Elegia da Esperança

Em respeito à catástrofe no Japão…

Elegia da Esperança

1

Disperso disseste disseste não obstante
a treva que enquanto refresca renasce
disseste que trava e que rasga e obsta
disseste uma dor disseste
um sistema e agora de noite
relembro essa treva narrada depois
de a carne rasgar

Memória disseste e relembro e canto
e daqui te chamo pois relembro o mar
derramo e contanto que a noite levante
disperso direi disseste estarás

2

Moves as palavras que palavras são
encontro diante distante e saudade
moves as palavras agora que
o mundo pois alastra e esquece
em todas as noites do corpo contando
que corpo contém palavras mais que
continente é pois distância palavra
quanto mais um homem dizendo palavras
disperso na terra na noite do mar
quanto mais de sangue depois de dizer
que a treva se faz e pode lembrar
e pode esquecer e pode a esperança
renascer ainda que disperso canse
e cante disperso diante do mar

Gastão Cruz, in “A Doença”

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