Posts Tagged ‘Pensar’

As 3 coisas que descobri quando meu avião caiu

maio 17, 2011

As tragédias são ótimas (é dificil escrever isso) para nos forçarmos a repensar a vida. No dia-a-dia estamos preocupados com as coisas triviais e não conseguimos lembrar do que realmente importa.

No vídeo de hoje, Ric Elias, sobrevivente do avião que pousou no rio Hudson, descreve o que passou por sua cabeça no momento do acidente e suas reflexões. Não vou escrever aqui para não quebrar o suspense. São apenas 5 minutos.

Meu conselho é: faça de todo dia uma tragédia e repense todo dia o que é importante para você.

Segue link com o vídeo.

Ric Elias: As 3 coisas que descobri quando meu avião caiu

Pensem nisso.

DC

Sentir, pensar e saber

setembro 16, 2010

No post de hoje, uma poesia do singular Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.

Nada mais. Apenas uma poesia de Caeiro. Será que tudo isso pode ser chamado de “apenas”?

Sentes, Pensas e Sabes que Pensas e Sentes

Dizes-me: tu és mais alguma cousa
Que uma pedra ou uma planta.
Dizes-me: sentes, pensas e sabes
Que pensas e sentes.
Então as pedras escrevem versos?
Então as plantas têm idéias sobre o mundo?

Sim: há diferença.
Mas não é a diferença que encontras;
Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as cousas:
Só me obriga a ser consciente.

Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei.
Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.

Ter consciência é mais que ter cor?
Pode ser e pode não ser.
Sei que é diferente apenas.
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.

Sei que a pedra é a real, e que a planta existe.
Sei isto porque elas existem.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.
Sei que sou real também.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.
Não sei mais nada.

Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.
Sim, faço idéias sobre o mundo, e a planta nenhumas.
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;
E as plantas são plantas só, e não pensadores.
Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,

Como que sou inferior.
Mas não digo isso: digo da pedra, “é uma pedra”,
Digo da planta, “é uma planta”,
Digo de mim, “sou eu”.
E não digo mais nada. Que mais há a dizer?

Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”
Heterónimo de Fernando Pessoa 

O que nos diferencia dos animais?

agosto 6, 2010

Recebi um texto de uma amiga, Flávia Melo, que me chamou a atenção. Decidir publicá-lo e assim inaugurar a participação de outras pessoas aqui no Blog. Ela escreveu sobre a diferença entre irritabilidade e sensibilidade. Você sabe diferenciá-las?

” Me lembro bem , que ainda no ensino fundamental aprendi nas aulas de biologia a diferença entre sensibilidade e irritabilidade. E é bem simples: a irritabilidade é sua capacidade de reagir a algo, assim sempre que se tem um estimulo, instantaneamente se reage da forma programada. Ou seja, para o mesmo estímulo a mesma ação, sempre.

Traduzindo em prática: irritabilidade então pode ser vista sempre que uma mulher em período pré menstrual (ai a palavra se encaixa perfeitamente) vê um a chocolate e o devora. Instintivamente seu impulso é devora-ló. Indenpendente das promessas da ultima semana (até porque ela nem lembra disso), ela o faz.

Quanto a sensibilidade, é a capacidade de agir, ou seja, de a partir de um estimulo, selecionar qual a melhor ação a realizar. Nesse caso a ação é racional, consciente e pressupõe uma leitura completa da situação.

Traduzindo em prática: sensibilidade então pode ser vista sempre que uma mulher em período pré menstrual vê um a chocolate, pensa em devora-ló, pensa que aquele é um prazer momentaneo e seu objetivo é não engordar ou (como na maioria das vezes) emagrecer e não o faz. Instintivamente seu impulso é devora-ló, mas ela conscientemente não o faz.

Bom, mas por quê aprendemos isso na aula de biologia? Porquê o que nos diferencia dos demais animais é a nossa sensibilidade. Ainda sim , muitas vezes me questiono se muitos animais não agem com mais sensibilidade que muitos homens…

Por fim, sejamos mais humanos e como tal sensíveis.

Para finalizar segue a transcrição de pequeno texto:

“Quando reagimos a algo, estamos dando tapinhas em nosso instinto animal. Até onde sabemos, os animais não conseguem acessar aquela fração de segundos, antes de uma reação. Os desejos deles são compulsivos, assim como suas reações; eles vão atrás de gratificação instantânea.

Entretanto quando primeiramente pausamos ou restringimos nossas reações, estamos tocando em nossa “natureza Deus” (God nature). Estamos optando por não sermos mais o efeito de nosso desejo.Ao invés disso, estamos escolhendo ser a causa.

Restrição, a propósito, não significa que não decidiremos saciar aquele desejo, afinal de contas. Significa simplesmente que nós pausamos e fazemos uma decisão consciente.

Hoje, faça aquilo que você sempre faz. Mas tenha certeza de que você esta fazendo por escolha, e não por hábito.” YEHUDA BERG

Somos animais e humanos. Reagimos instintivamente e racionalmente. Será que há uma lista de situações que devemos agir institntivamente e outra lista de situações que devemos pensar antes de agir? Devemos pensar em tudo ou não pensar em nada e agir de forma animalesca?

Nem ao céu, nem a terra. Devemos buscar um equilíbrio. Às vezes, agir sem pensar produz efeitos incríveis, mas como a bebida, devemos usar com moderação.

Pense nisso.

Abraços,

DC

 

Novos temas…

agosto 5, 2010

Amigos leitores,

Sempre me preocupo em utilizar esse espaço para provocar as pessoas a pensar. Em colocar aqui notícias, experiências, informações que façam vocês pensar: “É verdade, nunca tinha pensado nisso”.

E confesso a vocês que ter como rotina atualizar um blog é mais difícil do que se imagina. Se perguntar que assunto tratar, que perguntas fazer, é um esforço enorme.

E esse processo é contínuo. A cada dia, você descobre uma forma diferente, experimenta daqui, cria dali, copia acolá….é nessa constante criação, que podemos extrapolar para nossa vida, que devemos nos atentar.

Outro dia desses pensei em fontes de provocações. Listo algumas, umas das quais já utilizei nesse espaço:

1- Aforismos,
2- poesias
3- arte
4- imagens
5- livros
6- textos e artigos

Pois bem, são com esses instrumentos que pretendo provocá-los daqui em diante (até ter novas idéias). Tentarei dividir os dias da semana com esses instrumentos, de forma a manter o conceito de “grade de programação”. Estou a procura de colunistas para o Blog. Você está interessado?

Espero receber sugestões de novos instrumentos de provocação, para que possamos criar um Blog diversificado, com um horizonte ampliado e que cumpra o seu papel – levar pessoas a pensar mais e mais, fugir das respostas automáticas, de aceitar passivamente as coisas.

Espero contar com o apoio de todos os meus leitores, ainda que poucos por enquanto…

Um grande abraço.

DC

Homenagem a Saramago

julho 15, 2010

Acho que na sociedade actual nos falta
filosofia. Filosofia como espaço, lugar,
método de reflexão, que pode não ter um
objectivo determinado, como a ciência, que
avança para satisfazer objectivos. Falta-nos
reflexão, pensar, precisamos do trabalho de
pensar, e parece-me que, sem ideias, não
vamos a parte nenhuma.

Pensar, pensar

junho 18, 2010

Texto do Blog de José Saramago de hoje. Uma homenagem:

Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.

Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008

Cogito, ergo sum

março 16, 2010

Segundo a Wikipédia, “Penso, logo existo” ou  “Cogito, ergo sum” é uma conclusão do filósofo e matemático francês Descartes alcança após duvidar de sua própria existência, mas a comprova ao ver que pode pensar e se está sujeito a tal condição, deve de alguma forma existir. Ela aparece na tradução latina do trabalho escrito por Descartes, Discours de la Méthode (1637), escrito originariamente em francês e traduzido para latim anos mais tarde. O trecho original era “Puisque je doute, je pense; puisque je pense, j’existe” e, em outro momento, “je pense, donc je suis”. Apesar de Descartes ter usado o vocábulo “logo” (donc), e portanto um raciocínio semelhante ao silogismo aristotélico, a idéia de Descartes era anunciar a verdade primeira “eu existo” de onde surge todo o desejo pelo conhecimento.

Outra frase atribuída ao grande Friedrich Nietzsche, visualmente oposta: “ Existo, logo penso” apimenta um pouco mais esse post inicial desse Blog.

Não há dúvida que pensar e existir são dois verbos ligados intrisecamente. Em ambas as frases, a ação pensar tem uma significação muito forte.

Será que existir, sem pensar, é existir mesmo? Não vamos entrar na discussão que os animais e plantas não pensam mas existem, porque já ví pessoas que pensam menos do que uma planta. E não quero entrar aqui na discussão dual existir e viver. O sentido descrito aqui é se você realmente é sujeito de sua própria vida. E acredito que você deva conhecer também não é? Perguntas como: Quem sou eu? Qual o propósito da vida? ou até Por quê as coisas são assim? devem ter cruzado sua mente pelo menos uma vez na vida. Mesmo que você não tenha dado a devida atenção ou tenha comentado mentalmente ” que pergunta sem pé nem cabeça!”, sua mente necessita disso. Ela foi feita para isso.

Se aprofundarmos um pouco nossa análise, vemos que as perguntas se escondem atrás dos pensamentos realmente importantes. Por quê? Para quê? Como? E tantas outras formas de se perguntar nos movem em direção ao desconhecido, a um novo universo de infinitas descobertas.

O mito da caverna, ou alegoria da caverna, de Platão é uma metáfora brilhante da condição humana de ignorância perante o mundo. Trata-se da exemplificação de como podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade.

Ela é mais ou menos assim:

Imaginemos um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali. Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder locomover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade. Um dos prisioneiros decide abandonar essa condição e fabrica um instrumento com o qual quebra os grilhões. Aos poucos vai se movendo e avança na direção do muro e o escala, com dificuldade enfrenta os obstáculos que encontra e sai da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza.

Platão não buscava as verdadeiras essências da forma física como buscavam Demócrito e seus seguidores. Sob a influência de Sócrates, ele buscava a verdade essencial das coisas.

Mais importante do que saber as respostas é fazer as perguntas certas. Na propaganda do Canal Futura está bem clara “Não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas.” (se a sentença não estiver exata , a mensagem é essa).

Quero utilizar esse espaço para descrever minhas sinapses, minhas perguntas, experiências e incentivar outros a perguntarem, a se perguntarem, a refletirem.

Se queremos realmente fazer coisas importantes para o mundo, começamos então pelas perguntas!

” Seja você a mudança que você quer para o mundo.” Gandhi.

Abraços
DC