Posts Tagged ‘idéias’

Aspen Ideas Festival

julho 1, 2011

Aconteceu essa semana o Aspen Ideas Festival, evento análogo ao TED, que tem por objetivo discutir idéias. E vocês sabem o quanto este blog é adepto
às novas idéias. Portanto, deixo o site para vocês navegarem e ouvirem as palestras e áudios.

http://www.aifestival.org/

Sds,

DC

Idéias para erradicar a miséria – sistema único de assistência social

maio 25, 2011

Seguindo com a divulgação das idéias para erradicar a miséria, conteúdo produzido pelo IPC-IG da ONU, a temática dessa semana é sobre um sistema único de assistência social. Ao meu ver, é importantísso ter consolidado todas as informações sobre as ações de assitência social em um único sistema, possibilitando uma visão integrada e a identificação de gaps.

CAPÍTULO 4: Sistema Único de Assistência Social

Coordenar programas de proteção social em diferentes ministérios e unidades do governo é um desafio em qualquer país. No Brasil, o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) é responsável pela coordenação da política social em todo o país. O SUAS é um sistema público que organiza, de forma descentralizada, a gestão dos programas socias, sendo coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). O Brasil também possui câmaras interministeriais e mecanismos formais de coordenação, como o CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional), o Conselho Nacional da Assistência Social, e os Conselhos Estaduais. Esses conselhos, muito mobilizados no Brasil, são complementados por uma coordenação local onde a Proteção Social Básica é administrada pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), que trabalham como pontos focais de uma rede local de serviços de assistência social, dando orientação para as famílias sobre como acessar os serviços. As unidades do CRAS atuam em paralelo com os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) em casos mais graves envolvendo abuso sexual, trabalho infantil e pessoas desabrigadas. Esses mecanismos de coordenação são complementados pelo trabalho feito pelo Programa Bolsa Familia, que articula vários programas e, desse modo, aumenta a integração da transferência de renda com outras iniciativas.

Além do Brasil, o Chile e a Colômbia também são casos relevantes na integração de programas de proteção social. Ambos têm dado a seus respectivos Ministérios do Planejamento um forte papel na coordenação dos programas, apresentando também uma base de dados de beneficiários que permite mapear a vulnerabilidade e garantir que os esforços converjam para as pessoas que mais precisam das políticas. As várias experiências na América Latina apresentam algumas características em comum: a importância de um forte ministério no comando da proteção social e responsável pela gestão de um órgão interministerial para a coordenação dos programas; a colaboração dos governos locais para garantir a integração das iniciativas (famílias são direcionadas aos pontos focais e assistentes sociais têm acesso a informações de vários programas); e uma base de dados compartilhada sobre vulnerabilidade, em que diferentes ministérios usam a mesma fonte de informações para selecionar os beneficiários.

Segue link para o vídeo:

Capítulo 4: Sistema Único de Assistência Social

Bom dia!

DC

Ideías para erradicar a miséria – o cadastro único

maio 11, 2011

Seguindo a série do IPC-IG sobre idéias para erradicar a miséria. O assunto de hoje é sobre o cadastro único, ferramenta de caracterização da população assistida, de forma a não sobrepor instrumentos. Segue o texto sobre o cadastro único extraído so site.

CAPÍTULO 3: O CADASTRO ÚNICO

O Cadastro Único é o instrumento de caracterização socioeconômica da população potencialmente elegível para os programas sociais focalizados. Ele foi instituído em 2001 como forma de evitar sobreposição entre os diversos programas de transferência de renda que antecederam ao Programa Bolsa Família. Mas, de fato, foi apenas com a unificação destes programas sobre a égide do Bolsa Familia e a partir da expansão e consolidadação do programa, que houve uma melhora substantiva na qualidade da informação disponível no cadasstro. Famílias com renda de até meio sálario mínimo per capita ou renda familiar total de três salários mínimos poder ser registradas no Cadastro Único. Atualmente o Cadastro Único conta com mais de 19 milhões de famílias inscritas. O cadastramento das famílias é realizado pelos municípios, que seguem as normativas estabelecidas pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

O Cadastro é um podereso instrumento para melhor informar os governos federal, estadual e municipal sobre as características da população e de seu ambiente, de modo a fornecer subsídios para o aperfeiçoamento das políticas públicas. Particularmente, no que se refere ao diagnóstico das necessidades e ao monitoramento da população potencialmente beneficiária de programas sociais focalizados.

O MDS incentiva o aprimoramento do Cadastro através de recursos repassados aos muncícipios e também aos estados com base no Indice de Gestão Descentralizada. Um indicador sensível à qualidade dos registros do cadastro bem como ao nível de atualização da informação ali contida. De acordo com o pesquisador Ricardo Paes de Barros (SAE/PR), em estudo realizado em 2008, boa parte da boa focalização do Bolsa Família se devia à habilidade dos gestores municipais e assistentes sociais em identificar os pobres nos municípios. Ele constatou em seu estudo que eficiência do processo de inscrição no Cadastro Único a nível local explicava em 62% a boa focalização do Programa, enquanto a existência de quotas municipais explicava 32%; os restantes 6% se deviam à informação da renda disponível no cadastro.

Link para a página e para o vídeo

Sds,

DC

O Programa Bolsa Família

maio 4, 2011

Seguindo a série “Idéias para erradicar a miséria”, iniciativa do IPC-IG (Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo), temos como tema de hoje o programa do governo o Bolsa Família. Os textos abaixo foram extraídos do próprio site.

O Programa Bolsa Família

O desafio da erradicação da miséria entrou de vez para a agenda política dos líderes mundiais. O Brasil, expoente entre as economias emergentes, figura entre os principais representantes dessa luta, que busca aliar o desenvolvimento econômico à integração social daqueles que ficaram de fora da distribuição dos frutos desse crescimento. A série “Ideias para Erradicar a Miséria” busca promover o debate sobre estratégias de proteção social a partir das experiências dos países em desenvolvimento.

A série consistirá em sete capítulos semanais, que abordarão diversas questões e enfoques sobre a temática da erradicação da pobreza extrema, tais como conceitos de proteção social, diferentes abordagens sobre a gestão de programas de transferência de renda, inovações na geração de empregos e agricultura familiar. Cada capítulo trará um episódio do documentário “Uma Jornada pela Proteção Social no Brasil”, produzido em dezembro de 2010 no âmbito do Programa África-Brasil de Cooperação em Desenvolvimento Social, bem como publicações e materiais de referências do IPC-IG e de sua rede de parceiros.

Capítulo 2: O Programa do Bolsa FamíliaO Programa Bolsa Família é o maior programa de transferência condicionada de renda do mundo, atendendo a mais de 12 milhões de famílias em todo território nacional. As transferências monetárias do programa são recebidas mensalmente por famílias extremamente pobres, e por famílias pobres nas quais existam crianças de até 15 anos de idade e/ou mulheres grávidas. A depender da renda familiar por pessoa, do número e da idade dos filhos, o valor do benefício recebido pela família pode variar entre R$ 32 a R$ 242.

O programa foi instituído em 2004 a partir da unificação de alguns programas sociais de transferência de renda – condicionada e não-condicionada – do Governo Federal. Os principais programas unificados foram: o BOLSA ESCOLA, um subsídio voltado à educação primária; o FOME ZERO e o BOLSA ALIMENTAÇÃO cujas transferências visavam à garantir segurança alimentar; e o VALE GÁS, um subsídio para ajudar famílias pobres a comprar gás de cozinha. Criado, o BOLSA FAMÍLIA passou por uma rápida expansão, incluindo um número cada vez maior de famílias pobres e extremamente pobres entre seus beneficiários.

De acordo com um estudo* do IPC-IG, os programas de transferências de renda foram responsáveis, sozinhos, por mais de 30 por cento da redução recente da desigualdade de renda no país. A desigualdade no Brasil, conforme medida pelo coeficiente de Gini, caiu de 0,59 em 2001 para 0,53 em 2007. A significativa redução da pobreza experimentada pelo Brasil na última década vem sendo também atribuída, em parte, aos resultados positivos acreditados ao Programa Bolsa Família. Dados recentes** indicam que, entre 2003 e 2008, houve uma redução de 43,03% da pobreza no país, o que corresponde à saída de 19,3 milhões de pessoas da miséria ou pobreza extrema (renda per capita abaixo de R$ 137,00 a nível domiciliar).

*IPC-IG One Pager No. 89, Julho de 2009
** Dados do CPS/FGV e da PNAD

Vídeo Bolsa Família

Idéias

abril 18, 2011

 O homem é mais propenso a contentar-se com as ideias dos outros, do que a reflectir e a raciocinar.

Alexandre Herculano

As idéias governam o mundo

novembro 8, 2010

Nesta segunda feira, ficamos com uma citação de R.W. Livingstone (1916). Fonte: O livro das citações.

Um grande perigo do mundo moderno é nossa suscetibilidade às idéias gerais que pairam à nossa volta, densas como bacilos, no ar, as quais passam tantas vezes por nossos lábios e são tão influentes em nossas vidas que nós as usamos irrefletidamente, sem ter analisado o que realmente queremos dizer com elas.

Essa é uma das citações que resume o intuito desse Blog. Quantas idéias nós repetimos sem questionar?

Pense nas verdades e idéias que você transmite. Idéias equivocadas só sobrevivem porque há alguém que as transmite.

Um grande abraço,

DC

De onde vem as idéias

outubro 26, 2010

Em mais uma coluna com um grande vídeo do TED, desta vez trago uma palestra de Steven Johnson, um dos principais pensadores da cultura digital.

Todos sabem que o mundo das idéias, especialmente as boas e transformadoras, está sempre presente por aqui. Por isso, deixo o link do vídeo no site do TED onde o autor expões sua idéia sobre o lugar das idéias. Vale a pena conferir.

De onde vêm as boas idéias

Encontrei outro vídeo, do mesmo autor, sobre o tema.

Um grande abraço,

DC

Idéias que merecem ser espalhadas

agosto 19, 2010


Em um dos posts inciais deste blog, mencionei sobre uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo disseminar e provocar a discussão de idéias boas. Essa insituição chama-se TED (Tecnologia, Entretenimento e Design – em inglês). Leia o sucinto profile da organização:

O TED surgiu em 1984 como uma conferência anual na Califórnia e já teve entre seus palestrantes Bill Clinton, Paul Simon, Bill Gates, Bono Vox, Al Gore, Michelle Obama e Philippe Starck. Apesar dos mil lugares na platéia, as inscrições esgotam-se um ano antes. Cerca de 500 das palestras estão disponíveis no site do evento e já foram acessadas por mais de 50 milhões de pessoas de 150 países. A cada ano a organização elege um pensador de destaque e repassa a ele 100 mil dólares para ele que possa realizar “Um Desejo que Vai Mudar o Mundo”. Com essas 4 ações, TED Conference, TED Talks, TED Prize e TEDx a organização pretende transformar seu mote “ideias que merecem ser espalhadas” cada vez mais em realidade. “Acreditamos apaixonadamente no poder das ideias para mudar atitudes, vidas e, em última instância, o mundo”, dizem os organizadores do TED. Nós também. E você?

Achei interessante criar uma coluna aqui sobre as idéias apresentadas no TED, de forma a potencializar o trabalho da instituição e provocar mais e mais os leitores a pensar em possíveis soluções para o mundo.

Ainda não temos recursos de vídeo nesse Blog. Por enquanto colocaremos o link para o site do TED com o vídeo.

Inauguraremos essa coluna com o vídeo de Shaffi Mather. Em sua apresentação, ele explica por que ele deixou a sua primeira carreira para se tornar um empreendedor social, oferecendo transporte para salvar vidas com a sua empresa ” 1298 for Ambulance”. Agora, ele tem uma idéia nova e os planos para começar uma empresa para combater a corrupção no serviço público, eliminando-se a um suborno de uma vez.

Shaffi Mather: Uma nova maneira de combater a corrupção (video)

Uma empresa para eliminar o suborno no setor público. Boa idéia não é? Ainda mais em tempos de eleição. Vai ter um mercado e tanto no Brasil.

Gostou da idéia? Tem outras? Pense!

Abraços,

DC

Idéias de Saramago

julho 22, 2010

Encontrei no Blog “A literatura na Poltrona” um post que cita algumas idéias do já saudoso Saramago. Senti-me provocado a pensar por suas idéias e posições relacionadas aos mais diversos assuntos. Transcreverei aqui para provocar os leitores também.

Imaginação:

“Não creio que a imaginação seja perigosa. Não creio nisso. Mas é certo que, em meus romances, prevalesce a razão. Para mim, a imaginação deve estar a serviço da razão. O que não me impede de ter uma imaginação forte, e de trabalhá-la intensamente em meus livros. A imaginação, para mim, é sempre o ponto de partida. Mas o caminho que tomo a partir dela pertence, sempre, à razão”.

Sensibilidade:

“Pode não parecer, mas sou um homem muito sensível aos sentimentos e às emoções. Quem me olha, vê um sujeito de aparência fechada e severa. Alguns a confundem com indiferença, ou talvez com arrogância. Mas a verdade é que sou um homem muito sensível. Talvez sensível demais”.

Tristeza:

“A tristeza no mundo de hoje é causada pelo irracionalismo e pelos fanatismos. Mas a tristeza é, também, compaixão. No fundo, somos uns pobres diabos. É a compaixão que nos leva a interrogar: _ Por que não podemos ser de outra maneira? Por que não conseguimos ser melhor do que somos? Por que não conseguimos ser bons?”

Religião:

“O fenômeno religioso sempre me interessou muito, o que pode parecer estranho, porque sou um homem totalmente indiferente à inquietação religiosa. Mas, como a religião é um fenômeno histórico, ela nunca deixou de me interessar. Por isso me interesso pelo cristianismo. Não sou um crente, mas é verdade que tenho _ todos temos _ uma mentalidade cristã, e não islâmica, ou budista. Às vezes me contestam: “Se você não é crente, não tem o direito de falar sobre a religião”. Tenho sim, e por dois motivos. Primeiro, porque tenho o direito de falar sobre o que não quero, o que não aceito. Segundo: porque tenho o direito de falar sobre algo que, ainda assim, faz de mim, um pouco, o homem que sou”.

Repugnâncias:

“Creio que não tenho medos, apenas repugnâncias. A aranhas, por exemplo _ e, felizmente, quase não temos aranhas em Lanzarote. Lembro-me que, quando menino, apreciava andar com lagartixas nas mãos, e elas não me davam repugnância. Mas as aranhas, sim. E os ratos, também. As baratas, então, são nojentas”.

Discrição:

“O que acontece é que nunca dramatizei minha vida, nunca fiz dela algo de existencialmente interessante, ou dramático. Vivi, sempre, discretamente, e com toda a naturalidade. A partir dos cinquenta anos, comecei a escrever alguns livros. Foi só isso. A vida é o que é, tem coisas boas e tem coisas más, e devemos aceitar isso, e viver com isso. Só escolhemos 5% do que nos acontece na vida. Os outros 95% são decididos por outras pessoas, ou pelo acaso. De nada serve dramatizar”.

Afinidades:

“Sempre se diz que, a partir de certa idade, a gente relê mais do que lê, e é verdade. Ultimamente, me interesso mais em reler _ o Padre Vieira, Fernão Lopes, Almeida Garret. E, é evidente, o Eça. Releio, também, o Oliveira Martins e o Camilo. Afinidades, porém, é difícil. Não creio que existam afinidades bilaterais, mas sim afinidades múltiplas, fragmentadas. Se busco minha ascendência literária, sou franco: não a encontro. Não encontro relação direta entre o que eu faço e o que os outros fizeram. Existem ecos, só isso. Veja o caso do Vieira: ele viveu no século 17, e não no século 20. Escreveu sermões, e não romances. Mas tenho uma imensa admiração por ele e sempre que o leio percebo alguns ecos em mim”.

Barroco:

“Dizem que sou um escritor barroco. Posso reconhecer que sim. Esse tipo de frase envolvente, quase interminável, que faz rodeios, volta atrás, se isso tem algo a ver com o barroco, aceito, então, que sou barroco. Mas é, também, muito perigoso reduzir um estilo, uma forma de escrever a uma etiqueta. Isso não é nada bom. Quando usamos etiquetas para falar das coisas, parece que fica tudo dito, mas o principal está sempre de fora”.

Comunismo:

“Continuo a ser comunista e não vejo nenhum motivo para deixar de ser. Fala-se, muito, dos grandes erros do passado e também do presente. Ser comunista não me impede de observar os erros do passado, do presente, e mesmo do futuro com um olhar crítico. Esquece-se que o olhar crítico está na base do marxismo. A URSS desmoronou, provavelmente, por falta deste olhar crítico. E também por falta da participação dos cidadãos”.

Alvaro Cunhal:

“Alvaro Cunhal está vivo (presidente do Portido Comunista Português, viria a falecer em 2005). Tenho uma relação de imenso respeito com ele, tanto como pessoa, quanto como dirigente comunista. Nos últimos anos, a adaptação do partido aos novos tempos foi conduzida, basicamente, por Cunhal. É um homem, porém, que veio da clandestinidade, de lutas muito dolorosas, e isso deixa marcas profundas nas pessoas. Daí a vê-lo como um homem petrificado vai muito longe. É, além disso, um bom escritor, autor de três romances, que publicou sob o pseudônimo de Manuel Trigo. Como escritor, está marcado pelo realismo clássico, de cunho socialista. Dentro de seu estilo, é um escritor que leio com satisfação”.

Romance histórico:

“A história que nós aprendemos na escola é, até certo modo, a visão oficial da história. O mal é quando essa versão se institui como versão única. Daí que, quase sempre, temos uma visão incompleta e deformada da história de nosso país. O historiador que não quiser se contentar em repetir o que já foi dito terá que investigar o não-dito e, sobretudo, o oculto. O ficcionista que se interessa por temas históricos tem, então, um papel muito importante nessa busca do não-dito e do oculto. Claro que não devemos alimentar ilusões, a verdade histórica, completa, não se saberá nunca”.

Literatura:

“A literatura tanto pode ordenar o mundo, como desordená-lo. Há momentos em que sua função é desordenar _ em nome de uma causa, para questionar uma norma social, ou falsamente moral, sobre a qual a sociedade se instala. Mas é função da literatura, também, ordenar o mundo, procurar um sentido para a existência. Sentido que não pode ser único, estável, mas deve ser, ao contrário, constantemente posto em causa e questionado. Procuramos sempre um sentido que acolha o caos aparente que é a vida. Procuramos uma certa ordem em relação à qual possamos nos situar. Eu creio que o escritor, com a sua obra, participa dessa busca de sentido”.

Limites:

“Não quero dar lições ao mundo. Todas as reflexões que faço são sobre mim mesmo. Há que ter consciência de nossos limites. Nossos limites nos definem. Somos nossos limites. É importante evitar tentações que estão fora de nosso alcance. Eu sei que, em literatura, há coisas que não devo fazer, porque estão além de meus limites. Conhecendo meus limites, o que tento fazer é aprofundar meu trabalho dentro deles. Eu não posso aspirar a um trabalho que se aproxime do ensaísmo, não posso porque não tenho condições. Escrevi alguns poemas, que valem o que valem, mas sei que não posso ir além deles, e por isso renunciei à poesia. O importante é a gente se acostumar a ser o que é. E não mais que isso”.

Mal:

“Não creio que tenha uma obsessão pelo Mal. Francamente, não sei se devo falar em obsessão. Mas, se há algo que não compreendo e que me ultrapassa, é a existência do Mal. Não falo do Mal do ponto de vista religioso, mas como uma espécie de fatalidade que encontramos em nossa espécie. A pergunta que mais me persegue é: por que sendo nós, seres de razão, nos comportamos irracionalmente? E, para essa pergunta, não vejo resposta. É uma coisa realmente impressionante chegar à conclusão de que o único ser verdadeiramente cruel é o ser humano. Nenhum animal, mesmo entre os mais ferozes, se comporta com tanta crueldade. O animal não é cruel, pois a crueldade é uma categoria mental. Mas o ser humano é cruel”.

Portugal:

“A sensibilidade portuguesa é um pouco apática. Somos facilmente sentimentais, o que não significa que sejamos capazes de grandes sentimentos. Caimos mais no sentimentalismo, que é o contrário do grande sentimento _ que não exalta, mas faz acteditar e nos leva a realizar. A principal característica portuguesa é o sentimentalismo, como se tivéssemos a lágrima fácil”.