Qual é o valor da verdade?

Ao vasculhar a blogosfera encontrei no blog Filosofia e Ética, de Regina Moraes, um texto bastante interessante sobre o que é a verdade. Reproduzo-o aqui para deleite e provocação dos leitores.

Nietzche dizia que fatos não existem, existem interpretações. Esta é uma definição muito interesante para elucidar o conceito de verdade.

Uma pessoa cética não acredita em nada, já uma pessoa dogmática acredita que suas idéias são as únicas corretas e que não precisa aprender mais nada, porque o que sabe lhe basta. Acredita que sabe tudo.

Podemos ver aí um conceito aplicado à verdade: aquele que acha que não precisa mais aprender, que não precisa ler ou ouvir mais ninguém porque ninguém tem nada a lhe ensinar, tem a certeza de que suas verdades são absolutas e únicas. Estas pessoas se acham certas em suas análises, porque apreendem a verdade de uma forma muito particular, que não aceita mais entrar no campo relacional.

O verbo apreender é muito interessante porque tem um sentido de perceber, de entender, de abarcar o que existe, e traz de certo modo o sentido de interpretar com o que se sabe.

Veja: uma sociedade possui suas leis e sua moral, no entanto quando se fala em dogmatismo e verdades não se põe em questionamento que quem pensa que estuprar é correto, tem a sua verdade. Não se trata disso em absoluto.

A questão é que verdades surgem quando vamos interpretar os fatos da vida cotidiana. Então alguém vai dizer: furtou um pão tem que enfrentar a cadeia. Outro vai dizer: O que leva uma pessoa a fazer isso: fome, filhos, desespero? Veja são interpretações diferentes do mesmo fato, que nos leva a afirmar que estas pessoas têm mentalidades diferentes, formas de apreender o contexto de formas diversas e portanto suas verdades são distintas.

O valor da verdade é que a partir de nossas interpretações sobre os fatos, a forma como pensamos se incorpora em nossas estruturas sociais e individuais, transformando vidas. A verdade tem valor e o seu rflexo nós sentimos na política, na educação, na economia, no dia a dia.

Outra questão importante é que estas pessoas que acreditam que o que pensam é a verdade absoluta, que não aceitam debater, não aceitam críticas às suas idéias, aos seus conceitos, porque acham que estão certas e que não vão mudar, e que ninguém pode lhes ensinar mais nada, elas estão em erro. Elas podem mudar, podem aprender coisas novas e sucessivamente evoluir. O erro é uma caracteristica da mente.
Não se deve confundir o erro com a mentira, pois quando uma pessoa que é Flamengo e diz que é Vasco porque está em meio à torcida vascaína, ela está mentindo, porque o que tem na mente dela é diferente do que fala. Marculino Camargo em seu livro Filosofia do conhecimento diz que erro é uma questão de lógica e mentira é uma questão moral.

É muito importante que nos grupos existam pessoas que pensem diferente, pois as soluções ficam mais ricas e as pessoas têm a grande possibilidade de aprenderem umas com as outras, numa circularidade que tem um efeito exponencial para a mente. Lidar com o erro de forma a extrair soluções criativas é uma habilidade gerencial, pois mesmo o dogmático que acredita que sua visão é a única que pode resolver problemas, se fizer parte de um grupo, pode contribuir com suas idéias. A gestão humana de recursos leva todos a participarem e leva a um mundo mais democrático, porque considera a diversidade de idéias um farol importante para uma ética de responsabilidade.
Fico com Fernando Pessoa em seu poema sobre a verdade:

A verdade, se ela existe…
Ver-se-á que só consiste
Na procura da verdade,
Porque a vida é só metade!

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