Posts Tagged ‘corrupção’

Até quando?

abril 20, 2011

No dia 18/04 foi noticiado no site do jornal O Globo um caso do motorista de ônibus Joilson Chagas que encontrou R$ 74.800 em seu ônibus e o entregou ao dono. Seus amigos de empresa o chamaram de “otário”.

Fico muito indignado com o comportamento dos “amigos” do Joilson. A meu ver, isso seria motivo de sobra para uma demissão. Se fosse o dono da empresa de ônibus, não queria ter como empregados pessoas que acham que a desonestidade vale mais do que a honestidade. Atitudes como essa devem ser totalmente repudiadas e combatidas.

São esses mesmos camaradas que acham que deveriam ficar com o dinheiro que reforçam o sentimento de corrupção do país.

Joilson deve ser parabenizado. Os outros reprimidos severamente. Não podemos mais aceitar esse tipode comportamento.

DC

Anúncios

Corrupção

abril 11, 2011

Seguindo o post de ontem, que trouxe o resultado sobre os valores do Brasil, segue uma citação sobre um dos mais citados: a Corrupção.

A pior das corrupções não é aquela que desafia as leis; mas a que se corrompe a ela própria.

Louis Bonald

Idéias que merecem ser espalhadas

agosto 19, 2010


Em um dos posts inciais deste blog, mencionei sobre uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo disseminar e provocar a discussão de idéias boas. Essa insituição chama-se TED (Tecnologia, Entretenimento e Design – em inglês). Leia o sucinto profile da organização:

O TED surgiu em 1984 como uma conferência anual na Califórnia e já teve entre seus palestrantes Bill Clinton, Paul Simon, Bill Gates, Bono Vox, Al Gore, Michelle Obama e Philippe Starck. Apesar dos mil lugares na platéia, as inscrições esgotam-se um ano antes. Cerca de 500 das palestras estão disponíveis no site do evento e já foram acessadas por mais de 50 milhões de pessoas de 150 países. A cada ano a organização elege um pensador de destaque e repassa a ele 100 mil dólares para ele que possa realizar “Um Desejo que Vai Mudar o Mundo”. Com essas 4 ações, TED Conference, TED Talks, TED Prize e TEDx a organização pretende transformar seu mote “ideias que merecem ser espalhadas” cada vez mais em realidade. “Acreditamos apaixonadamente no poder das ideias para mudar atitudes, vidas e, em última instância, o mundo”, dizem os organizadores do TED. Nós também. E você?

Achei interessante criar uma coluna aqui sobre as idéias apresentadas no TED, de forma a potencializar o trabalho da instituição e provocar mais e mais os leitores a pensar em possíveis soluções para o mundo.

Ainda não temos recursos de vídeo nesse Blog. Por enquanto colocaremos o link para o site do TED com o vídeo.

Inauguraremos essa coluna com o vídeo de Shaffi Mather. Em sua apresentação, ele explica por que ele deixou a sua primeira carreira para se tornar um empreendedor social, oferecendo transporte para salvar vidas com a sua empresa ” 1298 for Ambulance”. Agora, ele tem uma idéia nova e os planos para começar uma empresa para combater a corrupção no serviço público, eliminando-se a um suborno de uma vez.

Shaffi Mather: Uma nova maneira de combater a corrupção (video)

Uma empresa para eliminar o suborno no setor público. Boa idéia não é? Ainda mais em tempos de eleição. Vai ter um mercado e tanto no Brasil.

Gostou da idéia? Tem outras? Pense!

Abraços,

DC

Será que o Lula fica bem de saia justa?

junho 11, 2010

Acho que é essa a pergunta que todos os nossos parlamentares do legislativo estão fazendo. Como uma forma de criar uma guerra entre as esferas municipais e estaduais contra a federal, as Vossas Excelências Senadores aprovaram uma lei anti-constitucional sobre os royalties do petróleo. Querem uma divisão igual para os estados, e os estados que perderem, a União vai pagar. Só não falaram como.

Sem falar em outras questões polêmicas como o aumento para os aposentados e fim do fator previdênciário.

Há um tentativa clara de aprovar leis, que como cidadão eu aplaudo, mas se fosse em outras épocas dificilmente seriam aprovadas (e sabemos disso), para fazer com o Lula vetar e ficar mal na foto. Aí já viu né… Ele tentando eleger Dilma…

E depois falam que eles queriam o melhor do povo e o governo atual que não quis! Bando de hipócritas. Quero ver aprovar essas leis no meio do mandato de 4 anos!

Senhora e Senhores, essa é a política brasileira! A política corrupta, mesquinha. Alteram tempos verbais para segurar os ladrões que estão aí manipulando o sistema.

Ficamos atentos aos cargos do executivo e nem lembramos quem votamos no legislativo. Espero que mude no próximo ano.

Pronto. Desabafei.

Abraços a todos,

DC

O Jeitinho Brasileiro é uma forma de corrupção? (Corrupção – parte 4)

abril 19, 2010

Seguindo os posts sobre corrupção, temos agora a discussão sobre o famoso jeitinho brasileiro. Ele é uma forma de corrupção?

Ao pesquisar o termo na internet encontrei milhares de respostas. Algumas delas bem interessantes, que utilizarei aqui para embasar nossa discussão.

(…) O que levamos desta vida inútil

Tanto vale se é

A glória, a fama, o amor, a ciência, a vida,

Como se fosse apenas

A memória de um jogo bem jogado

E uma partida ganha a um jogador melhor

A glória pesa como um fardo rico,

A fama como a febre,

O amor cansa porque é a sério e busca,

A ciência nunca encontra,

E a vida passa e dói porque o conhece…

O jogo de xadrez

Prende a alma toda, mas perdido, pouco

Pesa, pois não é nada (…)

Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

Começo com uma poesia de Fernando Pessoa. Ela inicia também um artigo de Fernando C. Prestes Motta e Rafael Alcadipani sobre o jeitinho. O artigo descreve uma situação do jeitinho bastante ilustrativa. Vejamos:

Sujeito a quase um ano desempregado, casado, três filhos, vivendo do dinheiro de faxinas esporádicas da mulher, descobre que uma loja está precisando de carregador. Vai até a loja, conversa com o dono, que gosta muito dele. Existem mais 13 pessoas na busca pela vaga. Depois de conversar com a esposa do dono da loja, consegue o emprego. Para tanto, precisa estar na loja no dia seguinte às 8 horas com a carteira de trabalho, caso contrário, perde a vaga.

Volta para casa feliz e contente com o emprego conquistado. Procura a carteira de trabalho e, para seu desespero, percebe que a perdeu. Como precisa do documento impreterivelmente no dia seguinte, vai à Junta do Trabalho para fazer um novo. Vale destacar que a maioria dos órgãos governamentais do serviço público no Brasil parece retirada de um conto de Kafka, tamanha a lentidão e a “burocracia” que apresenta.

Lá chegando, após ficar duas horas e meia na fila para ser atendido, a funcionária, com um mal humor ímpar, informa que o documento somente ficará pronto dentro de um mês, já que esse é o procedimento padrão pelo qual todos, sem exceções, devem passar.

Nosso personagem fica desesperado e conta toda sua história, com rigor de detalhes, para a funcionária. Ela pára, pensa, repensa e discute, fala que não tem como… Mas, depois da persistência de nosso ex-desempregado, passa o caso dele na frente de todos os demais e consegue a carteira de trabalho em 45 minutos. Ele agradece e vai embora feliz. Para nós, brasileiros, “deu-se um jeitinho” para o ex-desempregado.

O jeitinho brasileiro é o genuíno processo brasileiro de uma pessoa atingir objetivos a despeito de determinações (leis, normas, regras, ordens etc.) contrárias.

No blog Críticas e Reflexões, temos a definição de jeitinho como: a malandragem histórica do nosso povo. Malandragem com a qual temos contato desde pequenos e ouvimos constantemente nos meios de comunicação e, indiretamente, presenciamos nos atos das pessoas. Há quem tenha orgulho do “jeitinho”, que por ser tão comum, até prefiro omitir as aspas. No entanto, a idéia do malandro está associada à esperteza, como se houvesse algo de esperto em dizer “odeio político ladrão, mas se estivesse no poder, também roubaria”. O cidadão heroicamente afirma que tem orgulho de ser brasileiro e por isso naturalmente faz uso do jeitinho, mas não percebe que esta “marca nacional” é uma das impulsoras do nosso regresso.

Por falar em malandragem, não podemos deixar de lembrar do nosso Zé Carioca, papagaio José Carioca, criado no começo da década de 40 pelos estúdios Walt Disney em uma turnê pela América Latina, que fazia parte dos esforços dos Estados Unidos para reunir aliados durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). (Mais informações no Wikipedia)

Que saudade do zé… lia muitos gibis com suas histórias…

Roberto Damatta, no artigo da Revista de História da Biblioteca Nacional, escreve que o jeitinho se confunde com corrupção porque desiguala o que deveria ser tratado com igualdade.

Já Leonardo Avritzer, também na mesma revista, destaca, além da posição de Roberto Damatta, o lado positivo da capacidade de adaptação em diferentes situações. Isso dá ao país uma flexibilidade política e uma capacidade de inovação desejáveis. Aliás essa é uma das características (a do jeitinho) mais reconhecidas nos CEOs brasileiros em todo mundo. Ainda não sei o motivo de estarmos tão atrás no ranking de inovação no mundo. Segundo a revista The Economist, o Brasil fica em 49ª posição. Com a 6ª maior economia mundial, acho que poderíamos estar melhores classificados.

No Blog “Mula sem Cabeça: (Des)construindo o existir” escreve um texto interessantíssimo que menciona a posição de Alberto Guerreiro Ramos, que o jeitinho é uma categoria central da sociedade brasileira. Não que ele atribua a um caráter exclusivamente do Brasil. Ele define o jeitinho, e outros mecanismos, como “processos crioulos” característicos de povos latino-americanos.

Essa característica, o jeitinho, segundo Guerreiro, é resultado de uma discrepância existente entre nossas instituições sociais, políticas e jurídicas e as práticas sociais, isto é, entre o que está prescrito, regulamentado, e as práticas reais tanto do Governo como da sociedade.

Quanto ao aspecto histórico do jeitinho, estaria ligado ao que alguns historiadores chamam de “feudalismo tardio”, característica comum em vários países da América Latina.

Nas relações feudais, havia uma profunda desigualdade jurídica, sendo que as leis só eram aplicadas com rigores aos servos e vassalos, enquanto que havia uma flexibilidade para a elite da época. Nenhuma novidade, né?! Porém, alguns autores defendem que a questão da desigualdade no sistema jurídico não está obrigatoriamente numa estrutura feudal mas sim numa visão hierárquica do mundo.

E o blog da Mula continua: “Existem variados fatores que explicam o fato do jeitinho brasileiro ser tal como é, mas nenhum deles justifica…Já se perguntaram por que existem tantos corruptos no poder?

Já se perguntaram por que quem não está no poder gostaria de estar para fazer seu pé-de- meia?

Porque somos um povo corrupto, que formou um Estado corrupto e que hoje ainda acredita que a corrupção faz parte do processo de progredir, aceitando como verdade absurdos do estilo “Rouba mas faz alguma coisa…”. A função do cidadão é fazer isso, “alguma coisa”, ele é pago para isso e não para enriquecer às custas do trabalho árduo de um povo inteiro.

Pera aí, se um cidadão em uma empresa rouba, o cara ta ferrado. Já era! Se um cara faz alguma trangressão no Japão, tempos depois o cidadão se mata. Se um cara no Brasil rouba uma nação inteira, é afastado, anos depois ele vira senador e tem grande influência nos círculos do poder.

Somos corruptos, volto a frisar isso novamente, principalmente nós cidadãos justos e honestos por vermos essa palhaçada no país inteiro e nada fazermos além de dizer que é muito maior que nós…”

Lembro mais uma vez a frase de Gandhi que diz que devemos ser a mudança que queremos ver no mundo. Se continuarmos com o jeitinho, os políticos irão continuar com o jeitinho deles.

Não posso deixar de terminar o post com o texto que se segue, retirado também do Blog acima citado:

Não estará na hora de transformar o jeitinho brasileiro em o “jeito do Brasil”?

Um jeito que representa um povo sofrido, esmagado por uma elite local e estrangeira corrupta, mas que, acima de tudo, é um povo cordial, alegre, que ri das próprias desgraças e nunca perde a fé que as coisas vão melhorar, mesmo quando não existe nem ao menos um lampejo de luz no final do túnel. Um povo guerreiro que nunca abandona a peleja levando consigo, somente, a esperança – aquela que nunca morre…

Não preciso dizer mais nada né.

Boas Reflexões.

Faça algo pelo mundo hoje: não dê jeitinho.

Abraços,

DC.

Corrupção – parte 3

abril 17, 2010

Caros leitores,

Seguindo a sequência de posts sobre a corrupção, baseada no dossiê da Revista de História da Biblioteca Nacional, segue um glossário muito interessante sobre a corrupção.

Amar ao pingarelho: Os portugueses, quem diria, também têm expressões para ilustrar o seu jeitinho. Se “quem não chora não mama” no Brasil, lá quem não arma ao pingarelho não participa da “chuchadeira”, ou seja, da mamata.

Colarinho Branco: Expressão criada pelo sociólogo norte-americano Edwin Sutherland, que ganhou destaque por pesquisar delitos de pessoas de altas posições sociais. Na contramão das teorias de seu tempo, Edwin desvinculou criminalidade e pobreza. Não faltaram motivos: em um estudo sobre setenta grandes empresas, encontrou um total de 980 faltas perantes a lei.

Dar gasosa: A gíria mais comum em Angola não tem nada a ver com dar água a quem tem sede. Seignifica entregar uma gratificação ou suborno. E quem passar por lá não deve se assustar se ouvir as frases “me dê um kumbu” ou “onde está o kumbu?”, usadas para pedir propina.

Escroquerie: O termo francês designa a utilização de meios fraudulentos pra obter ganhos prejudicando terceiros. Está muito ligado ao universo financeiro e é origem da palavra brasileira “escroque”, que tem significado semelhante.

Fósforo: No império, o falso eleitor que votava em lugar de outrem. Mas a palavra em si faz referência à urna, parecida com uma caixa de fósforos. A prática era tão forte que o fósforo continuou aceso na Primeira República, quando as fraudes eleitorais eram escandalosas.

Mala preta: Está ligada à compra de resultados no futebol. O alvo pode ser a equipe adversária ou o árbitro da partida.

Mordida: Recentemente, o cineasta espanhol Chema Rodríguez afirmou que, durante as filmagens de “Coyote”, sua equipe teve que dar várias mordidas para conseguir fazer o documentário, que trata da imigração ilegal nos Estados Unidos. “La mordida” siginifica propina ou suborno pago a oficiais.

Santo Unhate: Gregório de Matos, através do santo cujo nome vinha do verbo “unhar” (= roubar), denunciava o português que chegava à Colônia e enriquecia de maneira desonesta.

Tangente: Não é só a pizza que os italianos apreciam. Assim como no resto do mundo, empresas na Itália que desejam ser favorecidas em concorrências oferecem esta propina a intermediários, como políticos. A máfia, por sua vez, tem seu próprio vocabulário para suborno: mazzetta.

 Independente da nacionalidade, área de atuação, classe social, a desonestidade é um tema transversal a vida. Isto está ligado a escala de valores, que na maioria das vezes, a honestidade perde para o “não levar prejuízo” ou “ser considerado idiota”.

Agora fiquei na dúvida: Quem é mais idiota: o que transgride ou o que perde a bocada, em troca da ação moralmente correta?

Por falar em idiota, fica a indicação de leitura do livro “O Idiota” de Dostoiévski. A obra foi inspirada na figura de Dom Quixote, de cervantes. É considerado o romance mais típico do autor. Provocou perplexidade nos meios intelectuais da época.

Para terminar, uma frase de Bernadin de Saint-Pierre:

Se a galantaria é a mentira do amor, a libertinagem pode considerar-se como sendo a corrupção.

Faça algo pelo mundo hoje: seja um idiota, ou não, dependendo do seu ponto de vista na questão acima.

Abraços,

DC

Corrupção – parte 2

abril 5, 2010

Seguindo a sequência de posts sobre a corrupção, o segundo artigo do dossiê da revista da História da Biblioteca Nacional fala sobre o peculato. E tem como autor o professor da Universidade Federal Fluminense Ronaldo Vainfas. A apropriação de direitos públicos em proveito próprio, diferentemente de hoje, era institucionalziado. Você não acredita? As capitanias hereditárias são um belo exemplo. Os donatários eram recompensados com terras e parte da receita fiscal. O início dos Royalties…Quem sabe? Será que eles mudavam as regras de distribuição de uma hora para outra?

Com um histórico desses, não é para menos ter esse nível de transgressão.

“Farinha pouca, meu pirão primeiro.”

Ditado Popular

Impressionante é o parágrafo do texto que relata sobre a existência de um livro “ A arte de furtar”. Vou transcrevê-lo:

“Uma prova de que o Tesouro era lesado em escala maior do que a prevista encontra-se no livro “A arte de furtar”, escrito em 1652. Irônico, o autor abre o livro dizendo que o furto era algo nobre, e, à moda barroca, caracteriza dezenas de fórmulas desta arte. Dos que furtam com unhas reais, agulhas, militares, disfarçadas, postiças, maliciosas e descuidadas. Dos que furtam com mão de gato. Além disso, expõe os princípios gerais da dita ciência. Exemplos: como tomando pouco se rouba mais; como os maiores ladrões são os que têm por ofício livrar-nos de outros ladrões; como se podem furtar a El Rei vinte mil cruzados e demandá-los por outros tantos.”

“Os maiores ladrões são os que têm por ofício livrar-nos de outros ladrões” não nos soa familiar? Nossa polícia corrupta.

Uma piada, para descontrair:

Ocorreu no Rio de Janeiro, ano passado, uma disputa de polícias do mundo todo. A prova final era encontrar um coelho no parque da Floresta da Tijuca. Na final, a Scotland Yard, a SWAT e a Polícia Militar do RJ.

A polícia inglesa inicia a prova. É solto o coelho na floresta e em 5 minutos, os policiais voltam com o coelho nas mãos, sem nenhum tiro dado. A seguir, a SWAT entra na mata com a explosão de granadas e volta com o coelho nas mãos, em 3 minutos. Para terminar, a Polícia Militar entra na mata, com alguns tiros de 38 e em 1 minuto volta com um porco nas mãos. O porco grita: “Sou um coelho! Sou um coelho!”. Recorde mundial.

Outra frase que nos chama a atenção fala sobre a nobreza dessa arte. Não precisa falar da nossa elite que contrata consultorias que encontram brechas na legislação para reduzir o número de impostos a pagar. É simples: o cliente fala “minimiza meus impostos” e os consultores têm que se desdobrar em mil para encontrar brechas. Criam empresas em outros estados, ou em outros países. Fazem vendas fictícias para as outras empresas vender. E assim vai….

Como dito no post anteior sobre a corrpução, o excesso de leis é fator primordial para a corrupção. “Crio dificuldades para vender facilidades”. Veja você, para um efetivo combate à corrupção, é necessária uma reforma em diversos setores: reforma tributária, reforma na polícia, na educação…

Fica a pergunta para vocês leitores: Como faço para contribuir com isso?

Para terminar, uma frase….

 A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios

Barão de Montesquieu

Faça algo pelo mundo hoje: não transgrida.

Abraços,

DC

Corrupção – parte 1

março 30, 2010

Ontem, ao chegar em casa, encontrei a revista “de história da Biblioteca Nacional” em casa. Edição de março do ano passado, com o tema de capa: Corrupção. Pensei: Como não vi essa revista antes? Comecei a folhear.

São 6 matérias que formam o dossiê sobre o tema principal. Elas abordam a dimensão histórica da corrupção. Você sabia que o termo “corrupção” mudou de significado ao longo do tempo? Essa é nova para mim também. Fiquei maravilhado com o novo conhecimento.

“A mente que se abre a uma nova ideia, jamais volta ao seu tamanho original” A. Einstein

Irei utilizá-los aqui como sementes de posts. Juntarei com outros textos e opiniões. Quem sabe uma música aqui, um aforismo para lá. Sempre juntando.

Começarei pelo primeiro texto do dossiê. Intitulado “Escola de Transgressão”, o texto de José Murilo de Carvalho, imortal desde 2005 e membro da Academia Brasileira de Ciências (peixe grande esse hein!) traça um histórico da corrupção, desde a monarquia até os anos 90.

Voltando a pergunta acima, o conceito de corrupção sofreu algumas modificações com o passar dos anos. Antes de 1945, quando se falava de corrupção, estavam referindo-se ao sistema, à organização do Estado.A frase “O governo é corrupto!” queria levantar as falhas inerentes ao sistema e não os governantes. A monarquia era considerada corrupta, porém D. Pedro II era reconhecido como uma pessoa correta pessoalmente.

Após 1945, a União democrática Nacional (UDN) voltou seus canhões e baterias contra a corrupção individual, contra a falta de moralidade das pessoas.

O Político
Dicró

Dei cimento, dei tijolo
Dei areia e vergalhão
Subi morro, fui em favela
Carreguei nenê chorão
Dei cachaça, tira-gosto
E dinheiro de montão
E mesmo assim perdi a eleição
Traidor, traidor
Se tem coisa que não presta é um tal do eleitor
Prometi a minha nega que ia ser a primeira dama
Porém quando eu perdi, ela perdeu ate a cama
E achei o meu retrato no banheiro da central
Vou da um coro no meu cabo eleitoral
Traidor, traidor
Se tem coisa que não presta é um tal do eleitor
Hoje eu tenho meus motivos, para estar injuriado
Porque eu só tive um voto e mesmo assim foi anulado
Só tem gente canalha, como tem gente ruim
Nem a minha mãe votou em mim
Ô mamãe eu me admiro a senhora
Se meus inimigos não votarem em mim tudo bem
Mas a senhora que depende de mim, não votar é sacanagem
Eu hein…
Os eleitores que não te conhecem, não votaram
Eu que te conheço vou votar? Ah! To fora…

Muito boa essa música do Dicró. Acho que tem muita mãe que não tá votando em seus filhos…

A tese principal do texto é que há um círculo vicioso da corrupção. Ele está baseado no excesso de leis. Com uma administração do Estado e poder legislativo repleto de juristas e seus hábitos de criar um mundo perfeito através de leis, não me admira esse excesso!

Transcrevendo o texto: “Nosso cipoal de leis incitá à trangressão e elitiza a justiça. A tentativa de fechar qualquer porta ao potencial transgressor, baseada no pressuposto de que todos são desonestos, acaba tornando impossível a vida do cidadão honesto. A saída que este tem é, naturalmente, buscar meios para fugir ao cerco. Cria-se o círculo vicioso..”.

O exemplo que ele usa é o código nacional de trânsito. Contran, Renavan, renach, Denatran, Jarí… Um arcabouço generoso de burocracias. Será que temos outros exemplos? A nossa previdência social…. O mais interessante é que o aparato legal não é adequado à realidade. Você acha adequado nosso Código de trânsito à realidade de nossas estradas, da polícia, das condições de trânsito…

Essa distância entre teoria e prática é incrível. Temos direito de ir e vir, de saúde, de livre-expressão. Bom, a saúde pública é caótica, a livre-expressão é ferida por exemplos como o do Estadão e o ir e vir…Vai chegar um pouco mais tarde em alguns lugares para ver o que acontece com você? Toque de recolher!!!! E não é o poder militar oficial que impõe isso!

Temos a cidadania política (o votar), mas não temos uma cidadania civil.

E aí? Como mudar isso tudo? Há mais um trecho do texto que fala sobre isso: “A camada social em melhor posição para perceber a transgressão e reagir contra ela é a que chamamos de classe média. É ela que está mais cercada pela lei em função de sua inserção profissional, é sobre ela que recai grande parcela dos impostos, é ela que menos se beneficia de políticas sociais. Além disso, graças à alta escolaridade, ela tem condições de desenvolver uma visão crítica da política e de seus agentes, de formar a opinião pública do país.”

Xeque mate! É a classe social que mais cresceu nos últimos anos!

www.fgv.br

Temos que manter a esperança! A corrupção é um fenômeno histórico. Ela está em mutação perpétua!

Se nada adiantar, o comentário de Capistrano de Abreu sobre a constituição resume tudo:

“A Carta Magna deveria ter somente dois Artigos:

Artigo 1º: Todo brasileiro é obrigado a ter vergonha na cara.
Artigo 2º: Ficam revogadas todas as disposições em contrário”.

Saudações,

DC