Posts Tagged ‘Poemas’

Poema da necessidade

maio 5, 2011

Em um mundo onde as necessidades são criadas, devemos parar e pensar: O que é realmente necessário?

É preciso casar João,
é preciso suportar António,
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbedo,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.

Carlos Drummond de Andrade, in ‘Sentimento do Mundo’

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Mudanças e vontades

janeiro 20, 2011

Deixo com vocês um poema de Luiz Vaz de Camões, sobre as mudanças e vontades.

Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões, in “Sonetos”

Um grande abraço,

DC

A certeza de ser um eterno aprendiz

setembro 23, 2010

Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz…

Trecho de Eterno Aprendiz de Gonzaguinha.

O título deste post, ligeiramente diferente da música de gonzaguinha, é para provocar o leitor a pensar sobre o que ele aprende com a vida.

Este breve espaço de tempo entre a inspiração e a expiração, que com infinitas possibilidades, é a maior professora que existe. Ela nos faz aprender a cada segundo. Uma das poucas certezas que temos é que aprendemos com a vida.

Os momentos mais difícieis são os mais adequados para aprender muito. Talvez a pergunta feita “Por que isso aconteceu comigo?” tem como uma possível resposta “Para você aprender”.

Reflita sobre todas as coisas que estão disponíveis para seu aprendizado. Você vai ver que é muito mais do que imagina.

Deixo vocês com um poema de Bertold Brecht, publicado em “‘Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas” e traduzido por Paulo Quintela.

Louvor do Aprender

Aprende o mais simples! Pra aqueles
Cujo tempo chegou
Nunca é tarde de mais!
Aprende o abc, não chega, mas
Aprende-o! E não te enfades!
Começa! Tens de saber tudo!
Tens de tomar a chefia!

Aprende, homem do asilo!
Aprende, homem na prisão!
Aprende, mulher na cozinha!
Aprende, sexagenária!
Tens de tomar a chefia!

Frequenta a escola, homem sem casa!
Arranja saber, homem com frio!
Faminto, pega no livro: é uma arma.
Tens de tomar a chefia.

Não te acanhes de perguntar, companheiro!
Não deixes que te metam patranhas na cabeça:
Vê c’os teus próprios olhos!
O que tu mesmo não sabes
Não o sabes.
Verifica a conta:
És tu que a pagas.
Põe o dedo em cada parcela,
Pergunta: Como aparece isto aqui?
Tens de tomar a chefia.

Um grande abraço,

DC

Poemas e seu poder transformador

julho 21, 2010

Ao navegar por blogs, notícias e afins, esbarrei com um post do Blog “Momento Arrá” do Rodrigo Baggio, fundador do CDI.

O blog tem uma proposta muito interessante: narrar o mundo das empresas sociais e narrar os momentos “Arrás” das pessoas. O momento Arrá é quando vem a idéia, EUREKA!!! Recomendo o acesso.

Pois bem, encontrei uma história muito interessante. A história de Michele Hunt. Sua descrição no Blog é esta:

Ela foi a primeira mulher oficial de condicional nos EUA e primeira mulher vice-diretora de um presídio primeira. Foi a primeira mulher e a primeira pessoa negra a estar na equipe top de gerência de uma empresa da lista de 500 melhores da Forbes, a Herman Miller, na década de 80, então maior fabricante mundial de móveis para escritório. Ela liderou um equipe que promoveu um reposicionamento mundial da empresa, o que rendeu à companhia diversos títulos, entre eles o de mehor empresa para trabalhar.

Tanta competência fez Michele ser convidada pelo ex-presidente Clinton para estar em sua administração, liderando uma equipe para catalisar mudanças e se reportando diretamente ao Al Gore, ganhador do Prêmio Nobel da Paz e então vice-presidente norte-americano.

Pois bem, falei do Blog e da Michele para justamente falar do poema que motivou-a a fazer muitas coisas. Poema de Marianne Williamson:

Our deepest fear is not that we are inadequate. Our deepest fear is that we are powerful beyond measure. It is our light, not our darkness that most frightens us. We ask ourselves, Who am I to be brilliant, gorgeous, talented, fabulous? Actually, who are you not to be? You are a child of God. Your playing small does not serve the world. There is nothing enlightened about shrinking so that other people won’t feel insecure around you. We are all meant to shine, as children do. We were born to make manifest the glory of God that is within us. It’s not just in some of us; it’s in everyone. And as we let our own light shine, we unconsciously give other people permission to do the same. As we are liberated from our own fear, our presence automatically liberates others.

Nosso medo mais profundo não é que sejamos inadequados. Nosso medo mais profundo é que sejamos poderosos além da medida. É a nossa luz, não nossa escuridão que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso e fabuloso? Na verdade, quem é você para não ser? Você é um filho de Deus. Bancar o pequeno não serve ao mundo. Não há iluminação em se encolher para que outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você. Somos todos feitos para brilhar, como fazem as crianças. Nós nascemos para manifestar a glória de Deus que está dentro de nós. Não é apenas em alguns de nós, está em todos. E quando deixamos nossa luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo. Quando nos libertamos do nosso medo, nossa presença automaticamente liberta os outros.

Um poema que dá o que pensar hein… não acha?

Fica a provocação para você. Se quiser deixar um comentário, será muito bem vindo.

Abraços,

DC

Poemas de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

junho 1, 2010

O meu olhar é nítido como o girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda,

E de vez em quando olhando para trás…

E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem…

Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras…

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do Mundo…

Creio no mundo como num malmequer,

Porque o vejo. Mas não penso nele

Porque pensar é não compreender…

O Mundo não se fez para pensarmos nele

(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos…

Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,

Mas porque a amo, e amo-a por isso

Porque quem ama nunca sabe o que ama

Nem sabe por que ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,

E a única inocência não pensar…