Uma cidade soterrada

Hoje, o post do Blog Inspiração Coletiva, da Brastemp.

Em 1978, funcionários de uma companhia de eletricidade faziam escavações para realizar um cabeamento subterrâneo quando se depararam com uma grande pedra circular esculpida. Desconfiados de que aquela peça pudesse ter valor, acionaram arqueólogos que confirmaram a importância do objeto encontrado. Tratava-se de uma representação da deusa asteca Coyolxauhqui.

A descoberta levou a uma pesquisa mais profunda. Chegaram à conclusão de que havia mais coisa ali embaixo. E havia mesmo. Era o Templo Mayor, um enorme templo asteca do século 14. Toda a região foi expropriada, os prédios foram demolidos e o México trouxe à tona um valioso tesouro arqueológico.

Um desavisado, ao ver a enorme área esburacada com paredes quebradas no centro da capital mexicana, pode imaginar que eles estão se preparando pra sediar alguma Copa do Mundo. Trata-se, na verdade, de ruínas de Tenochtitlán, a capital da civilização asteca, que havia sido soterrada pelos espanhóis. Sobre ela ergueram suas construções, entre elas a Catedral Metropolitana.

Fico intrigado por que os espanhóis, depois de dizimarem os astecas, resolveram soterrar suas construções, tentando apagar qualquer vestígio da existência da antiga civilização.  Só vejo um motivo. O conquistador Hernán Cortes mandou destruir tudo depois de se irritar  porque não conseguia pronunciar nomes de deuses como Huitzilopochti Quetzalcoatl, Coyolxauhqui…

Os mexicanos viveram anos e anos sem ter ideia de que estavam andando sobre construções de uma antiga e avançada civilização. Ao visitar recentemente a cidade fiquei impressionado com o Templo Mayor. Não só pela dimensão do templo, como também pela coragem de promoverem tamanha desapropriação para revelar ao mundo uma parte relevante da História Universal.

Voltei ao Brasil pensando como essa iniciativa poderia nos inspirar a preservar e valorizar nosso patrimônio histórico.

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Uma resposta to “Uma cidade soterrada”

  1. André Monsores Says:

    Muito boa… cabe ressaltar que a última foto é de um túnel de esgoto construído no início do século 20, em torno de 1910, e que destruiu parte das ruínas, na época ainda enterradas. Este lugar é muito interessante e atualmente existe um museu ao lado das ruínas, onde inclusive está exposta a pedra com a imagem da Deusa Coyolxauhqui. É uma laje de cerca de 2,5×2,5 metros.

    A cidade de Tenochititlán se estendia por boa parte da atual cidade do México e era locada em uma ilha, no meio de um lago. A população na época de seu apogeu deve ter sido da ordem de 50 a 100 mil habitantes. Hoje, como existe a necessidade de obras de engenharia para reforço estrutural da catedral, tem sido feitas novas descobrtas sob a catedral, está sendo uma oportunidade de acessar um patrimônio sob outro patrimônio.

    A estratégia dos espanhóis não foi diferente de muitos outros povos dominadores, os próprios astecas já tinham dominado outros povos que existiam na região e implatado a sua cultura. A destruição dos templos e da religião dos povos pré-hispânicos fazia parte do plano de dominação e submissão, além disto, a cultura de sacríficios humanos espantou um pouco os espanhóis.

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