Só muda de endereço

Não pude colocar o post  na sexta feira, porém escolhi um especial para celebrar o dia de hoje. O autor do texto é o conhecido humorista Helio de la Pena. Foi retirado do Blog Inspiração Coletiva. Realmente amor de mãe transpõem tudo. Baita Inspiração!

Mãe, Te amo.

Toda mãe paga mico. Mas ela não tá nem aí. Principalmente se estiver pensando no melhor pro seu filho. Mãe que é mãe gosta de pegar na bochecha do seu rebento e mostrar pras amigas dizendo: “Mas não é uma gracinha?”. Esquece até que a tal “gracinha” já tem quarenta anos. E ele que não reclame, sabe que se não fosse ela, ele não existiria.

Como todas, minha mãe não poupou esforços pra me ver bem na vida. Fez o que estava ao seu alcance. Como era professora, sua preocupação era 100% com a minha educação. Estava nos primeiros anos do ensino básico (ia falar primário, mas podia denunciar minha idade – e a da minha mãe!) e ela já me obrigava a levar a sério os estudos. E o pior é que não era só eu, meus amigos também! Se alguém batesse lá em casa pra me chamar pra uma pelada, fazia o garoto entrar. Só depois que meu amigo resolvesse um problema ou fizesse pelo menos umas contas de somar e subtrair ela me liberava pra brincar. Em pouco tempo o pessoal da rua percebeu que era cilada tocar a campainha da minha porta. Tinha que fazer meus deveres de casa e sair pelo bairro procurando meus amigos.

Hoje entendo sua atitude e a gratidão das mães dos meus colegas que passaram a tarde fazendo tarefas escolares. Mas na época só pensava na zoação que ia sofrer quando encontrasse a galera.

Um outro caso ligado à minha educação virou folclore na minha biografia. Estudava numa escola pública quando passei para o ginásio (pronto, já descobriram que não tenho vinte e cinco anos!). O ensino no colégio estadual era um desastre, quase não tinha aula, o que eu achava ótimo. Desesperada, minha mãe procurou o Colégio de São Bento.

O ano letivo já tinha começado, portanto não havia mais como ser matriculado. Entretanto, ela não desistiu. Marcou uma entrevista com o reitor, na época, Dom Lourenço. Explicou-lhe minha situação. Dom Lourenço abriu uma exceção e permitiu que eu fizesse um exame de admissão mesmo fora da época.

Minha mãe agradeceu, mas ressaltou: “Olha, Dom Lourenço, somos uma família humilde, não temos condição de pagar um colégio tão caro.”

“Se o seu filho for bem no exame, nós lhe damos uma bolsa de estudos” – respondeu ele.

Minha mãe ficou aliviada. Vislumbrou a possibilidade de me colocar numa escola da elite. Mas, receosa e sem conhecer direito o lugar para onde estava me levando, acrescentou: “Obrigada, Dom Lourenço. Mas… nem sei como dizer isso. É que… é que…”.

“Sim? Pode falar, minha senhora. Qual o problema?” – perguntou o reitor.

“Bem, eu vou dizer. É que meu filho, ele… bem, o meu filho é negro.”

Dom Lourenço olhou pra minha mãe e desabafou: “Bom, isso eu já imaginava, Dona Ruth…”. E assegurou que isso não seria problema algum.

Esse fato mostra que minha mãe não tinha a noção exata da mudança que iria provocar na minha vida, mas tinha certeza de que era pro meu bem. Uma atitude inspirada que até hoje agradeço.

Tags: ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: