Posts Tagged ‘futuro’

O próximo governo

setembro 7, 2010

DEVEMOS pensar diferente em todas as esferas (políticas, privadas, sociais). Sempre reclamamos do governo. Ele seria capaz de se reinventar e se tornar mais eficiente e eficaz?

David Cameron,  primeiro-ministro inglês, fala sobre os governos no futuro. Em tempos de eleição, vale a pena olhar.

David Cameron: A próxima era de governo

O líder do Partido Conservador Britânico diz que estamos entrando em uma nova era, onde os governos terão menos poder (e menos dinheiro) e as pessoas, com a ajuda da tecnologia, terão mais. Abordando novas ideias de comportamento econômico, ele explora como essas tendências podem se tornar políticas mais inteligentes.

Fica uma idéia de novo governo.

Abraços,

DC

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O futuro dos livros

maio 17, 2010

Olá!

Sejam bem vindos a mais um post de domingo. O que torna ele mais interessante? Ele aborda aqui várias visões de sobre um assunto específico e possui uma estrutura mais definida. Acredito que vocês irão gostar do resultado.

Infelizmente só consegui inserir o post no final de domingo, mas minha disciplina e perseverança não me deixaram não postar.

O tema que irá inaugurar o post de domingo é sobre o lançamento dos leitores digitais de livros. A pergunta que se faz hoje é: “Os livros, como conhecemos hoje, vão terminar?”

Para começar, uma frase de Henry Thoreau, escritor estadunidense, poeta e naturalista:

Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro.

Iniciando com uma definição do Wikipedia, o livro é um volume transportável, composto por páginas encadernadas, contendo texto manuscrito ou impresso e/ou imagens e que forma uma publicação unitária (ou foi concebido como tal) ou a parte principal de um trabalho literário, científico ou outro. É um produto intelectual e, como tal, encerra conhecimento e expressões individuais ou coletivas. Mas também é nos dias de hoje um produto de consumo, um bem e sendo assim a parte final de sua produção é realizada por meios industriais (impressão e distribuição). A tarefa de criar um conteúdo passível de ser transformado em livro é tarefa do autor. Já a produção dos livros, no que concerne a transformar os originais em um produto comercializável, é tarefa do editor, em geral contratado por uma editora. Outra função associada ao livro é a coleta e organização e indexação de coleções de livros, típica do bibliotecário. Finalmente, destaca-se também o livreiro cuja função principal é de disponibilizar os livros editados ao público em geral, vendendo-os nas livrarias generalistas ou de especialidade. Compete também ao livreiro todo o trabalho de pesquisa que vá ao encontro da vontade dos leitores.

Quando falamos no fim do livro, deveríamos falar, ao certo, sobre a maior mudança na indústria editorial, desde a criação da imprensa por Gutemberg. Se olharmos a definição exposta acima, mesmo na era digital, o livro é um volume transportável (só que agora ele é enviado por fibra ótica), composto por páginas, contendo um texto (conteúdo) e forma uma publicação unitária.

Umberto Eco, semiólogo, ensaísta e escritor italiano foi entrevistado pelo jornal O Estado de São Paulo sobre a questão do livro. Transcrevo aqui algumas frases para resumir a opinião do autor.

“ Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos”

“A diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar – muito embora Jorge Luis Borges, em seu livro Ficções, tenha criado um personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de selecionar o que interessa – é possível encontrar lá tanto a Bíblia como Mein Kampf, de Hitler. Esse é o problema básico da internet: depende da capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites confiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele capaz de escolher o site correto? É trágico, um problema para o futuro, pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos.”

Está vendo? Há outros assuntos que devemos analisar antes de decretarmos o fim do livro:

1. As pessoas estão preparadas para lidar com essa avalanche de informação, como afirma Umberto?

2. Os maiores players do mercado editorial estão preparados para a mudança mais radical na indústria?

3. Monopólio da informação? Vejam onde o Google quer chegar. Ele já digitalizou milhões de livros e agora vai começar a cobrar por eles. Já possui as ruas mapeadas, o céu,o universo, o fundo do mar…

4. Qual é o mercado desse produto?

O fato é que a experiência de ler mudou. Milhares de livros hoje pesam os 2 kg (ou menos) do seu notebook. Conseguimos ler diversos jornais na tela do nosso computador ou smartfone. Porém vamos perder aos poucos o cheiro do livro, o prazer de passar para a próxima página…

Em debate promovido pelo Estadão, Flávio Moura, diretor de programação da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), e Samuel Titan, coordenador executivo cultural do Instituto Moreira Salles concordam que a literatura não vai mudar junto com o suporte da informação (o livro). Para eles, a digitalização da leitura ainda não causou as mudanças que promete – nem no mercado, muito menos na linguagem.

Para o primeiro, a “a internet é mais plataforma para lançamento de autores do que de experimentação de linguagens novas”, enquanto para o segundo “o digital manteve a literatura intacta, sendo mais importante para as artes plásticas ou para o cinema”. Será mesmo que a tecnologia que virou a indústria musical de cabeça para baixo terá um impacto tão pequeno no mercado editorial?

Nem tanto. Ambos concordam também que aparelhos como o Kindle e o iPad, que libertaram os ebooks das desconfortáveis e luminosas telas dos computadores, devem renovar a publicação e a distribuição de obras. No entanto, essa seria uma questão de modelo de negócios, longe de mexer com uma longa tradição literária.

Antes, a cadeia de valor do livro era simples: Autor > Editora > Livraria > Leitor. Hoje temos algo parecido como isso:

Autor > Editora > Self-publishing (publicação faça você mesmo) > Plataforma digital (Amazon p.e.) > Diversas formas de se levar a informação (audio books, aplicativos, impressão sob demanda) > Interfaces (Itunes, p.e.) > Redes 3G e Wi-fi > Celulares, tablets, notebooks > leitor

Isso muda drasticamente os custos e criação de valor na indústria. Uma nova indústria surge.

O Kindle, primeiro leitor de livros digitais, foi uma aposta ousada da Amazon a uns anos atrás. Não decolou como um iphone. Acredito que a criação do mercado demorou mais do que os marqueteiros imaginavam. A principal inovação do kindle, ao meu ver, é de utilizar uma tecnologia de projeção na tela do texto sem a necessidade de emitir luz no fundo da tela. A sensação de ler um livro tradicional e um livro em pdf em seu notebook é completamente diferente. Leio páginas e mais páginas de um livro, mas não consigo ler duas em meu computador.

Apesar da abrangência do computador e o crescimento do acesso a internet no país, ainda temos um abismo social que precisamos superar. Um contingente de analfabetos e várias gerações que amam os livros, que gostam do cheiro dos sebos, do peso dos livros, a textura das páginas…

Enfim, o livro será, por muito tempo, o senhor da sabedoria.

Para terminar, uma frase de Hermann Hesse:

Ler um livro é para o bom leitor conhecer a pessoa e o modo de pensar de alguém que lhe é estranho. É procurar compreendê-lo e, sempre que possível, fazer dele um amigo.

Um grande abraço. Até domingo que vem.

DC

Ainda falando de futuro

maio 15, 2010

Onde você pretende estar daqui a 10 anos? 12 anos? Alguns possuem essa resposta, outros estão pensando e muitos não sabem a programação para o fim de semana. Quando falamos de pessoas, essa pergunta de futuro às vezes não soa bem. Mas para governos é fundamental.

A Secretaria de Assuntos Estratégicos possui o programa Brasil 2022, onde ele define metas para serem alcançadas nos próximos 12 anos. Segue o site.

O interessante é que podemos comentar as metas!

Para você que sempre reclama que não pode fazer nada, essa é uma oportunidade!

Fica a sugestão. Quem sabe pensando no Brasil no futur, você não é estimulado a pensar em você também?

Uma dica: Pense Grande!

Abraços,

DC

Futurismo X Futuro

maio 13, 2010

Matéria publicada na revista Página 22, por Eduardo Shor, discute a questão do consumo, tecnologia de ponta e sustentabilidade. Muito interessante.

Futurismo X Futuro
Na estética dominante do high-tech, estaria a ética da sustentabilidade ficando para trás?

Quem se lembra do videocassete? Saiu de moda. Como assim, saiu de moda? Quem se lembra do Chevette bege-claro? Saiu de moda. Também? Também saiu. Pegou carona com o pretérito perfeito, nos rumos da estrada do tempo. Não era a de Santos? Essa já era. Qual foi o destino do carro? Deixou a linha de montagem. E o bege-claro? Bom, o bege-claro parece cor de quem passou as férias sem tomar sol. É um tom démodé, mas démodé ninguém fala mais. Então, fala o quê? Out, a moda é falar inglês, brother. Não era chinês? Ainda será. Chinês, por enquanto, é pastel com caldo de cana. E inglês? Hamburguer do McDonald’s, hot dog na padaria da esquina, Coca-Cola para matar a sede e um ótimo filme hollywoodiano.

Afinal, qual é a moda? Vê se understand. A moda hoje é você compra ou você vende. A empresa faz pequenos ajustes nos componentes eletrônicos de um produto, desenvolve a tecnologia em certa medida, transforma o design e, em três meses, o que era lançamento na prateleira das lojas se torna coleção na estante do museu. O ciclo de vida de determinados bens, principalmente os que envolvem avanços tecnológicos, reduz-se cada vez mais. Um fabricante de telefone celular que há uma década estreava dois modelos por ano, agora é capaz de levar ao mercado mais de 40, nos 12 meses. Haja recursos naturais para suportar.

Na análise de Lenivaldo Gomes, professor do Departamento de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a sociedade, em geral, sustenta-se no eixo produção, acúmulo e consumo. Um dos principais discursos que reforçam essa lógica e movem o desejo das pessoas, nesse caminho, é o high-tech – ou, tecnologia de ponta.

Estar conectado por um tempo longo, com aumento da diversidade de recursos disponíveis e velocidade mais alta, é sinônimo de sucesso. Quem estabelece maior quantidade de conexões está à frente do restante da humanidade. Mais amigos ou seguidores no Twitter, Facebook, Orkut. Há o telefone celular, e-mail 24 horas no BlackBerry, acesso à internet sem fio. As opções são muitas, e não bastam.

É preciso ir além. Ter em mãos as tecnologias de última geração, aparelhos avançados ou os equipamentos mais ágeis. Quanto mais desenvolvido o produto, mais valorizado (e, geralmente, caro) ele é. Desse modo, a tecnologia de ponta tornou-se um meio de distinção social. E o design busca reforçar o caráter high-tech do que chega às lojas, seja por cor, formato, seja por outros recursos.

Nesse contexto, itens como Tvs, rádios, telefones celulares, veículos e até mesmo calçados ganham uma imagem futurista, adquirindo semelhanças entre si. Em 2008, a Motorola lançou, no Brasil, um telefone celular inspirado nas linhas aerodinâmicas do Maserati Birdcage 75th, luxuoso modelo de automóvel de uma empresa italiana. Na divulgação para a imprensa, a fabricante ressaltou que o aparelho “combina estilo com funcionalidade”. E que a novidade serviu para “agradar aos amantes da velocidade”.

Ainda será preciso tomar cuidado para não estacionar o celular no shopping, ou botar o carro no ouvido e sair falando por aí.

Preto ou prata

O indivíduo que aumenta sua capacidade de consumo e passa a ter condições de adquirir o primeiro computador, por exemplo, pode se contentar com o modelo básico. Conforme seus ganhos aumentam, é comum começar a avaliar novos quesitos, além da utilidade da máquina. Ele olha atributos que incrementam o preço e transmitem valores que não têm a ver, necessariamente, com o desempenho técnico. Liquidificadores constituem-se em exemplo. Entre um protótipo e outro, nada muito diferente de ser útil para cortar alimentos e transformá-los, em conjunto com água ou leite, em sucos, vitaminas e sopas.

Assim, o trabalho de desenhar uma novidade é diferencial. Aí entram em jogo cor, elegância, formas, material. A produção de eletrônicos da Apple é um dos maiores destaques nessa linha, prezando por formas delicadas, suaves e cores claras. Transmitem ao consumidor muito mais do que uma ideia de boa utilidade. “A função primária de um produto é a utilidade. Substituir a força humana, os braços, os olhos, a memória. À medida que uma pessoa ascende socialmente, é grande a possibilidade de ela mudar também alguns conceitos, fazendo da estética (no sentido estrito de beleza) a função primária. A utilidade, embora ainda levada em consideração, cai para segundo plano”, diz o professor da PUC.

Sob essa ótica, o automóvel nada mais seria do que uma ferramenta que permite a seu condutor ou condutora chegar mais rápido ao destino desejado, em comparação aos métodos de percorrer o trajeto andando, de simples bicicleta ou de carroça. Mas entre um modelo 1.0 e uma BMW lá se vão quilômetros de distância, confirmando a cultura da ostentação na sociedade moderna.

O BMW é mais veloz, dotado de recursos tecnológicos complexos. As próprias características físicas do produto contribuem para reforçar esses valores. “Consumir é comunicar, ainda que essa comunicação seja inconsciente ou não. E quem tem maior poder aquisitivo pode mais”, acrescenta Gomes.

Não é coincidência que, em uma capital como São Paulo, o predomínio das cores dos carros nas ruas seja dividido por preto, cinza, chumbo ou prata. Elas são escolhidas pelas montadoras com base na preferência do consumidor, indicada por meio de estatísticas. De acordo com André Marcolino, sócio da agência M2L e coordenador do curso de Design Transportation, do Instituto Europeu de Design de São Paulo (IED), a cor prata remete à ideia de tecnologia e inovação. O preto está relacionado a poder.

Na Europa, é mais comum encontrar veículos de outras cores, já que as cidades apresentam tons mais escuros do que os observados no Brasil. O próprio clima frio e o céu, nublado com maior frequência, influenciam as escolhas dos compradores. Isso significa que o discurso high-tech não é o único fator a contribuir para a evolução do desenho e das demais características dos produtos.

Se a indústria de telefones celulares recorreu ao design de automóveis para elaborar modelos lançados no mercado, a de veículos também procura interagir de maneira multidisciplinar. Estilistas famosos prestam consultoria às marcas. Além do desenvolvimento de tecidos para os assentos, há um uso cada vez mais popular do couro ecológico, que ajuda a diminuir o aquecimento dentro do carro.

Ainda segundo o coordenador do curso do IED, a preocupação do setor de automóveis e peças, na questão relacionada à redução de impactos ambientais, é forte. Uma delas é a substituição do plástico tradicional por fibras de bananeira no material que constitui apoiadores de braço das portas, botões e compartimentos, além de iniciativas mais impactantes na direção do uso de fontes de energia renováveis.

Quem tem mais pode mais

No discurso da sustentabilidade, o coletivo torna-se protagonista da história. O indivíduo escolhe os objetos de consumo tendo em mente que suas decisões alteram a ordem do que pode acontecer com o planeta e seus habitantes, e aí estamos falando de ética. A conscientização entra na agenda, mas o discurso não foge à lógica da distinção social. Há uma parcela da sociedade com maiores condições de manter práticas saudáveis do que outra.

As classes do topo da pirâmide têm acesso facilitado ao conhecimento sobre o cuidado com a saúde do corpo humano e do planeta. São elas que apresentam também mais oportunidades de se matricular em academias de ginástica, associar-se a clubes e consultar profissionais da área médica. O aspecto econômico favorece, inclusive, o consumo de itens da lista da sustentabilidade sustentabilidade, como alimentos orgânicos, cultivados sem agrotóxicos.

Em geral, no fim do mês, o cardápio orgânico tem peso maior no bolso de quem vai ao supermercado, comparado a produtos sem essa preocupação. Quem tem mais dinheiro acaba reunindo mais condições de se diferenciar dos demais, mantendo a tradicional linha da diferenciação pelo acúmulo de capitais. Uma forma de distinção entre as classes, por meio de atitudes e comportamentos.

Gomes, da PUC-Rio, analisa também traços em determinados produtos que demonstram certas características estéticas da sustentabilidade. “Existe um tipo que é o confronto direto com o high-tech. Destaca o material como opção do próprio designer, lembrando ter ocorrido ali o processo de reaproveitamento. Um exemplo são as cadeiras de papelão que não escondem sua composição”, aponta.

Há também o confronto indireto, com valorização maior da forma do que do material. É o caso de quem adquire uma cadeira para o escritório. E, em vez de assento montado com garrafas PET, escolhe um móvel feito de madeira certificada, com o material meticulosamente trabalhado. Não fosse um selo indicativo, a linha sustentável do objeto passaria despercebida.

O certo “elitismo” penaliza até mesmo as pequenas empresas. Cyntia Malaguti, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade de São Paulo (FAU/USP), explica que pode haver diferenças na forma com que uma empresa de grande ou pequeno porte se planeja para entrar na era da sustentabilidade. Segundo ela, que escreveu um manual técnico de requisitos ambientais para o desenvolvimento de produtos, empresas menores costumam ter menos capacidade de investimento em pesquisas para o desenvolvimento de materiais inéditos, que revolucionem seus setores.

Uma solução é propor parcerias com o meio universitário, onde é possível encontrar projetos a custo mais acessível e equipes pensando no tema constantemente. Estratégia adicional é obter a contribuição do próprio design para transmitir ao consumidor o conceito de sustentabilidade, por exemplo, na escolha dos materiais e das características da embalagem dos produtos.

De produtos a cidades

As aparências não enganam. A estética de uma cidade, por exemplo, reflete dramas, sentimentos e valores de uma sociedade e seus habitantes. Os grandes centros expressam fisicamente os problemas de relacionamento entre os indivíduos. A insegurança empurra as pessoas para locais específicos. Condomínios fechados, shoppings. O individualismo dificulta as relações humanas nos lugares públicos, a desconfiança dos centros urbanos afasta. O outro é um perigoso estranho.

A rua se torna mero local de passagem, em vez de espaço para o relacionamento. Ali as pessoas não vivem, apenas transitam. Na cidade do movimento, as fachadas dos prédios são espelhadas. Os letreiros se tornam enormes, para que possam ser lidos por quem passa de carro, à distância. É o contrário de um centro antigo, onde a arquitetura é mais bem trabalhada. Ambiente próprio para quem anda a pé e tem tempo de apreciar, de perto, as construções.

Com isso, as grandes cidades estão perdendo sua identidade. O indivíduo está em um lugar que poderia ser qualquer lugar do mundo. Prédio sobre prédio, pedra sobre pedra, há especialistas que apontam um caminho mais sustentável, amenizando impactos como os da falta de permeabilidade do solo, capazes de tornar as enchentes um problema cada vez pior.

Uma das soluções seria a construção da infraestrutura verde, descrita por um artigo da paisagista Cecilia Polacow Herzog, publicado no jornal O Globo, em abril, como “rede interconectada de espaços abertos vegetados (de preferência arborizados) que restabelece a estrutura da paisagem. A ideia é que a cidade funcione como uma esponja, que seja o mais permeável possível”. Permeável em todos os sentidos, até de relacionamento interpessoal.

O concreto dificulta o escoamento da água da chuva. Entretanto, é ele que predomina no horizonte, e contribui para que a cidade domestique a natureza. “Na Alemanha, a população preserva o mínimo espaço em que nasce um matinho. Aqui, joga-se veneno para matar a planta. No caso de córregos da cidade, não é mais possível identificar muitos, que estão escondidos em galerias”, observa Cecilia, diretora também da ONG Inverde e mestre em Urbanismo.

Em uma floresta, a água da chuva infiltra 90% no solo. Há regiões das cidades em que a infiltração é zero. A água busca saídas e, nesse encaminho, entope bueiros, carrega lixo e acumula em áreas onde não tem por onde escoar.

Na Coreia do Sul, o principal rio da capital, Seul, foi despoluí do e virou símbolo da recuperação de áreas degradadas. O viaduto, que passava sobre o curso d’água, acabou demolido. No entorno, foram construídos parques, com resgate da biodiversidade. O transporte público foi remodelado, o esgoto a céu aberto fechou e a qualidade do ar melhorou. A revitalização ocorreu em apenas quatro anos. (mais sobre cidades em reportagem à pág. 36)

A sustentabilidade, mal ou bem, vem alterando o modo de planejar cidades e produtos. No design, por exemplo, o termo eco se refere a uma categoria específica de projetos que levam em consideração a questão ecológica. “Em algum tempo, não haverá o termo ecodesign para apontar essa categoria. Qualquer produto terá como pré-requisito o pensamento sustentável. Tudo será muito diferente do presente. O jeito como foi feito até agora nos trouxe até aqui, mas, certamente, não nos levará ao futuro”, prevê Fred Gelli, sócio-fundador da agência Tátil e professor do Departamento de Artes & Design, da PUC-Rio.

A biomimética, em vez de destruir, estuda a natureza para ter inspiração na elaboração de novos modelos de produto, serviço ou negócios. O planeta Terra parece cada vez mais estar na moda. E a torcida é para que a moda não seja substituída no próximo verão.

Corrida para onde?

abril 22, 2010

Essa matéria publicada de Eduardo Shor na Página 22 provoca muito pensar…

Segunda-feira, às 9 da manhã, no escritório. Você torce para os cinco dias seguintes passarem voando, até que possa respirar sábado e domingo. Olha o calendário. Às vezes, olhar o calendário é calcular. Durante o ano, são 52 semanas, menos as quatro de férias. O resultado final é um indivíduo 48 semanas apressado. Cada tarefa riscada na agenda significa o surgimento súbito e inexplicável de outras duas, três, quatro. O monitor do computador está lotado de post-its amarelos. A sua testa franzida estaria livre para colar mais um, não fosse ali já anunciado pelas rugas: ocupado. Quem dá conta?

As crianças cresceram logo, parece que os Beatles lançaram o primeiro álbum há 15 dias e você se lembra do impeachment do ex-presidente Fernando Collor como se fosse ontem. Além disso, chega dezembro e comenta com o pessoal: “Nossa, mas o ano passou tão rápido”. Também, pudera. São 240 dias querendo que a vida corra*, contra 96, a todo custo, tentando pisar no freio; aproveitar, enfim, a tranquilidade.

*Há também o caso dos autônomos, que apostam uma corrida contra o relógio, a fim de conseguirem entregar o produto ou o serviço a tempo. O trabalho engole sábados, domingos, feriados. Férias? Que férias?

Nas pouco mais de duas centenas de dias chamados úteis, em boa parte das horas, a última coisa que você fez foi algo que, de fato, desejaria fazer. Não ofereceu a atenção que os amigos e a família mereciam. No mais, realizou tarefas um tanto estressantes que nem sempre contribuíram para a qualidade de vida ou o bem-estar.

Terça-feira, às oito e meia, em vez de bater bola na praia, bateu ponto mais cedo no escritório. Trocou o mergulho na piscina do clube pelo mergulho no software de gestão que a companhia acabara de instalar. O bate-papo no café da manhã, ao lado da família, deu vez à lista de argumentos com objetivo de sua equipe realizar melhores vendas. A viagem ao interior para visitar os avós no feriado foi adiada, pois era preciso dar prioridade à visita ao cliente. Você concluiu e anotou no bloco de rascunhos que trabalhar é necessário e saudável, contanto que os pesos do trabalho e do lazer estejam equilibrados.

Com razão. Dizer que alguém trabalhou 12 ou 14 horas em um dia é quase retroceder ao começo da Revolução Industrial, no século XIX. É grave se imaginarmos um estudante que passe quatro horas na faculdade, oito no escritório e outras quatro em trânsito. O que lhe sobra para o resto? “O trabalho tornou-se referência central na vida do indivíduo e da sociedade. Tudo se converte em tarefa. O filme que seria assistido para enriquecimento pessoal ou pura admiração da arte é deixado de lado. Acaba substituído, muitas vezes, por uma obra que melhore o rendimento no emprego e tenha aplicação no trabalho”, explica Scarlett Marton, professora titular de Filosofia Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP).

Na Grécia Antiga, o ócio era mais valorizado do que as atividades manuais. Trabalhar era tarefa, principalmente, destinada aos escravos. O trabalho apenas começou a ganhar algum lugar de expressão na vida social a partir do século XVII, com a expansão marítima e os grandes descobrimentos. Posteriormente, foi valorizado também na época da ascensão da burguesia, no contexto da Revolução Francesa.

Daí em diante, ele passou a ser avaliado como fator de progresso. O ser humano se viu como dominador da natureza. E o esforço foi uma das formas de ampliar suas conquistas. Hoje, existe a figura do workaholic, o indivíduo viciado em trabalho, que pensa em suas tarefas, na carreira, na performance e na eficiência o tempo todo.

Homens e mulheres poderiam ter feito outra opção. No lugar da sociedade do consumo, a sociedade da abundância, na qual se preserva e economiza mais do que se destrói e gasta. Mas isso não ocorreu. Trabalhamos cada vez mais, porque é fundamental ter cada vez mais. Por comprarmos itens além do necessário, precisamos aumentar a produção sempre.

Quando as pessoas entram na lógica do consumo, elas perdem a figura do “ser humano integral”, aquele que decide o que quer sem se atrelar ao último modelo de carro, à grife mais famosa, aos apelos do marketing e da propaganda. “Corremos o risco de perder o cidadão com interesses diversificados. O que tem desejo por conhecer a si mesmo, o mundo. O que tem vontade de estabelecer relações com os outros pelo simples desejo de se relacionar ou fazer amizades”, afirma Scarlett.

Segundo a professora, outra consequência do posicionamento hegemônico que o trabalho assumiu na vida das pessoas se traduz por determinadas estratégias de networking*. Dessa forma, tendo que escolher número reduzido de convidados, ao promover uma festa em casa, os anfitriões passam a excluir amigos ou conhecidos da lista, privilegiando pessoas ligadas a seu meio que podem lhes oferecer melhores oportunidades de emprego no futuro.

*A manutenção de contatos que podem, em algum momento da vida, facilitar uma melhor colocação do profissional no mercado de trabalho.

Trabalhar menos é out

Quarta-feira, às 11 da noite, portaria do prédio do seu escritório. Na roda de conversa entre amigos que se encontraram por ali, é vergonha dizer que trabalhou menos. Ganha conceito alto no grupo aquele que não teve tempo para almoçar. Admite-se, no máximo, um sanduíche. Mesmo assim, lá pelas 4 da tarde. Nada de sair do escritório às 6, depois de 8 horas de jornada. Amigo digno de respeito saiu às 9, 10 da noite. E haja cafezinho.

A tecnologia agilizou processos na indústria, permitiu avanços na medicina, facilitou a comunicação das pessoas, entre diversos benefícios. No entanto, a expectativa de que o tempo economizado na realização das tarefas se refletisse em menos trabalho não surtiu efeito. Essas horas foram preenchidas com mais trabalho, exigindo maior esforço do ser humano.

Além disso, o desenvolvimento trouxe laptops, telefones celulares, internet sem fio. Recursos que permitem ao trabalhador estar conectado a seus afazeres 24 horas. Assim, ele passou a ter ainda menos tempo “livre”.

Na França, houve gente se matando de tanto trabalhar. Entre fevereiro de 2008 e outubro de 2009, a France Telecom anunciou suicídio de 25 empregados. Os sindicatos do país culparam as condições de trabalho oferecidas e a reestruturação da companhia, que levou à saída de 22 mil funcionários entre 2006 e 2008. Diante do quadro, o governo de Nicolas Sarkozy obrigou empresas com mais de mil empregados a ter planos de combate ao estresse.

A tampa do vaso sanitário

Como destaca o professor Ladislau Dowbor, da Pós-Graduação em Economia e Administração da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), participamos de uma “corrida global de ratos”. A mentalidade competitiva faz um correr na frente do outro, sem se importar com quem ficou para trás. “A necessidade de produzir e consumir mais leva ao endeusamento da competição e ao individualismo. Todavia, nos EUA, existem pesquisas indicando que, depois de o valor do PIB alcançar certo nível, a percepção de satisfação com a vida permanece inalterada, ou declina”, diz.

Um dos antídotos, segundo ele, é a evolução para uma sociedade colaborativa, em que o conhecimento vale mais que os bens materiais. Exemplo: “Se eu tiro um bem material de alguém, ele fica sem. Se eu tiro conhecimento, essa pessoa continua com ele e nós dois juntos geramos mais conhecimento ainda”. É uma relação de colaboração, que a sociedade moderna, apegada ao modelo mental competitivo, ainda precisa desenvolver.

Dowbor conta que há algum tempo foi comprar uma tampa de vaso sanitário e se deparou com 586 modelos diferentes, na loja. E acrescenta o exemplo de incontáveis modelos de carro, como poderia usar o de roupas, calçados ou geladeiras. “Você não tem mais consumo pela utilidade, mas pela construção de outros tipos de valores. Eu não preciso escolher entre 586 modelos de tampa de privada”, avalia.

O excesso de consumo e produção vem levando não apenas ao desgaste do ser humano, com seu tempo perdido em tantas escolhas inúteis, mas ao esgotamento dos recursos do mundo. Aumento nos casos de doenças do coração, problemas gástricos e depressão. Desequilíbrio climático, poluição generalizada, ex-tinção acelerada de espécies. Um cenário que nos leva a pensar em alternativas que permitam continuar viáveis a vida e o bemestar da humanidade.

No livro The Overworked American: the unexpected decline of leisure (na tradução, algo como “O Americano Sobrecarregado: o inesperado declínio do lazer), de 1992, a professora do departamento de Sociologia da Boston College Juliet Schor observa que, entre 1948 e os primeiros anos da década de 1990, o nível de produtividade do trabalhador americano mais do que dobrou. Em suas palavras, “poderíamos agora alcançar nosso padrão de vida de 1948 (medido em bens e serviços comercializados) em menos da metade do tempo usado naquele ano. Poderíamos ter escolhido a jornada de quatro horas. Ou um ano de trabalho que durasse seis meses”.

A jornada ideal

Quinta-feira, meio-dia e quarenta, você encontra espaço na agenda para almoçar. Procura, na empresa, um colega para dividir a mesa. José Carlos, do Financeiro, está no telefone. Renata, da Controladoria, em reunião. Fátima, da área de Recursos Humanos, entrevistando um candidato a estagiário. Todos ocupados. Resta-lhe ir sozinho ao restaurante. Na TV do estabelecimento, uma reportagem sobre redução de jornada de trabalho.

Não sem polêmicas entre patrões e empregados, os franceses puseram em prática uma lei que estabeleceu jornada de 35 horas semanais, em 1998, no governo socialista do então primeiroministro Lionel Jospin. Dez anos depois, Nicolas Sarkozy considerou a lei como “catástrofe generalizada para a economia francesa”. E a França aprovou uma novidade. A legislação atual mantém as 35 horas, mas permite a cada organização incrementar o tempo de trabalho, desde que isso seja feito mediante acordo dos empresários com os sindicatos.

Na sociedade brasileira, enquanto uma parte da população não encontra tempo para realizar algo além de trabalho, outros milhões de pessoas estão desempregadas. Em vez de privilégio, o ócio vira preocupação. “Há um desequilíbrio na repartição do tempo de serviço. Enquanto 45% dos trabalhadores têm jornadas superiores a 44 horas semanais, que crescem com horas extras, outra parte fica parada”, aponta Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Hoje, discute-se no Brasil a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, com aumento do custo da hora extra, de 50% para 75%, e sem diminuição dos salários. Uma das apostas dos trabalhadores é que, em vez de pagar hora extra, as companhias abririam novas vagas.

Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), dessa maneira um milhão de postos de trabalho poderiam surgir, dentro do total de 2,5 milhões de oportunidades que a redução da jornada criaria. Ainda de acordo com o Dieese, com a aprovação da lei trabalhista, o custo total da produção industrial aumentaria apenas 1,99%. No debate, há empresários que não preveem aumento do número de empregos nem aumento baixo de custos.

Independente dos argumentos contra ou a favor de soluções criadas para reduzir os índices de desemprego, o sociólogo Rafael Osório, pesquisador do Ipea, lembra que a definição das 8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas de lazer vem de uma época em que a própria inserção das mulheres no mercado de trabalho era diferente. “Quando mais mulheres entram no mercado, a oferta de tempo que a classe de trabalhadores tem a oferecer à empresa aumenta, mas o tempo disponível para o cuidado com o lar diminui”, ressalta.

Assim, há uma tendência de aumentar a participação masculina na realização de tarefas caseiras, embora ainda ocorra aí um desequilíbrio.

Rafael é um dos autores de um estudo sobre o tempo dedicado por homens e mulheres ao trabalho doméstico, não remunerado; e ao trabalho fora de casa, que garante o salário do empregado. A análise considerou o caso da Bolívia, onde, com base nos números da pesquisa, as mulheres tendem a ter uma jornada, no lar e no local de trabalho somadas, mais de três vezes maior do que a dos homens. A questão existe em outros países, em menor ou maior grau, sendo influenciada, fortemente, pela cultura de cada um.

Em nações do Norte da Europa, o Estado provê serviços eficientes, como creches, que facilitam a vida dos pais. No Brasil, os casais de classe média e alta “compram o tempo” dos empregados domésticos, na maioria mulheres, para o cuidado com a prole. “Há empregados domésticos que também têm filhos pequenos, mas, sem orçamento, precisam se virar para deixá-los com alguém e ir para o trabalho. Eles não têm nem tempo de buscar o filho na escola, na hora do almoço. Por isso, a escola de tempo integral é importante”, analisa o sociólogo.

As tarefas divididas pelos donos da casa e os empregados domésticos são mais importantes do que podem parecer. Por exemplo, a cultura da valorização do estudo e do trabalho, para o alcance do crescimento pessoal e profissional, é disseminada na escola; porém, principalmente, no lar.

A formação do futuro trabalhador, o sustento da mão de obra que chega diariamente às estações de trabalho e o bem-estar do ser humano são providos, em grande parte, pelo esforço realizado em casa. Atividades como ajudar na lição que os filhos trazem do colégio, preparar o jantar, passar roupa, limpar o quarto. Atualmente, essas tarefas não são somadas ao PIB. “Há correntes que buscam quantificar essas ações. Verificar quanto custaria lavar roupa durante quatro horas, na semana. Por que a gente não inclui no cálculo a produtividade doméstica, se ela também gera valor?”, questiona Rafael.

O valor do seu tempo

Sexta-feira, seis e meia da tarde, hora de deixar o escritório. De acordo com uma pesquisa realizada entre agosto e setembro de 2009, pelo Movimento Nossa São Paulo, em parceria com o Ibope, o paulistano gasta 2 horas e 43 minutos no trânsito, todo dia. Isso inclui a ida ao trabalho e a volta, bem como o que se despende no trajeto para compras ou diversão. É parte do que o professor Ladislau Dowbor, da PUC-SP, considera como tempo social, dedicado às tarefas necessárias para cuidarmos da vida dentro e fora do trabalho.

No livro Democracia Econômica, Dowbor calcula o valor desse tempo. Tirando o tempo de uso individual, como sono e convívio familiar em casa, suponha que o tempo social seja de 12 horas diárias. São 60 horas por semana. Em 52 semanas (daí subtraem-se quatro, de férias), o resultado é de 2.880 horas “comerciais” no ano. Ao se considerar um PIB de US$ 700 bilhões, para uma população de 180 milhões, tem-se PIB per capita de US$ 3.900.

O PIB per capita dividido pelas 2.880 horas dá US$ 1,35/ hora, o valor de sua hora “ativa”. “Digamos que uma rede ampla de metrô economizasse meia hora do tempo médio de deslocamento do paulistano economicamente ativo, cerca de 5 milhões de pessoas. Seriam 2,5 milhões de horas economizadas por dia, o que multiplicado por US$ 1,35 significaria uma economia diária da ordem de US$ 3,4 milhões. Isto por sua vez implica que cada 30 dias pagariam a ampliação de um quilômetro deste meio de transporte”, escreve o professor.

Dowbor cita também estatísticas de que cada 10 minutos a mais gastos no tempo diário de transporte individual para o trabalho reduzem o envolvimento comunitário em 10% – “menos participação em reuniões públicas”, por exemplo.

No sábado e no domingo, se o leitor tiver tempo, pode conferir no site de Página22 as dicas de José Eduardo Balian, professor do curso de Gestão e Administração do Tempo, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Ele fala sobre como organizar melhor a sua agenda. Além disso, há a história de profissionais que se dividem entre um cotidiano acelerado no trabalho e a vida particular.

Aproveite. Pois segunda-feira, às 9 da manhã, volta ao escritório. Você torce para os cinco dias seguintes passarem voando, até que possa respirar sábado e domingo de novo. Olha o calendário. Às vezes, olhar o calendário é calcular. Durante o ano, são 52 semanas, menos as quatro de férias. O resultado final é um indivíduo 48 semanas apressado. Cada tarefa riscada na agenda significa o surgimento súbito e inexplicável de outras duas, três, quatro. O monitor do computador está lotado de post-its amarelos. A sua testa franzida estaria livre para colar mais um, não fosse ali já anunciado pelas rugas: ocupado. Quem dá conta?