Posts Tagged ‘inovação’

Aprendendo na favela

agosto 31, 2010

A idéia de hoje fala sobre novas formas de educação, de aprender. Você acha que podemos mudar nossa forma de aprender com práticas encontradas nas favelas do Rio? Não?

Pois bem, Charles Leadbeater pensou diferente e achou. Veja o vídeo abaixo, no TED.

Educação Inovadora nas Favelas

Charles Leadbeater procurou por formas radicais de educação – e as encontrou nas favelas do Rio e Kibera, onde crianças mais pobres do mundo descobrem novas formas transformadoras de aprender. E nessa nova escola, informal e inusitada, diz ele, é o que todas as escolas precisam se tornar.

Pense diferente.

Abraços,

DC

Pense em algo impossível

maio 30, 2010

Seja bem vindo!

No post mosaico de domingo vamos falar sobre imaginação e inovação. Para começar, uma frase de Albert Einstein:

Imaginação é mais importante do que o conhecimento.

Qual a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha? Essa e tantas outras perguntas estão no roteiro do filme Alice no País das Maravilhas, um clássico da literatura. Segundo o Wikipédia, é a obra mais conhecida do professor de matemática inglês Charles Lutwidge Dodgson, sob o pseudónimo de Lewis Carroll, que a publicou a 4 de julho de 1865, e uma das mais célebres do gênero literário nonsense ou do surrealismo, sendo considerada a obra clássica da literatura inglesa. O livro conta a história de uma menina chamada Alice que cai numa toca de coelho que a transporta para um lugar fantástico povoado por criaturas peculiares e antropomórficas, revelando uma lógica do absurdo característica dos sonhos. Este está repleto de alusões satíricas dirigidas tanto aos amigos como aos inimigos de Carrol, de paródias a poemas populares infantis ingleses ensinados no século XIX e também de referências linguísticas e matemáticas frequentemente através de enigmas que contribuíram para a sua popularidade.

O filme, ao meu ver, é uma casca para as perguntas filosóficas e conceitos matemáticos que norteiam as aventuras da pequena Alice. Contando com a ajuda da Wikipedia,mais uma vez:

Uma vez que Lewis Carroll era professor de matemática na Igreja de Cristo, é sugerida a existência de muitas referências e de conceitos matemáticos, tanto nesta obra, como na Alice no Outro Lado do Espelho. Alguns exemplos:

  • No Buraco do Coelho, durante o processo de encolhimento da altura, Alice faz considerações filosófica acerca do tamanho final com que ficará, com receio de talvez acabar por desaparecer completamente, como uma vela. Esta observação reflete o conceito do limite de uma função;
  • No Lago das Lágrimas, Alice tenta fazer multiplicações, mas acaba por produzir uns resultados estranhos: “Deixa-me cá ver: quatro vezes cinco são doze, e quatro vezes seis são treze, e quatro vezes sete são… Oh, meu Deus!Por este andar nunca mais chego aos vinte!. É assim exposto a representação de números utilizando bases diferentes e sistemas numerais posicionais (4 x 5 = 12 na base 18 notação; 4 x 6 = 13 na base 21 notação; 7 x 4 poderiam ser 14 na base 24 notação, seguindo a sequência);
  • EmConselhos de Uma Lagarta, o Pombo afirma que as meninas são uma espécie de serpentes, pois ambos seres comem ovos. Esta observação é um conceito geral de abstração que ocorre frequentemente em diversos âmbitos da ciência; um exemplo da utilização deste raciocínio na matemática é a substituição de variáveis.
  • No Chá dos Loucos, a Lebre de Março, o Chapeleiro Louco e o Arganaz dão vários exemplos em que o valor semântico de uma frase X não é o mesmo que o valor do inverso de X (por exemplo, Não é nada a mesma coisa!(…)Ora, nesse caso também podias dizer que “Vejo o que como” é a mesma coisa que “Como o que vejo”!); No ramo da lógica e da matemática este conceito é uma relação inversa.
  • Alice pondera o significado da situação quando o grupo faz a rotação dos lugares ao redor da mesa circular, colocando-os de volta ao início. Esta é uma representação da adição de um anel do módulo inteiro de N.
  • O Gato de Cheshire desvanece , deixando apenas o seu sorriso largo, suspenso no ar, levando a Alice maravilha a notar que já viu um gato sem um sorriso, mas nunca um sorriso sem um gato. É feita aqui uma profunda abstração de vários conceitos matemáticos (geometria não-Euclidiana, álgebra abstrata, o início da lógica matemática, etc), delineando, através da relação entre o gato e o próprio sorriso, o próprio conceito de matemática e o número em si. Por exemplo, no lugar de considerar duas ou três maçãs, considera-se antes os conceito de dois e de três por si só, separados do conceito de maçã, como o sorriso que, aparentemente pertence ao gato original, é separado conceitualmente do resto do corpo físico.

Quero destacar aqui também as inquietações de ordem filosófica que aparecem no filme:

  • Quem é você? É a pergunta que a lagarta azul faz a Alice, querendo saber se ela é a Alice certa;
  • A constante dialética entre sonho e realidade, que é pano de fundo do filme todo;
  • Qual caminho tomar,se não sabes onde ir?

Ver o filme e não se sentir provocado por essas perguntas, é entretenimento barato. Não agrega nada.

Aliás, uma das coisas que vi no filme e vou tentar colocar em minha vida é pensar em 6 coisas impossíveis antes do café-da-manhã (se o sono permitir, é claro!). O primeiro passo para uma coisa deixar de ser impossível é você acreditar que ela é possível. Se não acreditasse que escrever um blog poderia mudar para melhor o mundo, não o faria. Eu achei maravilhoso ter isso como hábito. Ele nos faz pensar no novo sempre.

Falei do filme para chegar a esse ponto. Você está preparado para o novo? Ainda mais um novo que poderia ser impossível a pouco tempo atrás? É imperativo deter uma capacidade de adaptação rápida. Na hora em que se pede para desligar os celulares, eles incluem BIPs e PAGERs. Uma pergunta: Ainda há BIPs e PAGERs? É incrível como uma invenção recente teve sua vida tão curta como o serviço de mensagem. O SMS acabou com empresas de mensagem numa tacada só. Já ouvi várias vezes: Se não me encontrar,me dá uma BIPADA.

Hoje, a inovação é um traço da vida moderna. Na semana passada, aconteceu a 4ª Conferência de Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento sustentável. A conferência mostrou alguns dados interessantes:

  • Precisamos formar muito mais doutores para conseguir sustentar nosso crescimento;
  • Hoje formamos um percentual ridículo de engenheiros, se comparados a uma Coréia do Sul, Japão, China;
  • As empresas investem pouco em pesquisa e desenvolvimento;

Como queremos ser um país inovativo, se a matemática é vista como um monstro? É melhor exportar milhões de toneladas de alimentos ou alguns quilos de chips? Olha quantas perguntas são criadas quando pensamos sobre o assunto.

É importante você, leitor, ficar conhecendo o que seu país pensa sobre Ciência & Tecnologia. Onde ele quer chegar. Acesse o site, faça o download dos arquivos, leia, PENSE a respeito.

Para terminar, uma frase de William Shakespeare:

O louco, o amoroso e o poeta estão recheados de imaginação.

Faça algo pelo mundo hoje: pense em algo impossível.

Abraços,

DC

O Jeitinho Brasileiro é uma forma de corrupção? (Corrupção – parte 4)

abril 19, 2010

Seguindo os posts sobre corrupção, temos agora a discussão sobre o famoso jeitinho brasileiro. Ele é uma forma de corrupção?

Ao pesquisar o termo na internet encontrei milhares de respostas. Algumas delas bem interessantes, que utilizarei aqui para embasar nossa discussão.

(…) O que levamos desta vida inútil

Tanto vale se é

A glória, a fama, o amor, a ciência, a vida,

Como se fosse apenas

A memória de um jogo bem jogado

E uma partida ganha a um jogador melhor

A glória pesa como um fardo rico,

A fama como a febre,

O amor cansa porque é a sério e busca,

A ciência nunca encontra,

E a vida passa e dói porque o conhece…

O jogo de xadrez

Prende a alma toda, mas perdido, pouco

Pesa, pois não é nada (…)

Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

Começo com uma poesia de Fernando Pessoa. Ela inicia também um artigo de Fernando C. Prestes Motta e Rafael Alcadipani sobre o jeitinho. O artigo descreve uma situação do jeitinho bastante ilustrativa. Vejamos:

Sujeito a quase um ano desempregado, casado, três filhos, vivendo do dinheiro de faxinas esporádicas da mulher, descobre que uma loja está precisando de carregador. Vai até a loja, conversa com o dono, que gosta muito dele. Existem mais 13 pessoas na busca pela vaga. Depois de conversar com a esposa do dono da loja, consegue o emprego. Para tanto, precisa estar na loja no dia seguinte às 8 horas com a carteira de trabalho, caso contrário, perde a vaga.

Volta para casa feliz e contente com o emprego conquistado. Procura a carteira de trabalho e, para seu desespero, percebe que a perdeu. Como precisa do documento impreterivelmente no dia seguinte, vai à Junta do Trabalho para fazer um novo. Vale destacar que a maioria dos órgãos governamentais do serviço público no Brasil parece retirada de um conto de Kafka, tamanha a lentidão e a “burocracia” que apresenta.

Lá chegando, após ficar duas horas e meia na fila para ser atendido, a funcionária, com um mal humor ímpar, informa que o documento somente ficará pronto dentro de um mês, já que esse é o procedimento padrão pelo qual todos, sem exceções, devem passar.

Nosso personagem fica desesperado e conta toda sua história, com rigor de detalhes, para a funcionária. Ela pára, pensa, repensa e discute, fala que não tem como… Mas, depois da persistência de nosso ex-desempregado, passa o caso dele na frente de todos os demais e consegue a carteira de trabalho em 45 minutos. Ele agradece e vai embora feliz. Para nós, brasileiros, “deu-se um jeitinho” para o ex-desempregado.

O jeitinho brasileiro é o genuíno processo brasileiro de uma pessoa atingir objetivos a despeito de determinações (leis, normas, regras, ordens etc.) contrárias.

No blog Críticas e Reflexões, temos a definição de jeitinho como: a malandragem histórica do nosso povo. Malandragem com a qual temos contato desde pequenos e ouvimos constantemente nos meios de comunicação e, indiretamente, presenciamos nos atos das pessoas. Há quem tenha orgulho do “jeitinho”, que por ser tão comum, até prefiro omitir as aspas. No entanto, a idéia do malandro está associada à esperteza, como se houvesse algo de esperto em dizer “odeio político ladrão, mas se estivesse no poder, também roubaria”. O cidadão heroicamente afirma que tem orgulho de ser brasileiro e por isso naturalmente faz uso do jeitinho, mas não percebe que esta “marca nacional” é uma das impulsoras do nosso regresso.

Por falar em malandragem, não podemos deixar de lembrar do nosso Zé Carioca, papagaio José Carioca, criado no começo da década de 40 pelos estúdios Walt Disney em uma turnê pela América Latina, que fazia parte dos esforços dos Estados Unidos para reunir aliados durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). (Mais informações no Wikipedia)

Que saudade do zé… lia muitos gibis com suas histórias…

Roberto Damatta, no artigo da Revista de História da Biblioteca Nacional, escreve que o jeitinho se confunde com corrupção porque desiguala o que deveria ser tratado com igualdade.

Já Leonardo Avritzer, também na mesma revista, destaca, além da posição de Roberto Damatta, o lado positivo da capacidade de adaptação em diferentes situações. Isso dá ao país uma flexibilidade política e uma capacidade de inovação desejáveis. Aliás essa é uma das características (a do jeitinho) mais reconhecidas nos CEOs brasileiros em todo mundo. Ainda não sei o motivo de estarmos tão atrás no ranking de inovação no mundo. Segundo a revista The Economist, o Brasil fica em 49ª posição. Com a 6ª maior economia mundial, acho que poderíamos estar melhores classificados.

No Blog “Mula sem Cabeça: (Des)construindo o existir” escreve um texto interessantíssimo que menciona a posição de Alberto Guerreiro Ramos, que o jeitinho é uma categoria central da sociedade brasileira. Não que ele atribua a um caráter exclusivamente do Brasil. Ele define o jeitinho, e outros mecanismos, como “processos crioulos” característicos de povos latino-americanos.

Essa característica, o jeitinho, segundo Guerreiro, é resultado de uma discrepância existente entre nossas instituições sociais, políticas e jurídicas e as práticas sociais, isto é, entre o que está prescrito, regulamentado, e as práticas reais tanto do Governo como da sociedade.

Quanto ao aspecto histórico do jeitinho, estaria ligado ao que alguns historiadores chamam de “feudalismo tardio”, característica comum em vários países da América Latina.

Nas relações feudais, havia uma profunda desigualdade jurídica, sendo que as leis só eram aplicadas com rigores aos servos e vassalos, enquanto que havia uma flexibilidade para a elite da época. Nenhuma novidade, né?! Porém, alguns autores defendem que a questão da desigualdade no sistema jurídico não está obrigatoriamente numa estrutura feudal mas sim numa visão hierárquica do mundo.

E o blog da Mula continua: “Existem variados fatores que explicam o fato do jeitinho brasileiro ser tal como é, mas nenhum deles justifica…Já se perguntaram por que existem tantos corruptos no poder?

Já se perguntaram por que quem não está no poder gostaria de estar para fazer seu pé-de- meia?

Porque somos um povo corrupto, que formou um Estado corrupto e que hoje ainda acredita que a corrupção faz parte do processo de progredir, aceitando como verdade absurdos do estilo “Rouba mas faz alguma coisa…”. A função do cidadão é fazer isso, “alguma coisa”, ele é pago para isso e não para enriquecer às custas do trabalho árduo de um povo inteiro.

Pera aí, se um cidadão em uma empresa rouba, o cara ta ferrado. Já era! Se um cara faz alguma trangressão no Japão, tempos depois o cidadão se mata. Se um cara no Brasil rouba uma nação inteira, é afastado, anos depois ele vira senador e tem grande influência nos círculos do poder.

Somos corruptos, volto a frisar isso novamente, principalmente nós cidadãos justos e honestos por vermos essa palhaçada no país inteiro e nada fazermos além de dizer que é muito maior que nós…”

Lembro mais uma vez a frase de Gandhi que diz que devemos ser a mudança que queremos ver no mundo. Se continuarmos com o jeitinho, os políticos irão continuar com o jeitinho deles.

Não posso deixar de terminar o post com o texto que se segue, retirado também do Blog acima citado:

Não estará na hora de transformar o jeitinho brasileiro em o “jeito do Brasil”?

Um jeito que representa um povo sofrido, esmagado por uma elite local e estrangeira corrupta, mas que, acima de tudo, é um povo cordial, alegre, que ri das próprias desgraças e nunca perde a fé que as coisas vão melhorar, mesmo quando não existe nem ao menos um lampejo de luz no final do túnel. Um povo guerreiro que nunca abandona a peleja levando consigo, somente, a esperança – aquela que nunca morre…

Não preciso dizer mais nada né.

Boas Reflexões.

Faça algo pelo mundo hoje: não dê jeitinho.

Abraços,

DC.