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Perguntar…

março 22, 2010

Penso que o objetivo deste blog é incentivar, estimular, provocar os leitores a pensar. Independentemente se eles concordam com meus pontos de vista ou não, ou se os posts são incompletos, pelo menos levo-os a pensar sobre alguma coisa por algum tempo.

A melhor forma de levar alguém a pensar é trazer a dúvida, a pergunta. Lembrá-los que ainda há, e sempre existirá, conhecimentos não adquiridos, pulgas atrás das orelhas, novas formas de ver o mundo.

Você lembra de quando era criança e achava um grande mistério coisas que hoje são triviais? Dunga e Paula Toller descrevem essa fase em uma música primorosa:

Oito Anos
Composição: Dunga / Paula Toller

Por que você é flamengo
E meu pai botafogo?
O que significa
“impávido colosso”?

Por que os ossos doem
Enquanto a gente dorme?
Por que os dentes caem?
Por onde os filhos saem?

Por que os dedos murcham
Quando estou no banho?
Por que as ruas enchem
Quando está chovendo?

Quanto é mil trilhões
Vezes infinito?
Quem é Jesus Cristo?
Onde estão meus primos?

Well, well, well
Gabriel…
Well, Well, Well, Well…

Por que o fogo queima?
Por que a lua é branca?
Por que a terra roda?
Por que deitar agora?

Por que as cobras matam?
Por que o vidro embaça?
Por que você se pinta?
Por que o tempo passa?

Por que que a gente espirra?
Por que as unhas crescem?
Por que o sangue corre?
Por que que a gente morre?

Do que é feita a nuvem?
Do que é feita a neve?
Como é que se escreve
Re…vèi…llon

Well, Well, Well
Gabriel…(4x)

Diante dessas perguntas feitas por uma criança, o que fazemos? Normalmente criamos contos ou mitos para dar apenas uma resposta e satisfazer a sede curiosa dos pequeninos, como por exemplo a cegônha para explicar o nascimento dos bebês, ou respondemos: “você ainda é muito novo para entender isso.”

Essa criação de mitos foi uma grande forma no passado de responder as coisas que desconhecemos. As serpentes marinhas como resposta aos riscos das grandes navegações, as habilidades de Thor, Deus mitológico escandinavo, para descrever os raios e trovões.

Os mitos, as fantasias devem existir para dar cor à vida. Porém sabendo que são complementares às verdadeiras respostas. Complementares. Uma vida sem uma fantasia, é uma vida em preto e branco, não acha? Um excelente filme que mostra essa questão é o “Big Fish”.

pt.wikipedia.org/wiki/Big_Fish

Ora bolas, se a dúvida aparece, o questionador está pronto para receber a resposta. Guardada as devidas proporções dessa analogia extrema, imagina um doutorando recebendo a resposta “Você ainda não sabe o suficiente para entender a resposta sobre a sua tese”. O processo de construção do saber é assim! Quando respondemos, temos a responsabildiade indireta de não matar um pensador.O melhor é sempre responder o que sabe e mostrar o quanto mais o perguntador pode ir fundo em sua dúvida. Provocar sempre.

O exercício de responder a uma pergunta também é incrível. Você reduzir a resposta a sua essência para que o outro, ainda ignorante nesse assunto, entenda de forma direta e eficaz é um outro aprendizado. Você inicia com a pergunta: “O que é realmente importante ele saber? Qual é a base desse conhecimento, para que ele possa combinar e tirar suas próprias conclusões?”

Pois bem, voltando a questão de se perguntar, quais as perguntas que te movem neste momento? Passei o final de semana inteiro me perguntando como criar mais estímulos para os leitores desse blog. Criei algumas coisas que serão temas dos próximos posts. Aguardem.

Não sei se refleti o suficiente sobre o assunto, mas deixo para os leitores novos pontos para serem levantados. O importante é que vocês sintam-se em casa para contribuir com o blog.

Para teminar uma frase de Anselmo Borges, retirada do site citador.pt:

“Perguntar coloca-nos na perplexidade, pois implica ao mesmo tempo saber e não saber. Se perguntamos é porque não sabemos, mas sobre aquilo de que nada sabemos não perguntamos. Afinal, o que sabemos, quando perguntamos? Na pergunta, o que se mostra é o imostrável. No perguntar, o Homem revela que é o ser do intervalo – entre o finito e o infinito – e que está ligado ao Transcendente, pelo menos como questão.”

Faça algo pelo mundo hoje: contemple-o.

Abraços,

DC

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Cogito, ergo sum

março 16, 2010

Segundo a Wikipédia, “Penso, logo existo” ou  “Cogito, ergo sum” é uma conclusão do filósofo e matemático francês Descartes alcança após duvidar de sua própria existência, mas a comprova ao ver que pode pensar e se está sujeito a tal condição, deve de alguma forma existir. Ela aparece na tradução latina do trabalho escrito por Descartes, Discours de la Méthode (1637), escrito originariamente em francês e traduzido para latim anos mais tarde. O trecho original era “Puisque je doute, je pense; puisque je pense, j’existe” e, em outro momento, “je pense, donc je suis”. Apesar de Descartes ter usado o vocábulo “logo” (donc), e portanto um raciocínio semelhante ao silogismo aristotélico, a idéia de Descartes era anunciar a verdade primeira “eu existo” de onde surge todo o desejo pelo conhecimento.

Outra frase atribuída ao grande Friedrich Nietzsche, visualmente oposta: “ Existo, logo penso” apimenta um pouco mais esse post inicial desse Blog.

Não há dúvida que pensar e existir são dois verbos ligados intrisecamente. Em ambas as frases, a ação pensar tem uma significação muito forte.

Será que existir, sem pensar, é existir mesmo? Não vamos entrar na discussão que os animais e plantas não pensam mas existem, porque já ví pessoas que pensam menos do que uma planta. E não quero entrar aqui na discussão dual existir e viver. O sentido descrito aqui é se você realmente é sujeito de sua própria vida. E acredito que você deva conhecer também não é? Perguntas como: Quem sou eu? Qual o propósito da vida? ou até Por quê as coisas são assim? devem ter cruzado sua mente pelo menos uma vez na vida. Mesmo que você não tenha dado a devida atenção ou tenha comentado mentalmente ” que pergunta sem pé nem cabeça!”, sua mente necessita disso. Ela foi feita para isso.

Se aprofundarmos um pouco nossa análise, vemos que as perguntas se escondem atrás dos pensamentos realmente importantes. Por quê? Para quê? Como? E tantas outras formas de se perguntar nos movem em direção ao desconhecido, a um novo universo de infinitas descobertas.

O mito da caverna, ou alegoria da caverna, de Platão é uma metáfora brilhante da condição humana de ignorância perante o mundo. Trata-se da exemplificação de como podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade.

Ela é mais ou menos assim:

Imaginemos um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali. Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder locomover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade. Um dos prisioneiros decide abandonar essa condição e fabrica um instrumento com o qual quebra os grilhões. Aos poucos vai se movendo e avança na direção do muro e o escala, com dificuldade enfrenta os obstáculos que encontra e sai da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza.

Platão não buscava as verdadeiras essências da forma física como buscavam Demócrito e seus seguidores. Sob a influência de Sócrates, ele buscava a verdade essencial das coisas.

Mais importante do que saber as respostas é fazer as perguntas certas. Na propaganda do Canal Futura está bem clara “Não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas.” (se a sentença não estiver exata , a mensagem é essa).

Quero utilizar esse espaço para descrever minhas sinapses, minhas perguntas, experiências e incentivar outros a perguntarem, a se perguntarem, a refletirem.

Se queremos realmente fazer coisas importantes para o mundo, começamos então pelas perguntas!

” Seja você a mudança que você quer para o mundo.” Gandhi.

Abraços
DC