Archive for março \31\UTC 2011

Viver

março 31, 2011

Mas era apenas isso,
era isso, mais nada?
Era só a batida
numa porta fechada?

E ninguém respondendo,
nenhum gesto de abrir:
era, sem fechadura,
uma chave perdida?

Isso, ou menos que isso
uma noção de porta,
o projecto de abri-la
sem haver outro lado?

O projecto de escuta
à procura de som?
O responder que oferta
o dom de uma recusa?

Como viver o mundo
em termos de esperança?
E que palavra é essa
que a vida não alcança?

Carlos Drummond de Andrade, in ‘As Impurezas do Branco’

Morre um Cidadão brasileiro

março 30, 2011

Pequena homenagem deste Blog a um Cidadão Brasileiro (com “C” maiúsculo).

1931-2011

Reinventar a educação

março 29, 2011

Salman Khan fala sobre como e porquê ele criou a incrível Khan Academy, um série de vídeos educacionais cuidadosamente estruturada que oferece matérias completas de matemática e, agora, de outras disciplinas. Ele mostra o poder dos exercícios interativos, e pede que os professores considerem inverter o modelo tradicional da sala de aula – dar aos estudantes vídeo-aulas para assistir em casa, fazer a ‘lição de casa’ na sala de aula com o professor disponível para ajudar.

Salman Khan: Vamos usar o vídeo para reinventar a educação

Pense diferente. Contribua.

DC

 

Cordel do BBB

março 28, 2011

Hoje, especialmente, não teremos o aforismo de segunda. Recebi esse poema de cordel SENSACIONAL (Obrigado Beatrix!) e não pude deixar de colocá-lo imediatamente.

Literatura de cordel é um tipo de poema popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos rústicos ou outra qualidade de papel, expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome originado em Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. No Nordeste do Brasil, o nome foi herdado (embora o povo chame esta manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não perpetuou. Ou seja, o folheto brasileiro poderia ou não estar exposto em barbantes. São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores. Fonte Wikipedia.

BIG BROTHER BRASIL
Autor: Antonio Barreto,
Cordelista natural de Santa Bárbara-BA,residente em Salvador.

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

Competência moral

março 26, 2011

Ladies and Gentlemen, Luciano Pires.

Durante um almoço antes de uma de minhas palestras, meu amigo Nelson Bastos conta que foi aos Estados Unidos nas férias. No programa, “assistir com meu filho a um jogo de basquete da NBA em Orlando, no Amway Arena, um espetacular ginásio de esportes”. Ainda no Brasil, Nelson comprou os ingressos pela internet e embarcou para Nova Iorque. No dia de ir para Orlando, uma nevasca impediu o vôo e eles perderam o jogo. Diante do inevitável, Nelson fez o que todos nós brasileiros fazemos: conformou-se.

Alguns dias depois, já de volta ao Brasil, ele recebe um email da Amway Arena dizendo que perceberam que ele não foi assistir ao jogo. E gostariam de saber a razão. Surpreso, Nelson relatou o acontecido. Mais surpreso ainda, recebeu uma resposta dizendo que o ingresso que ele havia comprado incluía um seguro para casos assim. E perguntando:

– O senhor gostaria de utilizar o seguro? 

Nelson concordou e recebeu pelo correio um cheque de cerca de 120 dólares, cobrindo o prejuízo com o qual ele estava conformado.

Putz! Para nós que temos que sair no tapa para tirar o bicão da cadeira numerada que adquirimos nos principais estádios do Brasil pagando uma pequena fortuna; que temos que usar um banheiro imundo; que pagamos uma nota para um guardador de carros não riscar nosso automóvel; que corremos risco de vida a cada vez que vamos a um estádio, o relato do Nelson é peça de ficção. Científica.

Essa história tem muito a dizer com relação à competência técnica e profissional dos norte americanos. Alguém lá criou um programa capaz de perceber que o Nelson não apareceu para ver o jogo. Provavelmente o mesmo programa encontrou os dados dele no registro feito para a compra dos ingressos e disparou um email para averiguar a razão. E diante da explicação (que deve ter sido lida por uma pessoa de carne e osso), alguém não hesitou em oferecer o ressarcimento, mesmo sem o Nelson pedir. Aliás, ele desconhecia o lance do seguro… Não é fantástico?

Pois é. Mas sabe o que realmente me chamou a atenção? Não foi a competência técnica ou profissional. Foi o que eu chamo de “competência moral.”

Alguém tomou a decisão moral de ressarcir quem foi prejudicado, o que de certa forma é de se esperar. Mas a verdadeira profundidade da decisão moral foi: não vamos esperar que a pessoa reclame, vamos nos antecipar e avisar que ela tem direitos e perguntar se quer valer-se deles.

Você consegue imaginar uma situação assim aqui no Brasil?  Deixe de lado a questão estrutural, se temos ou não computadores e gente capaz para implementar um processo idêntico. Concentre-se na pergunta que realmente interessa: temos a competência moral para respeitosamente avisar a pessoa que ela tem um direito? Ou vamos optar pelo velho: “Deixa quieto. Ele nem vai perceber…”?

Pois é. Competência técnica e profissional tem jeito, o dinheiro pode comprar. Mas competência moral, ah, isso vem lá de um lugar que o dinheiro não alcança.
Por isso vai demorar um pouco pra gente chegar lá.

Luciano Pires

Inspiração na diversidade

março 25, 2011

Mais uma vez, um post escolhido por mim do Blog Inspiração Coletiva, da Brastemp.

Transparência, afetividade e lealdade. A gente busca, ao longo da vida, estar cercado de pessoas dotadas destas características, tão raras nos dias de hoje.

Quem acompanha o blog teve a oportunidade de conferir uma experiência compartilhada por Henrique Fogaça, que ministrou um curso de culinária para crianças com Síndrome de Down. A aula transcendeu seu papel de ensinar os pormenores da arte de cozinhar e foi além, ao mostrar o quão inspiradora pode ser a diversidade. É impossível não se emocionar com o vídeo que traz cenas dos melhores momentos dessa experiência.

Hoje (21/03) comemoramos o Dia Internacional da Síndrome de Down e gostaríamos de homenagear estas pessoas inspiradoras, que merecem nossa admiração por sua luta diária em busca da superação. Acesse  aqui e sorria com Henrique Fogaça e a turma de Chefes Especiais.

Sonhar

março 24, 2011

“Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida
e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades
para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E
esperança suficiente para fazê-la feliz.”

Clarice Lispector

Adaptando nosso modo de pensar para agir

março 23, 2011

Essa semana, mais um artigo do Blog de André R. Coutinho – Blog Pensando Diferente.

Quando o assunto é inovação, temos sido bombardeados diariamente por conceitos, métodos e técnicas trazidas por livros, revistas e pelos “gurus” do management. Open Innovation, Cocriação, Design Thinking, Inovação Reversa, Inovação de Valor, Business Model Generation, Triz são algumas destas tendências. Mas…o que de fato move a inovação nas empresas? A resposta todos nós sabemos, são pessoas. Mas tudo começa com um trabalho de poucas pessoas ou até de uma única pessoa engajadas em fazer algo diferente. No caso de Dell, Starbucks, Virgin, Apple é fácil encontrar estas pessoas, pois elas são nada mais nada menos que seus fundadores-empreendedores-executivo sênior. Dizem inclusive por aí que, quando estas pessoas, no caso respectivamente de Michael Dell, Howard Schutz, Richard Branson e Steve Jobs saíram, por um tempo destas empresas, a coisa degringolou, daí eles tiveram que voltar…mas não são pessoas quaisquer….elas operam (ou passam a operar) com modos de pensar e visões de mundo bem peculiares. Empresas verdadeiramente inovadoras têm, afinal de contas e necessariamente, a figura de um ou mais ativistas internos, lideranças que operam com modos de pensar alternativas e visões próprias de como funciona (ou deveria funcionar) o mundo.

Modos de pensar e visões de mundo influenciam enormemente a forma pela qual lidamos com a problemática das empresas no contexto (complexo) em que elas estarão inseridas. Mudanças ou adaptações, portanto, nos modos de pensar e visões de mundo, pequenas que sejam, são as verdadeiras molas propulsoras dos processos de inovação. Da mesma forma, de nada adianta adotar os diversos métodos e técnicas de inovação sem que os modos de pensar e visões de mundo de, pelo menos, parte da liderança executiva das empresas esteja devidamente “ajustada” para a entrada de processos desta natureza.

Exemplifiquemos com algumas considerações no campo da estratégia. Vale salientar que aqui não acabe um julgamento dos modos de pensar e sim explicitar os modos vigentes e lançar alguns modos alternativos….

– nos últimos 25 anos nós fomos fortemente influenciados pelo modo de pensar da “estratégia competitiva” (do Michael Porter) que nos trouxe inclusive um jargão particular – tipo barreiras à entrada, forças e fraquezas, ameaças, vantagem competitiva, “conquistar” market share – ora, este não seria o modo de pensar dos militares diante de uma guerra? Pois bem, é com este modo de pensar de combate a concorrência que normalmente as empresas formulam estratégias. E estratégias são executadas através de uma “cadeia de valor” de processos que, de forma eficiente, entregam valor para clientes que, em geral, são passivos e não participam destes processos.

Existe algum modo de pensar alternativo?

E se, ao invés do enfoque estratégico não fosse a competição e sim, por exemplo, o indivíduo (os stakeholders), ou melhor, a experiências dos indivíduos? Ou seja, o papel da estratégia seria então de melhorar ou transformar a experiência, a vida das pessoas.

E se ao invés de processos, começássemos a trabalhar um novo ponto de vista nas empresas, o das interações? Ora, interações são humanas e, portanto, redesenhá-las é uma questão de mexer em aspectos como diálogo e transparência com os stakeholders. Bem, isto é mais ou menos o que acontece na cocriação de valor…

– Por outro lado, aprendemos que estratégia é uma questão de escolhas (“trade offs”) e que portanto devemos analisar diversas alternativas com dados e fatos e escolher uma posição estratégica. Minha empresa precisa optar por uma posição estratégica tipo ser a líder de custos no setor ou ter o melhor produto ou o melhor padrão de relacionamento com clientes…

Modo de pensar alternativo 1: e se ao invés de escolher uma posição pré-definida pelas análises, eu combinasse elementos de 2 posições estratégicas previamente existentes, gerando uma nova posição, singular, única? Ora, este é o pensamento integrador (integrative thinking…);

Modo de pensar alternativo 2: E se, ao invés de analisar de forma consistente com dados e fatos para em seguida selecionar uma alternativa estratégica, minha empresa optasse por imaginar, moldar e conceber futuros alternativos que façam sentido para as pessoas? Este é o design thinking…

Para saber mais sobre o assunto…

  • A Empresa Cocriativa, de Venkat Ramaswamy e Francis Gouillart, editora Campus Elsevier, 2010, com revisão técnica da Symnetics
  • Design de Negócios, de Roger Martin, editora Campus Elsevier, 2010, com revisão técnica da Symnetics
  • Pensando Diferente, de Humberto Mariotti, editora Atlas – Business School São Paulo, 2010
  • Integração de Ideias, de Roger Martin, editora Campus Elsevier, 2008

André R. Coutinho

 

Sabedoria da humanidade

março 22, 2011

Ao ler o resumo da palestra no site do TED uma frase me chamou a atenção: “Quando um idoso morre é como uma biblioteca fosse queimada.”

Então embarquei em uma viagem imaginária e visitei diversas partes do mundo, onde o conhecimento tradicional estava ainda vivo. Senti a urgência de aprender e transcrever para imortalizar. Mas isso não passa de imaginação.

O sentimento ainda está em mim. Espero mantê-lo vivo. E agir.

Espero que o vídeo faça você viajar também.

Elizabeth Lindsey. Curadora da herança humana

Tem sido dito que quando um idoso morre é como se uma biblioteca fosse queimada. Antropologista Elizabeth Lindsey, uma associada da National Geographic coleciona o profundo conhecimento cultural e o transmite como histórias e folclore.

Elizabeth Lindsey is a fellow of the National Geographic Society. Her mission: to keep ancestral voices alive by recording indigenous wisdom and traditions.

Dependência

março 21, 2011

Aquele que dependeu apenas de si mesmo e pode, em tudo, ser tudo para si, é o que se encontra em melhor situação.

Arthur Schopenhauer