Archive for the ‘Vista de um ponto ou Ponto de Vista?’ Category

Qual é o valor da verdade?

maio 1, 2011

Ao vasculhar a blogosfera encontrei no blog Filosofia e Ética, de Regina Moraes, um texto bastante interessante sobre o que é a verdade. Reproduzo-o aqui para deleite e provocação dos leitores.

Nietzche dizia que fatos não existem, existem interpretações. Esta é uma definição muito interesante para elucidar o conceito de verdade.

Uma pessoa cética não acredita em nada, já uma pessoa dogmática acredita que suas idéias são as únicas corretas e que não precisa aprender mais nada, porque o que sabe lhe basta. Acredita que sabe tudo.

Podemos ver aí um conceito aplicado à verdade: aquele que acha que não precisa mais aprender, que não precisa ler ou ouvir mais ninguém porque ninguém tem nada a lhe ensinar, tem a certeza de que suas verdades são absolutas e únicas. Estas pessoas se acham certas em suas análises, porque apreendem a verdade de uma forma muito particular, que não aceita mais entrar no campo relacional.

O verbo apreender é muito interessante porque tem um sentido de perceber, de entender, de abarcar o que existe, e traz de certo modo o sentido de interpretar com o que se sabe.

Veja: uma sociedade possui suas leis e sua moral, no entanto quando se fala em dogmatismo e verdades não se põe em questionamento que quem pensa que estuprar é correto, tem a sua verdade. Não se trata disso em absoluto.

A questão é que verdades surgem quando vamos interpretar os fatos da vida cotidiana. Então alguém vai dizer: furtou um pão tem que enfrentar a cadeia. Outro vai dizer: O que leva uma pessoa a fazer isso: fome, filhos, desespero? Veja são interpretações diferentes do mesmo fato, que nos leva a afirmar que estas pessoas têm mentalidades diferentes, formas de apreender o contexto de formas diversas e portanto suas verdades são distintas.

O valor da verdade é que a partir de nossas interpretações sobre os fatos, a forma como pensamos se incorpora em nossas estruturas sociais e individuais, transformando vidas. A verdade tem valor e o seu rflexo nós sentimos na política, na educação, na economia, no dia a dia.

Outra questão importante é que estas pessoas que acreditam que o que pensam é a verdade absoluta, que não aceitam debater, não aceitam críticas às suas idéias, aos seus conceitos, porque acham que estão certas e que não vão mudar, e que ninguém pode lhes ensinar mais nada, elas estão em erro. Elas podem mudar, podem aprender coisas novas e sucessivamente evoluir. O erro é uma caracteristica da mente.
Não se deve confundir o erro com a mentira, pois quando uma pessoa que é Flamengo e diz que é Vasco porque está em meio à torcida vascaína, ela está mentindo, porque o que tem na mente dela é diferente do que fala. Marculino Camargo em seu livro Filosofia do conhecimento diz que erro é uma questão de lógica e mentira é uma questão moral.

É muito importante que nos grupos existam pessoas que pensem diferente, pois as soluções ficam mais ricas e as pessoas têm a grande possibilidade de aprenderem umas com as outras, numa circularidade que tem um efeito exponencial para a mente. Lidar com o erro de forma a extrair soluções criativas é uma habilidade gerencial, pois mesmo o dogmático que acredita que sua visão é a única que pode resolver problemas, se fizer parte de um grupo, pode contribuir com suas idéias. A gestão humana de recursos leva todos a participarem e leva a um mundo mais democrático, porque considera a diversidade de idéias um farol importante para uma ética de responsabilidade.
Fico com Fernando Pessoa em seu poema sobre a verdade:

A verdade, se ela existe…
Ver-se-á que só consiste
Na procura da verdade,
Porque a vida é só metade!

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A Felicidade Está no Realizar, e Não no Usufruir

abril 4, 2011

Hoje trago um trecho de “Cidadela” do ícone Antoine de Saint-Exupéry. Fonte:Citador

Nesse mundo de consumo e prazer na posse, vale a reflexão.

Atolavam-se na ilusão da felicidade que extraíam dos bens possuídos. Ora a felicidade o que é senão o calor dos actos e o contentamento da criação? Aqueles que deixam de trocar seja o que for deles próprios e recebem de outrem o alimento, nem que fosse o mais bem escolhido e o mais delicado, aqueles que ouvem subtilmente os poemas alheios sem escreverem os poemas próprios, aproveitam-se do oásis sem o vivificarem, consomem cânticos que lhes fornecem, e fazem lembrar os que se apegam às mangedouras no estábulo e, reduzidos ao papel de gado, mostram-se prontos para a escravatura.

Antoine de Saint-Exupéry, in “Cidadela”

O pensamento complexo e suas consequências

março 13, 2011

Nesse espaço de domingo tento construir um espaço de formação, informação e diálogo com os leitores desse Blog sobre uma nova ótica de ver o mundo. O pensamento complexo. Ele pressupõe uma visão mais abrangente do que essa nossa linearidade de causa e efeito. Sem essa mudança de cultura, dessa nossa forma de ver, não poderemos pensar em um futuro.

É bastante difícil encontrar textos que ajudem a criar esse espaço, pois também sou um iniciante e amador nesse tema. Vou tateando, devagarinho… Mas o mais importante é que eu vou.

Encontrei um pequeno texto no site TextoBR. Ele fala sobre as implicações desse modo de pensar novo. Tentava buscar algo mais aplicável para colocar hoje no Blog, e acho que encontrei. Segue:

Quais são as implicações do pensamento o complexo?
Em primeiro lugar, há um abalo nessa ideia antropocêntrica de supremacia do homem. É preciso repensar essa supremacia porque ela em si vai criando uma ideia de superioridade que deve ser colocada entre parêntese. Essa questão não é adstrita ao pensamento de Morin. Lévi-Strauss já fala isso em 1962. Anos antes de Morin publicar o primeiro volume do Método, ele [Lévis-Strauss] dizia que é preciso dissolver o homem na natureza, e é preciso dissolver a natureza nas condições fisicoquímicas. Essa implicação é, para a sociedade, do ponto de vista da cultura e do ponto de vista da ética. Se nós pensamos por territórios separados, a ética tende a ser relativizada demais. Se nós pensarmos por meio de territórios religados, a ciência, a política, a ética e a democracia serão vistas de outro prisma.

Então, penso que o pensamento complexo tem implicações políticas bastante sérias; por isso, não muito aquilatadas, por isso, não muito explicitadas. Mas acho que há uma esperança que esse tipo de pensamento represente uma forma de democracia representativa que não é a que temos agora. Do ponto de vista da biopolítica, teremos um avanço. Agora, como todo avanço, exige que as pessoas pensem de outra maneira. Pensar de outra maneira é a questão. Se se pensa de outra maneira […] em primeiro lugar, refletindo um pouco sobre aquilo que você faz durante a sua atividade. Morin chama isso de autoética. A ética de si, que tem, talvez na definição do [Immanuel] Kant, na Crítica, a sua definição mais fundamental. Lá, na Crítica, Kant diz o seguinte… Pergunta-se para ele: o que é a ética? Diz ele: a ética pode ser resumida numa simples frase: não faça ao outro aquilo que você não quer que seja feito par si mesmo. Se essa ética fosse aplicada na cultura, na política e na universidade, nós teríamos uma cultura, uma política e uma universidade diferentes.

Acho que consegui achar algo a mais para essa discussão.

Se alguém tiver indicações de colunistas para esse tema, por favor mandem!!

Sds,

DC

Blog Inspiração Coletiva

março 11, 2011

Pesquisando na blogosfera encontrei o Blog Inspiração Coletiva. Um Blog empresarial da Brastemp que tem como motivação inspirar as pessoas a olhar a vida de outra maneira.

Como os leitores desse blog sabem, essa é a proposta desse espaço.  Decidi ocupar o espaço das sextas-feiras (que estava bastante difícil manter atualizado) com um post deste Blog, obviamente fazendo todas as referências dos seus autores.

Nessa semana ocorreu o Dia Internacional da Mulher e este Blog esqueceu de fazer sua menção honrosa. Esqueceu até agora! Como primeiro post dessa nova coluna, transcrevo o post sobre uma mulher de ação! Mas primeiro colocarei aqui a descrição da proposta do Blog Inspiração Coletiva.

Que tal enxergar a vida de um jeito fora do óbvio? Assim é o Blog Inspiração Coletiva, um canal para inspirar as pessoas a olharem a vida de uma outra maneira.
Não importa o tema: seja arquitetura, gastronomia, atualidades, cultura ou qualquer outro assunto,
aqui você vai participar e ver tudo de um jeito diferente com as inspirações dos novos colaboradores: Helio de La Pena, Raphael Despirite, Pedro Tourinho e João Armentano.
Ah, e Fernanda Torres, Sarah Oliveira, Rosana Hermann, Henrique Fogaça e Arthur Casas continuam inspirando com posts às sextas-feiras.
Inspire-se no Blog Inspiração Coletiva. Porque inspiração muda tudo. E a vida fica assiiim… uma Brastemp.

Parabéns Brastemp pela iniciativa. DC

Inspiração em cor de rosa

Por Editor Brastemp

“As árvores foram parte essencial de minha vida e me ensinaram muitas lições. Elas são símbolos vivos de paz e esperança. Uma árvore tem suas raízes no chão e, mesmo assim, ergue-se para o céu. Ela nos diz que, para ter qualquer aspiração, precisamos estar bem assentados e que, por mais alto que possamos chegar, é de nossas raízes que tiramos nossa base de sustentação”. Wangari Maathai, bióloga queniana, sabe como ninguém o significado de ser mulher. E no sentido mais amplo da palavra, pois é uma mulher da África. Wangari contou, por meio de sua autobiografia Inabalável, a história de um continente em transição e de um um país colonial com raízes arraigadas, que sofreu mudanças drásticas com a globalização, tanto na identidade de seu povo, quanto no meio-ambiente.

Terceira de uma família de seis filhos, e a primeira menina depois de dois garotos,  a bióloga é mãe de três filhos e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2004. Primeira mulher africana a receber o prêmio, Wangari foi agraciada por inspirar o mundo na luta pelos direito democráticos e também pelo combate ao desmatamento. Seus projetos tem encorajado as mulheres de todo o globo a buscar uma condição de vida mais digna, a se superarem.

Na década de 1970, ela fundou um movimento batizado de Cinturão Verde, no Quênia, para proteger a biodiversidade e promover a sustentabilidade em seu país. O projeto criou empregos nas áreas rurais e foi transformador na vida de milhares de mulheres, que foram inseridas no mercado de trabalho. Por meio das ideias e da luta desta mulher inspiradora, mais de 30 milhões de árvores foram plantadas na África. Sua trajetória de superação se estendeu para diversos pilares. “Quando se começa a trabalhar seriamente em temas ambientais, a arena passa a ser os direitos humanos, os direitos das mulheres, os direitos ambientalistas, os direitos das crianças “, explicou a bióloga, demostrando seu desejo de abraçar o mundo, como uma mãe carinhosa.

Apesar da carapaça que todo grande revolucionário carrega, Wangari é mulher de verdade. Já se apaixonou, sofreu por amor, sonhou um planeta melhor para seus filhos. Celebramos hoje o Dia Internacional da Mulher com a certeza de que o mundo precisa de mais ternura.

Obrigado Rosana, Sarah e Fernanda, nossas mulheres inspiradoras, por colorirem este blog com seus olhares ímpares e tão femininos.

E a nossa homenagem é para todas as mulheres, que no seu dia a dia tem feito uma revolução pessoal, ensinando quem está ao seu redor a olhar a vida de um jeito diferente.

Porque não se trabalha no trabalho

fevereiro 15, 2011

Interessantíssimo o ponto de vista de Jason Fried. Isso explica muita coisa.

Porque não se trabalha no trabalho

Jason Fried tem uma teoria radical sobre o trabalho, que diz que o escritório não é um bom lugar para fazê-lo. Na TEDxMidwest ele apresenta os principais problemas (os chama de C&Rs) e oferece três sugestões para fazer o trabalho funcionar.

A felicidade pode ser comprada?

outubro 19, 2010

Vasculhando o portal do TED, encontrei esse vídeo onde o palestrante, um jornalista, teve a chance de experimentar diversas coisas que são as mais caras ou as mais exuberantes do mundo.  Pela sua apresentação, suas críticas nem sempre eram as melhores. Daí vem a pergunta: você precisa ter o mais caro para ser feliz?

Benjamin Wallace sobre o preço da felicidade

Abraços,

DC

Sobre as eleições cariocas

outubro 1, 2010

Publico aqui texto do Blog Ouro de Tolo sobre as eleições cariocas. O autor, meu colega Pedro Migão, é um exímio analisador das entrelinhas dos acontecimentos e crítico à pouca vergonha que acontece no Brasil hoje. Vale a pena ler.

As eleições cariocas vem se manifestando por uma previsibilidade espantosa nas eleições para Governador e por algumas boas e possíveis surpresas no pleito para o Senado.

O atual Governador Sérgio Cabral vem navegando em mares tranquilos desde o início da campanha. Ele reeditou no Estado a mesma coligação que sustenta a candidatura de Dilma Roussef no plano federal, composta pelo PMDB, pelo PT, PDT, PSB, PC do B e outros partidos menores.

Tenho restrições ao primeiro mandato – as quais escreverei abaixo – mas parece claro que a avaliação da população é de que os êxitos superaram amplamente os fracassos. Como principais pontos positivos, destacaria:

1) O excelente relacionamento com o governo federal

Depois de oito anos sendo tratado a “pão seco” pelo Governo Fernando Henrique Cardoso – o estado era o último colocado em repasses federais – verificou-se um entendimento constante entre o Governador e o Presidente Lula. Com isso, diversas obras e projetos com recursos federais foram desenvolvidos e iniciados, culminando com a conquista da fase final da Copa do mundo e, em especial, os Jogos Olímpicos de 2016.

Também deve-se ressaltar que estes investimentos tiveram um efeito indutor na criação de empregos no estado.

2) O bom desempenho da economia

Após anos de estagnação, o Rio de Janeiro foi o estado com o maior número de empregos criados no período, bem como aumento da massa salarial real constante. Novos investimentos, alguns ajustes na estrutura do ICMS e um bom relacionamento com a Petrobras, além da situação da economia brasileira como um todo permitiram a expansão econômica do estado de forma consistente neste período.

Ressalto o papel da Petrobras neste processo. A petroleira possui um peso fundamental na economia do estado, e sua recuperação empreendida pelo Governo Federal teve uma influência muito grande na economia do estado. Basta lembrar que a decisão de nacionalizar ao máximo as compras da empresa revitalizou a indústria naval carioca, permitindo a geração de empregos e o renascimento de uma tradicional atividade econômica do Rio de Janeiro.

Lembro ao leitor que o Comperj, complexo petrolífero a ser instalado em Itaboraí, irá proporcionar aproximadamente trezentos mil novos empregos, o que trará uma nova dinâmica econômica àquela região.

3) As UPPs

As Unidades de Polícia Pacificadora, em que pesem as várias ressalvas que eu faço, proporcionaram ao cidadão – em especial o formador de opinião – uma sensação de segurança que se revela agora nos índices de voto. Consideraria que a expansão do emprego e da renda também trouxe um efeito indutor da redução dos números de criminalidade, mas sem dúvida alguma as UPPs se converteram em eficientes instrumentos de propaganda.

4) UPAs

As Unidades de Pronto Atendimento trouxeram à saúde um efeito parecido com o produzido pelas UPPs. Avalio que estas unidades diminuíram a superlotação nos hospitais gerais e isto trouxe à população uma sensação de melhor e maior atendimento.

Negativamente, ressalto:

1) A Polícia e a Política de Segurança.

Os leitores assíduos sabem o quão crítico sou tanto da política de segurança quanto da Polícia. Prevalecem o extermínio, a força bruta e as execuções sumárias, muitas vezes de inocentes. Não se prendem bandidos a fim de não complicar para pessoas consideradas acima de qualquer suspeita. Mata-se.

Ressalto também uma certa complacência com o problema seríssimo das milícias, apesar do bom trabalho empreendido pela CPI da Assembléia Legislativa presidida pelo deputado Marcelo Freixo.

A Poícia, hoje, é uma questão seríssima, que só poderá ser resolvida com sua refundação. Matança, corrupção e “jogo duplo” são a constante hoje.

2) O PMDB

Os políticos que dão sustentação política ao governador são, no mínimo, polêmicos. Próceres como Jorge Picciani e Paulo Melo podem ser considerados verdadeiros “gênios financeiros”, pois adquiriram um patrimônio considerável depois da entrada na política. Picciani, hoje, é um dos maiores empresários do ramo de reprodução bovina do Brasil, dono de bois que chegam a valer na casa dos milhões.

O “rolo compressor” do governador na Assembléia Legislativa abafou muitas das denúncias contra os políticos em questão, mas esta é uma seara onde claramente há problemas. O padrão moral não é dos maiores, para se dizer o menos.

3) Educação

Em poucas palavras, muito pouco foi feito. Pode melhorar, e acredito que um retorno à idéia do Professor Darcy Ribeiro para os Cieps possa melhorar a questão com o ensino em tempo integral. Uma maior valorização dos professores também se faz necessária.

4) As blitzes de IPVA e “Lei Seca”

Muita pirotecnia e pouco resultado. Transtorno ao cidadão, que perde muito tempo na madrugada e se sujeita a arrastões como os verificados na Avenida Brasil. Blitzes de IPVA na hora do rush.

Chama a atenção o fato de quase 95% dos carros apreendidos nas operações de Lei Seca serem devido a problemas com IPVA e multas vencidas, não por causa de consumo excessivo de álcool.

Por outro lado, as demais opções são tíbias, para se dizer o menos.

Fernando Gabeira é um pastiche do político que tem a história de vida que representa. Se a eleição fosse para prefeito do Leblon se elegeria facilmente, mas sua plataforma elitista e excludente não encontra muito eco. Ele representa aquela fatia do eleitorado que advoga que pobre deve ser tratado pela Polícia, mendigo afogado no Rio Guandu, que a praia passasse a ser paga e que deveria ser erguido um muro entre as Zonas Sul e Norte. Gabeira jogou sua história no lixo ao aderir ao conservadorismo “neocon” mais deslavado.

Lembro também aos leitores que os filhos do ex-Governador Marcello Alencar seriam uma espécie de “eminência parda” em um eventual Governo Gabeira. Particularmente tenho calafrios só de imaginar estes dois sujeitos de novo com as chaves dos cofres públicos estaduais…

Seu xará Peregrino é uma espécie de “laranja” do ex-Govarnador Anthony Garotinho. Acho que não preciso escrever mais nada, o leitor compreende. E os demais candidatos representam propostas políticas muito particulares e não são representativos do quadro eleitoral carioca.

Confesso que este é o único voto em que tenho dúvida. Estou entre anular ou dar um “apoio crítico” ao atual governador, esperando que se dê uma guinada mais representativa à esquerda em seu segundo mandato – certo segundo as pesquisas de opinião.

A grande novidade está na eleição para o Senado.

Como vêem pela pesquisa ao lado (Ibope – 24/09) as esquerdas estão próximas de conquistar a primeira eleição majoritária no Rio de Janeiro desde 1998, quando Roberto Saturnino Braga se elegeu Senador pelo PSB. Da forma como havia previsto na série de artigos sobre a política carioca que escrevi em março, Lindberg Farias se mostrou um nome novo e com maior fôlego eleitoral para enfrentar a concorrência.

Confirmando sua eleição, Lindberg se torna um nome apto e com densidade eleitoral para suceder Sérgio Cabral no Governo do Estado em 2014. Parece que as esquerdas, e em especial o PT, finalmente irão começar a romper o predomínio da direita no quadro político carioca.

E isso pode ser medido de outra forma. De maneira surpreendente, e alvissareira, tudo indica que o ex-czar carioca Cesar Maia não se elegerá ao Senado, tendo, possivelmente, a carreira encerrada. Isto é uma grande notícia pois significa a queda do maior líder da direita carioca nos últimos quinze anos. Não parece haver um nome forte o suficiente para sucedê-lo – seu filho Rodrigo só deverá se reeleger deputado federal devido à saída de Índio da Costa do páreo, e Gabeira está no ocaso de sua vida – e este fato pode significar a criação de um vácuo de poder no estado.

A segunda vaga está mais perto do atual Senador Marcelo Crivella. Em que pesem suas ligações com a Igreja Universal do Reino de Deus, foi um fiel apoiador do Governo Lula e conseguiu passar incólume por diversos escândalos legislativos. O já citado Picciani cresce na reta final com o apoio maciço da máquina estadual, e não será uma surpresa se ele desbancar Crivella na reta final.

Voto em Lindberg e em Crivella, muito mais contra Cesar Maia e Picciani que a favor do Bispo. Seria interessante ver o atual Presidente da Assembléia Legislativa sem mandato, a fim de se destrancar os vários processos parados contra ele.

Finalizando, um panorama para as eleições proporcionais.

Estas são mais difíceis de se prever pois metade do eleitorado só define voto nas vésperas da eleição. Segundo estimativa do deputado Chico Alencar (PSOL), o quociente eleitoral exigido para um partido eleger um deputado deverá ser de 185 mil votos para deputado federal e 125 mil para estadual.

Isso cria problemas para o próprio PSOL, onde Alencar e Marcelo Freixo devem ter expressivas votações mas correm sério risco de não se reelegerem – a chapa restante não tem nomes expressivos eleitoralmente. No caso de Freixo, isso significaria risco de vida, devido à sua atuação contra as milícias.

Por outro lado, o ex-governador Garotinho deverá ser o mais votado para federal, e seus estimados 400 mil votos devem eleger mais um ou dois deputados pela sua coligação.

Last not but least, Dilma Roussef deverá ter uma votação expressiva no Rio de Janeiro. Os tucanos paulistas são odiados aqui – não sem motivo – e a propalada ‘onda verde’ não passa de minguadas seções eleitorais da Zona Sul. Dilma Roussef deverá ter algo entre 60 e 65% dos votos válidos no estado.

A pobreza da Democracia brasileira

setembro 12, 2010

Os leitores frequentes deste Blog sabem do interesse que esse humilde blogueiro tem nos textos do Leonardo Boff. Encontrei um interessantíssimo sobre nossa democracia. Estamos a beira de novas eleições e como já mencionei em posts anteriores, seria muito bem vindo refletir sobre a democracia que queremos.

A pobreza da democracia brasileira

Leonardo Boff 
Tempos de campanha eleitoral oferecem ocasião para fazermos reflexões críticas sobre o tipo de democracia que predomina entre nós. É prova de democracia o fato de que mais de cem milhões tenham que ir às urnas para escolher seus candidatos. Mas isso ainda não diz nada acerca da qualidade de nossa democracia. Ela é de uma pobreza espantosa ou, numa linguagem mais suave, é uma “democracia de baixa intensidade” na expressão do sociólogo português Boaventura de Souza Santos. Por que é pobre? Valho-lhe das palavras de uma cabeça brilhante que, por sua vasta obra, mereceria ser mais ouvida, Pedro Demo, de Brasília. Em sua Introdução à sociologia (2002) diz enfaticamente:”Nossa democracia é encenação nacional de hipocrisia refinada, repleta de leis “bonitas”, mas feitas sempre, em última instância, pela elite dominante para que a ela sirva do começo até o fim. Político é gente que se caracteriza por ganhar bem, trabalhar pouco, fazer negociatas, empregar parentes e apaniquados, enriquecer-se às custas dos cofres públicos e entrar no mercado por cima…Se ligássemos democracia com justiça social, nossa democracia seria sua própria negação”(p.330.333).

Essa descrição não é caricata, salvo as poucas exceções. É o que se constata dia a dia e pode ser visto pela TV e lido nos jornais: escândalos da depredação do bem público com cifras que sobem aos milhões e milhões. A impunidade grassa porque crime é coisa de pobre; o assalto criminoso aos recursos públicos é esperteza e “privilégio” de quem chegou lá, à fonte do poder. Entende-se porque, em contexto capitalista como o nosso, a democracia primeiro atende os que estão na opulência ou têm capacidade de pressão e somente depois pensa na população atendida com políticas pobres. Os corruptos acabaram por corromper também muitos do povo. Bem observou Capistrano de Abreu em carta de l924:”Nenhum método de governo pode servir, tratando-se de povo tão visceralmente corrupto com o nosso”.

Na nossa democracia, o povo não se sente representado nos eleitos; depois de uns meses nem mais sabe em quem votou. Por isso não está habituado a acompanhá-lo e a fazer-lhe cobranças. Ao lado da pobreza material é condenado à pobreza política, mantida pelas elites. Pobreza política é o pobre não saber as razões de sua pobreza, é acreditar que os problemas dos pobres podem ser resolvidos sem os pobres, só pelo assistencialismo estatal ou pelo clientelismo populista. Com isso, se aborta o potencial mobilizador do povo organizado que pode exigir mudanças, temidas pela classe política, e reclamar políticas públicas que atendam a suas demandas e direitos.

Mas sejamos justos. Depois das ditaduras militares, surgiram em toda América Latina democracias de cunho social e popular que vieram de baixo e por isso fazem políticas para os de baixo, elevando seu nível. A macroeconomia capitalista segue mas tem que negociar. A rede de movimentos sociais, especialmente o MST, colocam o Estado sob pressão e sob controle, dando sinais de que a democracia pode melhorar.

Vejo dois pontos básicos a serem conquistados: primeiro, a proposta de Boaventura de Souza Santos que é de forjar uma “democracia sem fim”, em todos os campos, especialmente na economia, pois aqui se instalou a ditadura dos patrões. Ela é mais que delegatícia, é um movimento aberto de participação, a mais ampla possível.

O segundo, é uma idéia que defendo há anos: a democracia não pode ser antropocêntrica, só pensando nos humanos como se vivêssemos nas nuvens e sozinhos, sem nos darmos conta de que comemos, bebemos, respiramos e estamos mergulhados na natureza da qual dependemos. Então, importa articular os dois contratos, o social com o natural; incluir a natureza, as águas as florestas, os solos, os animais como novos cidadãos que têm direitos de existir conosco, especialmente os direitos da Mãe Terra. Trata-se então de uma democracia sócio-cósmica, na qual os seres humanos convivem com os demais seres, incluindo-os e não lhes fazendo mal. O PT do Acre nos mostrou que isso é possível ao articular cidadania com florestania, quer dizer, a floresta respeitada e incluída no bem viver dos povos da floresta.

Utopia? Sim, no seu melhor sentido, mostrando o rumo para onde devemos caminhar daqui para frente, dadas as mudanças ocorridas no planeta e no encontro inevitável dos povos.

Leonardo Boff é teólogo e professor emérito de ética da UERJ.

O que nos diferencia dos animais?

agosto 6, 2010

Recebi um texto de uma amiga, Flávia Melo, que me chamou a atenção. Decidir publicá-lo e assim inaugurar a participação de outras pessoas aqui no Blog. Ela escreveu sobre a diferença entre irritabilidade e sensibilidade. Você sabe diferenciá-las?

” Me lembro bem , que ainda no ensino fundamental aprendi nas aulas de biologia a diferença entre sensibilidade e irritabilidade. E é bem simples: a irritabilidade é sua capacidade de reagir a algo, assim sempre que se tem um estimulo, instantaneamente se reage da forma programada. Ou seja, para o mesmo estímulo a mesma ação, sempre.

Traduzindo em prática: irritabilidade então pode ser vista sempre que uma mulher em período pré menstrual (ai a palavra se encaixa perfeitamente) vê um a chocolate e o devora. Instintivamente seu impulso é devora-ló. Indenpendente das promessas da ultima semana (até porque ela nem lembra disso), ela o faz.

Quanto a sensibilidade, é a capacidade de agir, ou seja, de a partir de um estimulo, selecionar qual a melhor ação a realizar. Nesse caso a ação é racional, consciente e pressupõe uma leitura completa da situação.

Traduzindo em prática: sensibilidade então pode ser vista sempre que uma mulher em período pré menstrual vê um a chocolate, pensa em devora-ló, pensa que aquele é um prazer momentaneo e seu objetivo é não engordar ou (como na maioria das vezes) emagrecer e não o faz. Instintivamente seu impulso é devora-ló, mas ela conscientemente não o faz.

Bom, mas por quê aprendemos isso na aula de biologia? Porquê o que nos diferencia dos demais animais é a nossa sensibilidade. Ainda sim , muitas vezes me questiono se muitos animais não agem com mais sensibilidade que muitos homens…

Por fim, sejamos mais humanos e como tal sensíveis.

Para finalizar segue a transcrição de pequeno texto:

“Quando reagimos a algo, estamos dando tapinhas em nosso instinto animal. Até onde sabemos, os animais não conseguem acessar aquela fração de segundos, antes de uma reação. Os desejos deles são compulsivos, assim como suas reações; eles vão atrás de gratificação instantânea.

Entretanto quando primeiramente pausamos ou restringimos nossas reações, estamos tocando em nossa “natureza Deus” (God nature). Estamos optando por não sermos mais o efeito de nosso desejo.Ao invés disso, estamos escolhendo ser a causa.

Restrição, a propósito, não significa que não decidiremos saciar aquele desejo, afinal de contas. Significa simplesmente que nós pausamos e fazemos uma decisão consciente.

Hoje, faça aquilo que você sempre faz. Mas tenha certeza de que você esta fazendo por escolha, e não por hábito.” YEHUDA BERG

Somos animais e humanos. Reagimos instintivamente e racionalmente. Será que há uma lista de situações que devemos agir institntivamente e outra lista de situações que devemos pensar antes de agir? Devemos pensar em tudo ou não pensar em nada e agir de forma animalesca?

Nem ao céu, nem a terra. Devemos buscar um equilíbrio. Às vezes, agir sem pensar produz efeitos incríveis, mas como a bebida, devemos usar com moderação.

Pense nisso.

Abraços,

DC

 

O que é “ponto de vista”?

agosto 4, 2010