os franceses puseram em prática uma lei que estabeleceu jornada de 35 horas semanais, em 1998, no governo socialista do então primeiroministro Lionel Jospin. Dez anos depois, Nicolas Sarkozy considerou a lei como “catástrofe generalizada para a economia francesa”. E a França aprovou uma novidade. A legislação atual mantém as 35 horas, mas permite a cada organização incrementar o tempo de trabalho, desde que isso seja feito mediante acordo dos empresários com os sindicatos.

Na sociedade brasileira, enquanto uma parte da população não encontra tempo para realizar algo além de trabalho, outros milhões de pessoas estão desempregadas. Em vez de privilégio, o ócio vira preocupação. “Há um desequilíbrio na repartição do tempo de serviço. Enquanto 45% dos trabalhadores têm jornadas superiores a 44 horas semanais, que crescem com horas extras, outra parte fica parada”, aponta Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Hoje, discute-se no Brasil a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, com aumento do custo da hora extra, de 50% para 75%, e sem diminuição dos salários. Uma das apostas dos trabalhadores é que, em vez de pagar hora extra, as companhias abririam novas vagas.

Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), dessa maneira um milhão de postos de trabalho poderiam surgir, dentro do total de 2,5 milhões de oportunidades que a redução da jornada criaria. Ainda de acordo com o Dieese, com a aprovação da lei trabalhista, o custo total da produção industrial aumentaria apenas 1,99%. No debate, há empresários que não preveem aumento do número de empregos nem aumento baixo de custos.

Independente dos argumentos contra ou a favor de soluções criadas para reduzir os índices de desemprego, o sociólogo Rafael Osório, pesquisador do Ipea, lembra que a definição das 8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas de lazer vem de uma época em que a própria inserção das mulheres no mercado de trabalho era diferente. “Quando mais mulheres entram no mercado, a oferta de tempo que a classe de trabalhadores tem a oferecer à empresa aumenta, mas o tempo disponível para o cuidado com o lar diminui”, ressalta.

Assim, há uma tendência de aumentar a participação masculina na realização de tarefas caseiras, embora ainda ocorra aí um desequilíbrio.

Rafael é um dos autores de um estudo sobre o tempo dedicado por homens e mulheres ao trabalho doméstico, não remunerado; e ao trabalho fora de casa, que garante o salário do empregado. A análise considerou o caso da Bolívia, onde, com base nos números da pesquisa, as mulheres tendem a ter uma jornada, no lar e no local de trabalho somadas, mais de três vezes maior do que a dos homens. A questão existe em outros países, em menor ou maior grau, sendo influenciada, fortemente, pela cultura de cada um.

Em nações do Norte da Europa, o Estado provê serviços eficientes, como creches, que facilitam a vida dos pais. No Brasil, os casais de classe média e alta “compram o tempo” dos empregados domésticos, na maioria mulheres, para o cuidado com a prole. “Há empregados domésticos que também têm filhos pequenos, mas, sem orçamento, precisam se virar para deixá-los com alguém e ir para o trabalho. Eles não têm nem tempo de buscar o filho na escola, na hora do almoço. Por isso, a escola de tempo integral é importante”, analisa o sociólogo.

As tarefas divididas pelos donos da casa e os empregados domésticos são mais importantes do que podem parecer. Por exemplo, a cultura da valorização do estudo e do trabalho, para o alcance do crescimento pessoal e profissional, é disseminada na escola; porém, principalmente, no lar.

A formação do futuro trabalhador, o sustento da mão de obra que chega diariamente às estações de trabalho e o bem-estar do ser humano são providos, em grande parte, pelo esforço realizado em casa. Atividades como ajudar na lição que os filhos trazem do colégio, preparar o jantar, passar roupa, limpar o quarto. Atualmente, essas tarefas não são somadas ao PIB. “Há correntes que buscam quantificar essas ações. Verificar quanto custaria lavar roupa durante quatro horas, na semana. Por que a gente não inclui no cálculo a produtividade doméstica, se ela também gera valor?”, questiona Rafael.

O valor do seu tempo

Sexta-feira, seis e meia da tarde, hora de deixar o escritório. De acordo com uma pesquisa realizada entre agosto e setembro de 2009, pelo Movimento Nossa São Paulo, em parceria com o Ibope, o paulistano gasta 2 horas e 43 minutos no trânsito, todo dia. Isso inclui a ida ao trabalho e a volta, bem como o que se despende no trajeto para compras ou diversão. É parte do que o professor Ladislau Dowbor, da PUC-SP, considera como tempo social, dedicado às tarefas necessárias para cuidarmos da vida dentro e fora do trabalho.

No livro Democracia Econômica, Dowbor calcula o valor desse tempo. Tirando o tempo de uso individual, como sono e convívio familiar em casa, suponha que o tempo social seja de 12 horas diárias. São 60 horas por semana. Em 52 semanas (daí subtraem-se quatro, de férias), o resultado é de 2.880 horas “comerciais” no ano. Ao se considerar um PIB de US$ 700 bilhões, para uma população de 180 milhões, tem-se PIB per capita de US$ 3.900.

O PIB per capita dividido pelas 2.880 horas dá US$ 1,35/ hora, o valor de sua hora “ativa”. “Digamos que uma rede ampla de metrô economizasse meia hora do tempo médio de deslocamento do paulistano economicamente ativo, cerca de 5 milhões de pessoas. Seriam 2,5 milhões de horas economizadas por dia, o que multiplicado por US$ 1,35 significaria uma economia diária da ordem de US$ 3,4 milhões. Isto por sua vez implica que cada 30 dias pagariam a ampliação de um quilômetro deste meio de transporte”, escreve o professor.

Dowbor cita também estatísticas de que cada 10 minutos a mais gastos no tempo diário de transporte individual para o trabalho reduzem o envolvimento comunitário em 10% – “menos participação em reuniões públicas”, por exemplo.

No sábado e no domingo, se o leitor tiver tempo, pode conferir no site de Página22 as dicas de José Eduardo Balian, professor do curso de Gestão e Administração do Tempo, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Ele fala sobre como organizar melhor a sua agenda. Além disso, há a história de profissionais que se dividem entre um cotidiano acelerado no trabalho e a vida particular.

Aproveite. Pois segunda-feira, às 9 da manhã, volta ao escritório. Você torce para os cinco dias seguintes passarem voando, até que possa respirar sábado e domingo de novo. Olha o calendário. Às vezes, olhar o calendário é calcular. Durante o ano, são 52 semanas, menos as quatro de férias. O resultado final é um indivíduo 48 semanas apressado. Cada tarefa riscada na agenda significa o surgimento súbito e inexplicável de outras duas, três, quatro. O monitor do computador está lotado de post-its amarelos. A sua testa franzida estaria livre para colar mais um, não fosse ali já anunciado pelas rugas: ocupado. Quem dá conta?

O tempo, o dinheiro e outras virtualidades…

abril 21, 2010

 

Todo dia é menos um dia

Todo dia é menos um dia;

menos um dia para ser feliz;

é menos um dia para dar e receber;

é menos um dia para amar e ser amado;

é menos um dia para ouvir e, principalmente, calar!

Sim, porque calando nem sempre quer dizer

que concordamos com o que ouvimos ou lemos,

mas estamos dando a outrem a chance de pensar,

refletir, saber o que falou ou escreveu.

Saber ouvir é um raro dom, reconheçamos.

Mas saber calar, mais raro ainda.

E como humanos estamos sujeitos a errar.

E nosso erro mais primário, é não saber:

Ouvir e calar!

Todo dia é menos um dia para dar um sorriso.

Muitas vezes alguém precisa, apenas de um sorriso

para sentir um pouco de felicidade!

Todo dia é menos um dia para dizer:

– Desculpe, eu errei!

Para dizer:

– Perdoe-me por favor, fui injusto!

Todo dia é menos um dia;

Para voltarmos sobre os nossos passos.

De repente descobrimos que estamos muito longe

E já não há mais como encontrar

onde pisamos quando íamos.

Já não conseguiremos distinguir nossos passos

de tantos outros que vieram depois dos nossos.

E se esse dia chega, por mais que voltemos;

estaremos seguindo um caminho, que jamais

nos trará ao ponto de partida.

Por isso use cada dia com sabedoria.

Ouça e cale se não se sentir bem;

Leia e deixe de lado, outra hora você vai conseguir

interpretar melhor e saber o que quis ser dito.

Carlos Drummond de Andrade

Você já pensou sobre o tempo? Boa pergunta essa hein? Pois bem, vamos escrever um pouco sobre ele.

Consultando nossa amiga Wikipedia, temos várias definições:

” A concepção comum de tempo é indicada por intervalos ou períodos de duração… Pode-se dizer que um acontecimento ocorre depois de outro acontecimento (Uma forma de definir depois baseia-se na assumpção de causalidade). Além disso, pode-se medir o quanto um acontecimento ocorre depois de outro. Esta resposta relativa ao quanto é a quantidade de tempo entre estes dois acontecimentos. A separação dos dois acontecimentos é um intervalo; a quantidade desse intervalo é a duração.”

OK. Muito certinho. Mas e a percepção subjetiva do tempo? O tempo das pessoas que estão em lados opostos de uma porta de banheiro são infinitamente diferentes. Há um componente subjetivo nisso tudo.

O tempo ele é um evento psicológico, uma sensação derivada da transição de um momento.

“É o jeito que a natureza deu para não deixar que tudo acontecesse de uma vez só.” John Wheeler

“Uma ilusão. A distinção entre passado, presente e futuro não passa de uma firme e persistente ilusão.” Albert Einstein

Você já parou para pensar que, ao olhar por uma noite estrelada, a luz que você enxerga naquele instante, ou seja o presente para você, foi emitida à milhões de anos. O passado de um é o presente de outros. Realmente, o tempo é uma coisa muito virtual, abstrata, idiossincrática.

E somos regidos por ele. Temos reunião a tal hora, não podemos perder o trem…

Trem das onze (Demônios da Garoa)

Não posso ficar

Nem mais um minuto com você

Sinto muito amor

Mas não pode ser.

Moro em Jaçanã,

Se eu perder esse trem,

Que sai agora às onze horas,

Só amanhã de manhã.

Não posso ficar,

Nem mais um minuto com você,

Sinto muito amor,

Mas não pode ser.

Moro em Jaçanã,

Se eu perder esse trem,

Que sai agora às onze horas,

Só amanhã de manhã.

E além disso mulher,

Tem outra coisa,

Minha mãe não dorme

Enquanto eu não chegar.

Sou filho único,

Tenho minha casa pra olhar.

Eu não posso ficar.

Não posso ficar,

Nem mais um minuto com você,

Sinto muito amor

Mas não pode ser.

Moro em Jaçanã,

Se eu perder esse trem,

Que sai agora às onze horas,

Só amanhã de manhã.

E além disso mulher,

Tem outra coisa,

Minha mãe não dorme,

Enquanto eu não chegar.

Sou filho único,

Tenho minha casa pra olhar.

Quais, quais, quais, quais, quais, quais,

Quaiscalingudum

Quaiscalingudum

Quaiscalingudum

Quais, quais, quais, quais, quais, quais,

Quaiscalingudum

Quaiscalingudum

Quaiscalingudum

Acredito que o “pulo-do-gato” não está na definição ou existência do tempo, e sim no seu passar.

Segue um texto de Ricardo Gondim, com o Título “O Tempo que foge”, publicado no livro “Eu creio, mas tenho dúvidas” (Tudo a ver com esse Blog).

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

 Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de ´confrontação´, onde ´tiramos fatos a limpo´. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa… Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.´

O essencial faz a vida valer a pena.

Muito bom né? O essencial faz a vida valer a pena. Isso faz pensar…

Por falar em essencial, vamos falar de outra coisa muito vitual em nosso momento e que rege nossa vida (infelizmente): O dinheiro. Na escola aprendi que concreto é o que a  gente podia tocar e abstrato não. Legal. Posso ter nas mãos uma cédula de 2 reais. Mas o dinheiro não é um conceito abstrato? Ih… ficou confuso agora.

Você cria uma medida para intercambiar as trocas. Nem sempre alguém que produzia batata queria trocar por repoulho. E aí? Como fica? Criou-se o dinheiro. A partir daí veio as operações de empréstimos, opções, swaps, taxas de juros… Fico impressionado com a criatividade humana de criar coisas. Ainda mais em cima de conceitos abstratos.

Infelizmente precisamos dele para conseguir o que precisamos essencialmente. A criação do homem passou a regular o que precisamos de fato.

Ontem comecei a assistir o filme “Duro de Matar 4.0”. Além dos tiros, sangues, explosões, vemos uma sociedade que não vive sem as telecomunicações, celulares, internet. Coisa que não existia a 30 anos atrás. Puxa, ficamos dependentes de coisas que criamos. Isso é ser desenvolvido? Xiii.. outra pergunta cabeluda. Essa vou tentar tratar mais tarde.

Resumindo a ópera: Não conseguimos viver sem nossas virtualidades. A vida passou de uma coisa extritamente real para um misto de realidade e virtualidade (virtualidade essa além dos processos psicológicos de projeção, criar expectativas ou ilusões…).

Como será o amanhã? Responda que puder.. O que irá me acontecer?

O que é real? Fico com todas essas perguntas na cabeça, porém com uma visão melhor dessas conexões e dependências na nossa vida.

” Na realidade trabalha-se com poucas cores. O que dá a ilusão do seu numero é serem postas no seu justo lugar.” Pablo Picasso

Faça algo pelo mundo hoje: use o essencial.

Abraços,

DC