Posts Tagged ‘Inspiração Coletiva’

Essa geração 80

junho 17, 2011

Reproduzo aqui um excelente artigo do Helio de La Pena, escrito para o Blog Inspiração Coletiva da Brastemp, sobre um dos fenômenos recentes que tenho observado: a atividade intensa do pessoal que já está a 8 década nesse mundão.

Fiquei surpreso ao constatar recentemente que João Gilberto completou 80 anos. Logo depois, descubro que Fernando Henrique Cardoso também está fazendo 80. Mesma idade de Zuenir Ventura. Fernanda Montenegro é dois anos mais velha que essa turma. Nomes que a gente ouviu a vida inteira, e que ainda dão o que falar,  percebo agora que estão há oito décadas no planeta. Uma marca e tanto!

Vemos, às vezes, tentativas desesperadas de parar o tempo. Gente que não se conforma com a própria idade e faz de tudo para disfarçá-la, no começo para os outros, depois para si mesmo. Gastam-se aposentadorias inteiras com tinta para o cabelo, cirurgias plásticas e outros artifícios. Franjinhas, tatuagens e minissaias que não ficam bem nem na Sabrina Sato… tudo para parecer um garotão ou uma menininha e o que se consegue é um risinho malicioso da molecada: “Nossa, que ridículo!”

Não é por aí. As pessoas citadas lá em cima chamam atenção dos mais jovens não pelo rabo de cavalo prendendo uns ralos fios de cabelo ou pela expressão facial congelada pelo botox. O que espanta é ver essa gente em atividade. Produzindo, criando, atuando, publicando. No ano passado dona Fernanda estava presente em quase todos os capítulos da novela Passione. E ainda podia ser vista no teatro. O enigmático João Gilberto não é visto nem pelo entregador de pizza que, segundo a lenda, tem que passar a encomenda por baixo da porta. Mas quando sai de casa, enche o teatro com gente querendo ver seu show, preciso por conta dos exaustivos ensaios. Semanalmente nos jornais lemos um artigo do Zuenir Ventura sobre os mais diversos assuntos. E Fernando Henrique, que poderia estar em sua fazenda tomando uma canja, anda por aí trazendo a discussão de assuntos polêmicos.

Essa gente não quer saber de ficar de bobeira descansando. Não é pra isso que se vive mais, não é por isso que se vive mais. Não é colocando um piercing no nariz ou no mamilo que o coroa se torna mais jovem. É mantendo a cabeça funcionando, buscando o prazer, o conhecimento, a presença na sociedade. Essa é a verdadeira fórmula da longevidade.

Uma cidade soterrada

junho 3, 2011

Hoje, o post do Blog Inspiração Coletiva, da Brastemp.

Em 1978, funcionários de uma companhia de eletricidade faziam escavações para realizar um cabeamento subterrâneo quando se depararam com uma grande pedra circular esculpida. Desconfiados de que aquela peça pudesse ter valor, acionaram arqueólogos que confirmaram a importância do objeto encontrado. Tratava-se de uma representação da deusa asteca Coyolxauhqui.

A descoberta levou a uma pesquisa mais profunda. Chegaram à conclusão de que havia mais coisa ali embaixo. E havia mesmo. Era o Templo Mayor, um enorme templo asteca do século 14. Toda a região foi expropriada, os prédios foram demolidos e o México trouxe à tona um valioso tesouro arqueológico.

Um desavisado, ao ver a enorme área esburacada com paredes quebradas no centro da capital mexicana, pode imaginar que eles estão se preparando pra sediar alguma Copa do Mundo. Trata-se, na verdade, de ruínas de Tenochtitlán, a capital da civilização asteca, que havia sido soterrada pelos espanhóis. Sobre ela ergueram suas construções, entre elas a Catedral Metropolitana.

Fico intrigado por que os espanhóis, depois de dizimarem os astecas, resolveram soterrar suas construções, tentando apagar qualquer vestígio da existência da antiga civilização.  Só vejo um motivo. O conquistador Hernán Cortes mandou destruir tudo depois de se irritar  porque não conseguia pronunciar nomes de deuses como Huitzilopochti Quetzalcoatl, Coyolxauhqui…

Os mexicanos viveram anos e anos sem ter ideia de que estavam andando sobre construções de uma antiga e avançada civilização. Ao visitar recentemente a cidade fiquei impressionado com o Templo Mayor. Não só pela dimensão do templo, como também pela coragem de promoverem tamanha desapropriação para revelar ao mundo uma parte relevante da História Universal.

Voltei ao Brasil pensando como essa iniciativa poderia nos inspirar a preservar e valorizar nosso patrimônio histórico.

Só muda de endereço

maio 8, 2011

Não pude colocar o post  na sexta feira, porém escolhi um especial para celebrar o dia de hoje. O autor do texto é o conhecido humorista Helio de la Pena. Foi retirado do Blog Inspiração Coletiva. Realmente amor de mãe transpõem tudo. Baita Inspiração!

Mãe, Te amo.

Toda mãe paga mico. Mas ela não tá nem aí. Principalmente se estiver pensando no melhor pro seu filho. Mãe que é mãe gosta de pegar na bochecha do seu rebento e mostrar pras amigas dizendo: “Mas não é uma gracinha?”. Esquece até que a tal “gracinha” já tem quarenta anos. E ele que não reclame, sabe que se não fosse ela, ele não existiria.

Como todas, minha mãe não poupou esforços pra me ver bem na vida. Fez o que estava ao seu alcance. Como era professora, sua preocupação era 100% com a minha educação. Estava nos primeiros anos do ensino básico (ia falar primário, mas podia denunciar minha idade – e a da minha mãe!) e ela já me obrigava a levar a sério os estudos. E o pior é que não era só eu, meus amigos também! Se alguém batesse lá em casa pra me chamar pra uma pelada, fazia o garoto entrar. Só depois que meu amigo resolvesse um problema ou fizesse pelo menos umas contas de somar e subtrair ela me liberava pra brincar. Em pouco tempo o pessoal da rua percebeu que era cilada tocar a campainha da minha porta. Tinha que fazer meus deveres de casa e sair pelo bairro procurando meus amigos.

Hoje entendo sua atitude e a gratidão das mães dos meus colegas que passaram a tarde fazendo tarefas escolares. Mas na época só pensava na zoação que ia sofrer quando encontrasse a galera.

Um outro caso ligado à minha educação virou folclore na minha biografia. Estudava numa escola pública quando passei para o ginásio (pronto, já descobriram que não tenho vinte e cinco anos!). O ensino no colégio estadual era um desastre, quase não tinha aula, o que eu achava ótimo. Desesperada, minha mãe procurou o Colégio de São Bento.

O ano letivo já tinha começado, portanto não havia mais como ser matriculado. Entretanto, ela não desistiu. Marcou uma entrevista com o reitor, na época, Dom Lourenço. Explicou-lhe minha situação. Dom Lourenço abriu uma exceção e permitiu que eu fizesse um exame de admissão mesmo fora da época.

Minha mãe agradeceu, mas ressaltou: “Olha, Dom Lourenço, somos uma família humilde, não temos condição de pagar um colégio tão caro.”

“Se o seu filho for bem no exame, nós lhe damos uma bolsa de estudos” – respondeu ele.

Minha mãe ficou aliviada. Vislumbrou a possibilidade de me colocar numa escola da elite. Mas, receosa e sem conhecer direito o lugar para onde estava me levando, acrescentou: “Obrigada, Dom Lourenço. Mas… nem sei como dizer isso. É que… é que…”.

“Sim? Pode falar, minha senhora. Qual o problema?” – perguntou o reitor.

“Bem, eu vou dizer. É que meu filho, ele… bem, o meu filho é negro.”

Dom Lourenço olhou pra minha mãe e desabafou: “Bom, isso eu já imaginava, Dona Ruth…”. E assegurou que isso não seria problema algum.

Esse fato mostra que minha mãe não tinha a noção exata da mudança que iria provocar na minha vida, mas tinha certeza de que era pro meu bem. Uma atitude inspirada que até hoje agradeço.

Inspiração que vem de dentro

abril 25, 2011

Uma das minhas maiores lembranças de quando era criança é a de desmontar brinquedos para saber como eram as engrenagens. As obras me levaram para essa época.

O Blog é uma iniciativa da Brastemp.

Todo mundo já teve na família, ou pelo menos conhece a história, de um menino que chegava na casa de um parente e, sorrateiramente, desaparecia com um rádio. Não, ele não era um cleptomaníaco! Na verdade, ele era um “desmontador“. E aí, depois de uns bons safanões da mãe, o danado tinha que quebrar a cabeça para devolver o rádio funcionando para a tia, e aprendia que não se deve desmontar os equipamentos alheios.
O inglês Todd McLellan certamente viveu situações muito parecidas com esta que acabamos de contar! Uma vez te apresentamos aqui uma artista plástica que mostra o lado inverso das coisas. No caso de Todd, sua obra apresenta o lado de dentro das coisas. Meticulosamente, o artista desmonta elementos do nosso cotidiano, como relógios, telefones e máquinas de escrever. E, como num “anti quebra-cabeça”, Todd organiza as trocentas pecinhas que encontra, e fotografa as composições. E deste caos organizado, nascem lindas imagens, harmoniosas e inusitadas.

Se seu telefone quebrar, não esqueça de convidar aquele seu sobrinho arteiro, que a mãe chama com orgulho de “pequeno inventor”, para visitar a sua casa!

Um pedreiro que constrói com livros

abril 1, 2011

Amigos, mais uma vez a coluna do Blog Inspiração Coletiva, inciativa da Brastemp. Hoje um post do conhecido Helio de la Pena.

Fantástico como a força de vontade faz muita diferença. Melhor ainda é a mudança de visão do pedreiro Evandro. Quando alguém não devolve o livro, ele comemora! ÍNCRÍVEL! Uma verdadeira mudança de paradigma.

Apreciem.

DC

A casa de Evando quando era a sede da biblioteca.

Fui até a Vila da Penha, minha terra natal, para apresentar a vocês uma figura das mais inspiradoras. É o pedreiro Evando dos Santos. Nascido em Sergipe, aprendeu a ler aos dezoito anos. E tomou gosto pela coisa. Tornou-se um leitor compulsivo. Inquieto e empreendedor, não guardou esta paixão para si. Sua vontade de promover o amor à literatura levou-o a criar uma incrível biblioteca comunitária. Em 1998 recolheu cinquenta livros de que o dono de uma loja queria se desfazer. Evando os pôs à disposição da vizinhança. E começou então sua cruzada pela leitura. Passou a receber um grande volume de doações e acumulava tudo em sua casa.

Evando tornou-se uma traça, passando a viver literalmente no meio dos livros. Há alguns anos fui à sua casa e seu acervo já passava dos trinta mil volumes. Tinha livro em todos os cantos da casa. A garagem deixou de existir, no seu quarto mal cabia a cama, até na cozinha era preciso entrar com cuidado para não derrubar uns livros na panela de feijão.

Evando criou um sistema bibliotecário inédito. Qualquer um podia tomar livros emprestados – quantos títulos quisesse. Não havia prazo para devolução e se o livro não fosse devolvido, comemorava: sinal de que o livro agradou e foi adotado pelo leitor. Sua ideia era desburocratizar a cultura.

Evando fez de tudo para avançar com seu projeto. Entrou em contato com jornais e rádios, incentivou doações que ia buscar pessoalmente. Conta que mais de quatro mil livros foram transportados em sacolas. O pedreiro ia de ônibus aos municípios mais distantes para enriquecer sua coleção. Na falta de estantes para tantas páginas, os livros eram empilhados por assunto na casa. A impressão era de completo caos, mas ele sabia onde estava cada um dos exemplares. E engana-se quem pensa que se trata de um amontoado de livros inúteis e ultrapassados. O acervo possui obras raras, como uma edição dos Lusíadas de 1805, a História do Brasil escrita por Robert Southey, editada em Londres em 1834, clássicos da literatura brasileira, francesa e russa. Evando é leitor, entre outros, de Lima Barreto, Machado de Assis e Silvio Romero.

O esboço do projeto de Niemeyer

Um dia, assistia à tevê quando viu Oscar Niemeyer dando uma entrevista. Ligou para a emissora e entrou em contato com o arquiteto, que se comprometeu a criar um projeto arquitetônico para sua biblioteca, caso Evando conseguisse um terreno. Com a ajuda do BNDES, Evando não só comprou o terreno, como financiou uma obra de mais de 600 mil reais. Hoje a biblioteca funciona diariamente das 6 às 23 horas num prédio de três andares próximo à sua casa. Conta com um acervo de mais de 47 mil obras e chama-se Tobias Barreto Menezes, poeta, filósofo, jurista dos tempos de D. Pedro II, autor predileto de Evando. Como diria Obama, Evando é o cara! Helio de la Pena

Inspiração na diversidade

março 25, 2011

Mais uma vez, um post escolhido por mim do Blog Inspiração Coletiva, da Brastemp.

Transparência, afetividade e lealdade. A gente busca, ao longo da vida, estar cercado de pessoas dotadas destas características, tão raras nos dias de hoje.

Quem acompanha o blog teve a oportunidade de conferir uma experiência compartilhada por Henrique Fogaça, que ministrou um curso de culinária para crianças com Síndrome de Down. A aula transcendeu seu papel de ensinar os pormenores da arte de cozinhar e foi além, ao mostrar o quão inspiradora pode ser a diversidade. É impossível não se emocionar com o vídeo que traz cenas dos melhores momentos dessa experiência.

Hoje (21/03) comemoramos o Dia Internacional da Síndrome de Down e gostaríamos de homenagear estas pessoas inspiradoras, que merecem nossa admiração por sua luta diária em busca da superação. Acesse  aqui e sorria com Henrique Fogaça e a turma de Chefes Especiais.

We feel fine

março 18, 2011

Hoje a coluna do Blog Inspiração Coletiva. Como você está? Bem? Não muito bem? E se você perguntasse isso para a humanidade? Bem, é isso que o texto abaixo vai falar…


Como você se sente neste momento?

E como o mundo inteiro está se sentindo agora?

De certa forma, respondemos a essas perguntas todos os dias, ao atualizar nosso status nas redes sociais, ou ao escrever um post no blog. Esse talvez seja um dos maiores benefícios da vida digital: milhões de pessoas têm um espaço para dizer como se sentem.

Há algum tempo conheci um site e fiquei fascinado por ele: “We feel fine”. Esse site desenvolvido por uma ONG, na realidade é um sistema que varre periodicamente todos os webblogs e redes sociais do mundo em busca de frases começando com “I feel…” ou “I’m feeling…”.

Essas frases completas são automaticamente registradas, junto com as possíveis imagens relacionadas, e temos ai um grande panorama das dores e humores do mundo. A novidade é que tem muito mais gente feliz no mundo da internet do que a gente imagina.

Esse sistema também faz o mapeamento por idade, país, gênero, etc… É um grande banco de dados que cruza dados reais e físicos com emoção. Até mesmo os dados meteorológicos de cada cidade ou região são levados em conta.

Nos permite responder a perguntas do tipo: Será que os brasileiros estão naquele momento mais felizes que os americanos? Qual a influência da chuva ou do sol no humor das pessoas? Como os jovens do leste europeu estão se sentindo nesse momento?

Não bastasse tudo isso o design é moderno, inspirador e muito louco. É uma constelação de vidas acessíveis a um clique.