Archive for maio \31\UTC 2011

Matar árvores é assassinato

maio 31, 2011

Nessa terça-feira, com atraso, abriremos espaço para uma pequena homenagem a um cidadão que fazia diferença.

Líder ambientalista no Pará, ele trabalhava em prol da conservação da mata. Cada arvóre cortada é um assassinato: sua apresentação no TEDxAmazônia.

Este Blog, desde o início, incentiva a não passividade.  E ele é um grande exemplo disso.

Fonte: TEDx Amazônia.

Não consegui achar o link do vídeo, mas encontrei sua palestra escrita. Vale a pena ler.

Eu vou iniciar a minha palestra contando uma história do local onde eu vivo, do meu município, e um pouco da minha história de vida até a data de hoje.

Em 97, foi criado no município de Nova Ipixuna o primeiro PAE, Projeto de Assentamento Extrativista, Praia Alta Piranheira.

A gente tinha uma cobertura vegetal de 85% de floresta nativa a qual concentrava castanha e cupuaçu.
Hoje, com a chegada das madeireiras, das gozeiras que chegaram para Marabá, hoje, resta pouco mais de 20% dessa cobertura já fragmentada em muitos lugares.
É um desastre para quem vive do extrativismo como eu, que sou castanheiro desde os 7 anos de idade, vivo da floresta, protejo ela de todo o jeito.

Por isso eu vivo com a bala na cabeça a qualquer hora.

Porque eu vou para cima, eu denuncio os madeireiros, denuncio os carvoeiros, e por isso eles acham que eu não posso existir.
A mesma coisa que fizeram no Acre com o Chico Mendes, querem fazer comigo.
A mesma coisa que fizeram com a Irmã Dorothy, querem fazer comigo.
Eu posso estar hoje aqui, conversando com vocês, daqui a um mês, vocês podem saber a notícia que eu desapareci.
Me pergunto: tenho medo? Tenho. Sou ser humano, tenho medo.
Mas, o meu medo não empata de eu ficar calado!
Enquanto eu tiver força para andar, eu estarei denunciando todos aqueles que prejudicam a floresta!
Essas árvores que têm na Amazônia, são as minhas irmãs.
Eu sou filho da floresta.
Eu vivo delas, dependo delas, faço parte delas.
Quando eu vejo uma árvore dessas em cima de um caminhão indo para a serraria, me dá uma dor.
É o mesmo de eu estar vendo um cotejo fúnebre levando o ente mais querido que você tem!
Por quê? É vida.
É vida para mim, que vivo na floresta, é vida para todos vocês que vivem nos centros urbanos!
Porque ela está lá purificando o ar, ela está lá dando o retorno para nós.
E o desmando, por causa de um conjunto de gentes que só pensam no capital, pensam só neles, não pensam nas futuras gerações, não pensam em nada.
Estão fazendo o quê estão fazendo no nosso município.

É uma vergonha porque não se acha uma ação corajosa para resolver esse problema.

Esse é o entrave.
O meu objetivo, como eu vivo da floresta, como eu sobrevivo dela.
Essa castanheira, como eu sou castanheiro desde pequeno, vendia “in natura”.
Como o preço despencou, e eu tenho que sobreviver, agora eu estou industrializando ela no meu próprio lote.
Eu faço óleo, um óleo de primeira qualidade, rico em selênio, bom para fazer todo o tipo de comida, frituras e tudo, e se usa como óleo de oliva na salada.
O resíduo chama-se bagaço, se faz sorvete, biscoito, o quê a sua imaginação der para fazer para comer.
Isso já está indo para o mercado aos poucos.
O pessoal da universidade, pessoal da CPP, CNS, Belém, estão me comprando direto esse óleo, porque além de ser bom para comer, é ótimo remédio.
Como vocês sabem, que o selênio combate câncer.
Agregando valor à floresta, a floresta, ela tem que ser preservada de qualquer maneira.
Porque tudo que existe na floresta é rentável e dá dinheiro!
Eu sou artesão em cipó.
Se o negócio está preto, eu vou lá e tiro o cipó e faço 10 cestas.
Eu faço 100 reais, dez cestas que eu faço num dia.
Cestinha pequena.
Se for uma cesta maior, se faz 20 reais de uma para outra, faz 200 reais.
E ela está lá, continua me dando, no dia que eu quero, eu vou lá e apanho.
Agora, o cara só acha que ela só dá recurso se for derrubada, se for queimada, se produzir carvão.
Isso me deixa triste.
Agora eu vou fazer um pedido para vocês todos que estão aqui.

Quando vocês forem comprar alguma coisa que seja derivada de madeira, que seja derivada da floresta, procurem a origem. Só assim nós vamos começar a frear uma coisa que a gente não consegue lá no mato.

Se você começar a dizer não para as madeiras duvidosas, que não tem procedência, que não tem origem, o mercado começará a enfraquecer e eles verão que não está dando mais resultado.
Ou eles se enquadram dentro da lei, ou fecham as portas.
Agora, enquanto existirem quem compre madeira ilegal, quem compre coisas ilegais vindas da floresta, isso vai continuar.
E quem vai ficar perdendo somos nós que vivemos na floresta e vocês que, mais tarde não terão, porque ela acabará um dia.
E se acabar, como é que o pessoal, como é que nós vamos viver?
Primeiro de tudo: acaba a água.
Primeiro de tudo: não vai dar mais alimento.
Vai faltar a chuva, como já foi falado aqui, pelos outros palestrantes que me antecederam.
São coisas para pensar, são coisas para a gente colocar a cabeça no travesseiro e ficar é viável, desmatar? Não!
Ela é viável em pé!
É uma coisa que você não água, você não coloca adubo, você só tem o trabalho de ir buscar o quê ela produz.
Lá, na minha pequena propriedade, eu produzo óleo de castanha, manteiga de cupuaçu, polpa de cupuaçu, faço artesanato em cipó e em madeira, agora, eu aproveito as madeiras que a natureza derruba.
As que a natureza põe no chão para mim, eu vou lá e aproveito ela e, no lugar daquela que caiu, eu planto outra.

Porque no dia em que eu me for, vai ficar a minha continuidade aí, ficarão outras pessoas que virão e querem a mesma coisa que eu tenho hoje.

Então, a floresta é sustentável duas vezes mais em pé do que derrubada, porque quando você derruba, você só tem uma vez, e quando você deixa ela em pé, você tem ela para sempre.
Você tem hoje, amanhã, você vai embora, ficam outras pessoas que vão se usufruir do mesmo jeito que você, e vai viver bem.
Será possível que é esse aí o futuro da Amazônia!?
Será possível que esse aqui é o futuro do planeta!?
Eu acho que isso, nós não queremos, nem hoje.
E os que vêm depois?
Pegarão uma coisa dessas? Desfigurada, morta? É coisa para analisar, é coisa para pensar. Se é isso que nós queremos.
Não! Está nas nossas mãos e a gente tem o futuro pela frente e deve decidir se nós queremos isso aí, ou aquela imagem primeira, que foi colocada.
Muito obrigado.

O Brasil é menor com a sua perda.

DC

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Todos querem viver à custa do Estado

maio 30, 2011

Agora fez sentido muita coisa sobre o Brasil…

Monumento à Incompetência

maio 28, 2011

Em 1999 o corpo do alpinista inglês George Mallory foi encontrado a cerca de 8.200 metros de altitude no monte Everest. Mallory desapareceu em junho de 1924 quando estava próximo ao cume. Uma afirmação de um dos alpinistas que encontrou o corpo me chamou a atenção:

“Fiquei impressionado com as roupas que ele usava. Hoje em dia, no inverno, qualquer pessoa caminhando pelas ruas de Seattle está mais protegida do que Mallory no Everest em 1924.”

Lembrei-me dessa história durante uma visita que fiz a uma empresa na qual fui recebido pelo principal executivo, que fez questão de se identificar como CEO – Chief Executive Officer. Bonito né? Depois fui apresentado para o CMO, o CFO e o COO, executivos de marketing, finanças e de operações, respectivamente. Todos jovens MBAs formados no exterior.

Ao percorrer a empresa passamos por salas vazias, mesas vazias e grandes áreas vazias. E os jovens CEO, CFO, CMO e COO diziam com orgulho: “Isto aqui já esteve apinhado de gente. Fizemos uma reestruturação ao longo dos últimos dois anos e reduzimos em 45% o numero de pessoas, enquanto nossa produtividade cresceu 22%! Fazemos questão de deixar esses lugares à vista de todos. São nosso Monumento à Incompetência.” 

Em minha palestra O Meu Everest afirmo que um dos ensinamentos mais importantes da viagem ao Campo Base da maior montanha do mundo foi aprender que, a cada vez que olhasse para cima, eu deveria olhar cinco vezes para baixo. Quem pratica montanhismo sabe do que estou falando. Quando você está no pé da montanha e olha a trilha que vai subir, dá um frio na barriga. Você vê as pessoas lá em cima, como formiguinhas, e sabe que para chegar lá terá que fazer uma escalada de oito, nove horas. Então ataca a montanha. Um passinho aqui… outro ali… num processo penoso. Quando olha para cima, percebe que seu objetivo ainda está muito longe, mas ao olhar para baixo a mágica acontece. Você descobre que o campo base de onde saiu está láááááá embaixo. Cada olhada para baixo dá a certeza de que você progrediu, gerando energia para subir mais. Isso é automotivação: a certeza do progresso nos empurra para cima.

O que aqueles jovens COs chamaram de “Monumento à Incompetência” é na verdade a lembrança dos pioneiros que, com a carga às costas, sem computadores, celulares e internet, assumiram o risco de sair lá do “campo base” para desenvolver o negócio que eles hoje dirigem. Avaliar o passado pelas lentes do presente e chamar de “incompetência” o esforço das pessoas que passaram pelos anos de hiperinflação, incertezas, regime fechado, tecnologias rudimentares, abertura econômica e dólar alto é como observar hoje as roupas de George Mallory e achar que ele era um incompetente. Não era. Usou o que havia de melhor na época e por pouco não atingiu seus objetivos.

Parabenizei os COs pelo sucesso e deixei com eles uma recomendação:

– Rebatizem os “Monumentos à Incompetência” como “Memoriais aos Heróis do Passado”. Foram eles que trouxeram vocês até aqui em cima.

Luciano Pires

Quem somos

maio 26, 2011

Quem somos, senão o que imperfeitamente
sabemos de um passado de vultos
mal recortados na neblina opaca,
imprecisos rostos mentidos nas páginas
antigas de tomos cujas palavras

não são, de certo, as proferidas,
ou reproduzem sequer actos e gestos
cometidos. Ergue-se a lâmina:
metal e terra conhecem o sangue
em fronteiras e destinos pouco

a pouco corrigidos na memória
indecifrável das areias.
A lápide, que nomeia, não descreve
e a história que o historia,
eco vário e distorcido, é já

diversa e a si própria se entretece
na mortalha de conjecturados perfis.
Amanhã seremos outros. Por ora
nada somos senão o imperfeito
limbo da legenda que seremos.

Rui Knopfli, in “O Corpo de Atena”

Idéias para erradicar a miséria – sistema único de assistência social

maio 25, 2011

Seguindo com a divulgação das idéias para erradicar a miséria, conteúdo produzido pelo IPC-IG da ONU, a temática dessa semana é sobre um sistema único de assistência social. Ao meu ver, é importantísso ter consolidado todas as informações sobre as ações de assitência social em um único sistema, possibilitando uma visão integrada e a identificação de gaps.

CAPÍTULO 4: Sistema Único de Assistência Social

Coordenar programas de proteção social em diferentes ministérios e unidades do governo é um desafio em qualquer país. No Brasil, o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) é responsável pela coordenação da política social em todo o país. O SUAS é um sistema público que organiza, de forma descentralizada, a gestão dos programas socias, sendo coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). O Brasil também possui câmaras interministeriais e mecanismos formais de coordenação, como o CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional), o Conselho Nacional da Assistência Social, e os Conselhos Estaduais. Esses conselhos, muito mobilizados no Brasil, são complementados por uma coordenação local onde a Proteção Social Básica é administrada pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), que trabalham como pontos focais de uma rede local de serviços de assistência social, dando orientação para as famílias sobre como acessar os serviços. As unidades do CRAS atuam em paralelo com os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) em casos mais graves envolvendo abuso sexual, trabalho infantil e pessoas desabrigadas. Esses mecanismos de coordenação são complementados pelo trabalho feito pelo Programa Bolsa Familia, que articula vários programas e, desse modo, aumenta a integração da transferência de renda com outras iniciativas.

Além do Brasil, o Chile e a Colômbia também são casos relevantes na integração de programas de proteção social. Ambos têm dado a seus respectivos Ministérios do Planejamento um forte papel na coordenação dos programas, apresentando também uma base de dados de beneficiários que permite mapear a vulnerabilidade e garantir que os esforços converjam para as pessoas que mais precisam das políticas. As várias experiências na América Latina apresentam algumas características em comum: a importância de um forte ministério no comando da proteção social e responsável pela gestão de um órgão interministerial para a coordenação dos programas; a colaboração dos governos locais para garantir a integração das iniciativas (famílias são direcionadas aos pontos focais e assistentes sociais têm acesso a informações de vários programas); e uma base de dados compartilhada sobre vulnerabilidade, em que diferentes ministérios usam a mesma fonte de informações para selecionar os beneficiários.

Segue link para o vídeo:

Capítulo 4: Sistema Único de Assistência Social

Bom dia!

DC

Estamos prontos para uma nova evolução?

maio 24, 2011

Na coluna do TED de hoje, o médico Harvey Fineberg traz a seguinte questão:

e se consegíssemos nos alterar geneticamente, para sermos mais bonitos, atléticos, criativos? Com certeza seria um mundo completamente diferente.

Harvey Fineberg, especialista em ética médica, nos mostra três caminhos para a espécie humana em evolução constante: parar de evoluir por completo, evoluir naturalmente – ou controlar os próximos passos da evolução humana, usando modificações genéticas para nos tornar mais espertos, rápidos e melhores. A neo-evolução está ao nosso alcance. O que vamos fazer com ela?

Harvey Fineberg: Estamos prontos para a neo-evolução?

Um vídeo que com certeza vai fazer você pensar…

Sds,

DC

O dinheiro

maio 22, 2011

“O que o dinheiro faz por nós não compensa o que fazemos por ele.”

Gustave Flaubert

A velha guarda

maio 21, 2011

Ladies and Gentlemen, Luciano Pires.

Compareci a um jantar em homenagem a um colega que estava se aposentando após dirigir por anos uma empresa que fazia parte do grupo no qual trabalhei por 26 anos. Um convite irresistível: fui para Porto Alegre exclusivamente para rever amigos queridos que eu não encontrava já fazia um bom tempo. Imaginei que seria um jantar para uma dezena de pessoas e me deparei com uma centena!

Fui recebido com uma profusão de sorrisos e abraços, cabelos brancos, barrigas e traços envelhecidos, mas o mesmo calor humano. Quando entrei na sala de jantar fui encaminhado para uma mesa reservada.
A mesa da velha guarda.

Fiquei entretido no bate papo e quando o evento começou, várias referências foram feitas à mesa onde eu estava, à velha guarda. Todos com mais de 60 anos. Eu era o caçula, com meus 55. Somamos o tempo de experiência profissional de cada um e deu uns 500 anos!

Velha guarda…

Perdi a conta de quantos eventos participei ao longo da minha carreira, sempre com uma mesa para a velha guarda, que eu observava com curiosidade. Agora era minha vez. Olhei aquela moçada toda nos observando e senti uma sensação estranha, misto de angústia com perplexidade.

“Velha guarda” foi uma bofetada.

Enquanto eu assistia ao vídeo em homenagem ao colega que deixava a empresa, minha carreira passava diante de meus olhos. Lembrei-me da ansiedade com que, aos 26 anos de idade, caprichei na feitura de meu “curriculum vitae” para tentar emprego numa multinacional, 30 anos atrás! Então veio à minha mente Rubem Alves, sempre ele, que um dia escreveu:

“Um curriculum vitae é uma enumeração dos lugares por onde se passou, na correria da vida. As coisas que ele registra não existem mais. O que é passado está morto. Assim, na minha homepage, ao invés de curriculum vitae eu escrevi curriculum mortis, porque eu não sou o meu passado. Eu sou o meu agora”. Naquele momento mudei minha atitude. Para mim, aquela deixou de ser a mesa da velha guarda para ser a mesa onde estavam velhos amigos cheios de planos, sonhos e com energia para fazer acontecer.

Tudo que fiz em minha carreira serviu para construir minha história, para definir quem eu sou e do que sou capaz. Sou grato àqueles que me homenageiam pelo meu passado, que reconhecem minha contribuição, aos que valorizam o tempo que permaneceram ao meu lado, aos que acham que aprenderam algo comigo.  

Mas isso passou. Não existe mais. O que importa é o que eu farei amanhã.

Me aguardem.

Luciano Pires

A professora que ensina

maio 20, 2011

Essa semana um discurso deu o que falar. Não é sobre o apoio do Obama sobre o estado palestino (aliás também é um discurso interessante). É de uma professora do rio Grande do Norte, chamada Amanda Gurgel.

Com propriedade, ela discursou e mostrou o que temos visto a muito tempo. A falta de prioridade da educação.

Com apenas 3 dígitos, R$ 930 (seu salário básico), e muita informação do dia-a-dia (Transporte, salas lotadas e sem infra-estrutura, falta de um plano de cargos e salários adequado..), ela quebrou todas as estatísticas e pseudo-planos que a secretária de educação mostrou. As estatísticas não mostram a realidade.

Vídeo

Parabéns professora.

Parabéns professores!!! Vocês são verdadeiros heróis.

Sds,

DC

Vida

maio 19, 2011

Sempre a indesencorajada alma do homem
resoluta indo à luta.
(Os contingentes anteriores falharam?
Pois mandaremos novos contingentes
e outros mais novos.)
Sempre o cerrado mistério
de todas as idades deste mundo
antigas ou recentes;
sempre os ávidos olhos, hurras, palmas
de boas-vindas, o ruidoso aplauso;
sempre a alma insatisfeita,
curiosa e por fim não convencida,
lutando hoje como sempre,
batalhando como sempre.

Walt Whitman, in “Leaves of Grass”