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A escola assassina

novembro 16, 2010

Uma idéia que já me passou pela cabeça a muito tempo é sobre o atual papel das escolas. A massificação dos conteúdos, o adestramento para a faculdade, são atributos que reconhecemos de longe.

Nessa paleatra do TED, Sir Ken Robinson defende de maneira divertida e profunda a criação de um sistema educacional que estimula (em vez de enfraquecer) a criatividade.

Vale a pena ver.

Ken Robinson diz que as escolas acabam com a criatividade

O que podemos fazer para mudar o paradigma atual do ensino brasileiro?

Saudações,
DC

O que é a escola?

junho 3, 2010

No Blog Inteligência Empresarial do professor da Coppe Marcos Cavalcanti, um post me chamou a atenção. Ele escreve: O que é a escola? No conteúdo ele transcreve o que uma menina da 3ª série do ensino médio fala sobre a educação.  Vou transcrever também:

“Eu acho que, na teoria, a escola é tida como uma instituição que ensina coisas para formar pessoas para o mercado de trabalho, mas eu acho que deveria ser uma instituição que formasse pensadores. Na realidade o que a gente vê hoje na escola é (são) : FATO(s), porque os professores, muitos professores, chegam aqui passam o que têm que passar no quadro e vão embora. Não querem ensinar. Não fazem o aluno pensar naquilo. Eles só escrevem e a gente copia e acabou. Na realidade, às vezes a gente pode ter um ser humano que sabe fazer , mas ele não sabe (o) porque (daquilo que) faz, não pensa , ele só age.”

Fica a provocação.

Abraços,

DC

Como iria ter essa lábia então?

março 20, 2010

Sexta-feira. Saí do trabalho um pouco mais cedo porque ainda havia algumas coisas a serem feitas. Imaginei: ” a essa hora, ainda não há engarrafamento”. Por isso escolhi pegar o ônibus que atravessa a baía de guanabara pela ponte Rio-Niterói. O ônibus não demorou muito, porém,virando a esquina, o trânsito caótico da cidade já se mostrou.

Bom, cada escolha é uma renúncia. Resignado pela minha escolha, não havia mais nada a fazer. Apenas esperar e viajar em pensamentos.

Alguns pontos a frente, uma criança de seus 11 anos no máximo, entrou no veículo pela porta da frente, com o seu gancho de açougue e sacos de bala e paçoca pendurados para a venda. Imediatamente pensei: ” Mais aquele bla-bla-bla de sempre, agora feito por uma criança.”. Comecei a pensar sobre a questão do trabalho infantil e tudo. Quando o menino começou a falar seu discurso, pronto, minha atenção se voltou inteiramente para ele.

A estrutura do discurso era a mesma dos homens que exercem esse mesmo ofício. Porém o toque de irreverência e a voz fina tornou a venda um momento de descontração. Queria ter gravado o discurso para transcrevê-lo aqui, mas essa idéia surgiu depois.

Ele denominou-se “micro empresário que não paga imposto de renda”. Olha que genialidade e inteligência. Descreveu as balas pelos seus benefícios: ” derrete entre os dentes, não gruda nos dentes nem na dentadura.” Ele usou até o termo arcada dentária!!! Que prodígio!!!

Questionado por um dos passageiros se ele frequentava a escola, ele respondeu enfaticamente:

– Frequento sim! O CIEP tal (não consegui escutar o nome do colégio). Se não frequentasse, como iria ter essa lábia então?

Resultado. Com aquele discurso ímpar, conseguiu vender suas balas para quase todos os passageiros do ônibus. Nunca presenciei uma venda como aquela. Todos estavam perplexos com a desenvoltura e performance do garoto. Poderia vender o que quisesse.

Chamou-me atenção para o fato dele dar valor a escola como forma de conseguir instrumentos que melhorem seu trabalho, que no caso dele era a habilidade de se comunicar, a lábia. Filho de mãe doméstica e pai que trabalho no “mercadinho” da esquina, possivelmente ele valoriza o estudo mais que seus pais. Invertendo o modelo mental que temos.

Que exemplo! Sabemos que uma rotina de estudo em um CIEP, que em sua maioria não possuem uma infra-estrutura física e professores adequados, trabalho a tarde e quem sabe alguma outra atividade a noite é extremamente desgastante. Poucos conseguem carregar esse fardo.

Como sempre, perguntas cruzaram minha mente: Quantos meninos prodígio estão sem a devida atenção e apoio que merecem? Que estrutura escolar teríamos que ter para identificar as habilidades e potenciá-las?
O que poderia fazer a mais pelo garoto?

Infelizmente não podemos fazer tudo que queremos, mesmo que seja pelo bem dos outros. Comprei minhas balas com a promessa de que essa experiência vai me ajudar no futuro. Se tiver que encontrar o menino de novo,com certeza vou fazê-lo. Quem sabe não consigo gravar a fala de le e ajudá-lo de outra forma.

Um grande abraço a todos. Durmo com o sentimento de ter feito algo pelo mundo: refleti.

DC