Precisamos de Religião

Amigos,

encontrei no Blog Inteligência Empresarial, do professo Marcos cavalcanti, um post bastante interessante sobre a necessidade de nos religarmos. Vou transcrever aqui. Vale a pena.

Embora tenha estudado em um colégio católico, sempre me defini como ateu. Demorei mas entendi: todos precisamos de religião.

Uma das etimologias possíveis da palavra religião é religare, ou religar. Uma das causas da crise econômica, ecológica, política e ética atual é a falta de religare…

Há séculos que nos ensinam que é preciso “dividir para governar”, que precisamos reduzir o tamanho dos problemas transformando-os em problemas menores e que todo sistema complexo pode ser entendido inteiramente à partir das propriedades das suas partes. Dentro desta linha de pensamento as descrições do mundo devem ser objetivas – isto é, independentes do observador e do processo de conhecimento e que existe uma verdade, que é a “verdade científica.”

Esta visão “científica” e cartesiana nos ajudou muito nos últimos dois séculos, mas hoje é um entrave ao avanço da humanidade.

Ao invés de separar, precisamos religare as pessoas, os assuntos, os problemas, para encontrarmos as soluções.

Não se produz conhecimento através de acúmulo de informações. Precisamos aprender a tecer os vínculos entre as diferentes informações e experiências humanas. Os problemas humanos não podem mais ser resolvidos de maneira unilateral e unidimensional, como se pertencessem a “disciplinas” ou “domínios” separados da atividade humana: política, economia, sociologia, ecologia… O sequenciamento do genoma humano foi uma obra coletiva de diferentes pesquisadores (biólogos, matemáticos, informáticos), o enfrentamento da questão ambiental só será efetivo se conseguirmos lidar com a interdependência de diversos fatores (econômicos, ambientais, sociais e políticos).

Todos os fenômenos que precisamos compreender interagem e dependem uns dos outros. Uma inteligência que procure compartimentá-los e tente quebrar a complexidade dentro da qual o mundo é criado será uma inteligência míope, fadada ao fracasso.

Precisamos reaprender a aprender. Não mais uma educação que nos faz acumular informação, separa e isola os problemas, mas uma educação que nos ensine a religar e contextualizar.

E precisamos fazer isto sem dogmatismo, aprendendo a dialogar com quem é diferente de nós. Será um caminho difícil e complexo? Provavelmente. A questão é: o que fazer? Podemos nos retrair, nos preocuparmos com outra coisa ou nos anestesiar, fingindo que não é comigo. Mais dia menos dia o problema vai bater na nossa porta, maior do que antes. Sofremos mais tentando evitar a dor do que com a dor em si. Quando temos coragem de sair da inércia e tentamos fazer algo, podemos não conseguir. Mas 100% das pessoas que conseguiram, tentaram…

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