Archive for agosto \31\UTC 2010

Aprendendo na favela

agosto 31, 2010

A idéia de hoje fala sobre novas formas de educação, de aprender. Você acha que podemos mudar nossa forma de aprender com práticas encontradas nas favelas do Rio? Não?

Pois bem, Charles Leadbeater pensou diferente e achou. Veja o vídeo abaixo, no TED.

Educação Inovadora nas Favelas

Charles Leadbeater procurou por formas radicais de educação – e as encontrou nas favelas do Rio e Kibera, onde crianças mais pobres do mundo descobrem novas formas transformadoras de aprender. E nessa nova escola, informal e inusitada, diz ele, é o que todas as escolas precisam se tornar.

Pense diferente.

Abraços,

DC

Só sei que nada sei

agosto 30, 2010

Começaremos nossa nova grade de programação com uma citação de David Hume, escritor e filósofo inglês, que fala sobre a nossa nossa constante ignorância.

A mais perfeita filosofia do tipo natural apenas afasta por mais algum tempo a nossa ignorância, assim como a mais perfeita filosofia do tipo moral ou metafísico talvez sirva apenas para revelar porções mais largas dela. Assim, a observação da cegueira e da fraqueza humanas é o resultado de toda a filosofia, e ela nos encontra a cada momento, apesar de nossos esforços em eludi-la ou evitá-la.                     

David Hume (1748)

 Já percebeu que o quanto mais nos afundamos em um determinado assunto, um outro universo parece se abrir? Achamos que o átomo era a menor partícula existente, encontramos as partículas atômicas (prótons, nêutrons e elétrons), e agora temos a idéia das sub-partículas atômicas. Quanto mais aprendemos, mais vemos o quanto não sabemos tudo.

Você acha que sabe tudo de algo? Não tem nenhuma pergunta sobre nada?

É isso que move a vida. Saber que aprendemos sempre.

Pense nisso.

Abraços,

DC 

 

Pensar grande

agosto 24, 2010

Amigos,

Todos sabem que sou fã quando idéias são disseminadas e a discussão acontece. Encontrei outro site, similar ao TED, que dissemina idéias. Umas ousadas, outras interessantes.

Segue a dica. O site é BIG THINK.

Abraços,

DC

O que você pode fazer

agosto 23, 2010

Apesar de ser um defensor da questão do meio ambiente, confesso que sempre fui um pouco cético com relação ao comportamento individual, uma vez que tenho como premissa que essa consciência ambiental pertence apenas a uma pequena parcela da população. Encarava que os grandes ganhos na diminuição dos impactos ambientais estavam nas grandes mudanças estruturais de consumo.

Em matéria do site inovação tecnológica, saiu recentemente um estudo que mostra que os hábitos individuais fazem sim uma grande diferença. Leia a matéria abaixo.

É para mostrar que devemos sempre repensar nossos conceitos a respeito de tudo.

Abraços,

DC

Economia individual de energia tem grande impacto sobre meio ambiente

Redação do Site Inovação Tecnológica – 18/08/2010

Desligar as luzes, diminuir o tempo que a TV fica ligada e usar ciclos mais curtos na lavadora de roupas tem um impacto muito maior na redução das emissões de dióxido de carbono do que se pensava, segundo um novo estudo realizado por cientistas do Imperial College London, na Grã-Bretanha.

O estudo mostra que o valor usado pelas autoridades governamentais para estimar a quantidade de dióxido de carbono economizada pela redução do consumo de eletricidade pelas famílias é até 60 por cento muito baixo do que é na realidade.

Emissões das usinas elétricas

As usinas elétricas que fornecem eletricidade têm taxas variadas de emissão de dióxido de carbono, dependendo do combustível que usam: as que queimam combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) têm emissões maiores do que aquelas movidas por energia nuclear ou eólica.

O Dr. Adam Hawkes, autor do novo estudo, afirma que os governos devem acompanhar a evolução das taxas de emissão de carbono pelas centrais elétricas para garantir que as decisões políticas para reduzir as emissões sejam baseadas em indícios científicos sólidos.

Outro dado importante, segundo ele, é que apenas as usinas movidas a combustíveis fósseis são capazes de responder instantaneamente às mudanças na demanda de energia elétrica.

Excluir as centrais com taxas baixas de emissões de carbono, como a eólica e as centrais nucleares, e centrar a atenção sobre aquelas que lidam com a flutuação da demanda, segundo ele, resulta em um dado de emissão mais preciso.

Importância da economia individual de energia

O Dr. Hawkes estimou em 0,43 kg a emissão de dióxido de carbono por quilowatt/hora de eletricidade consumida. Este número é 60 por cento menor do que as taxas oficiais calculadas entre 2002 e 2009, que alcançam 0,69 kg de dióxido de carbono por quilowatt/hora.

Isto significa, segundo o pesquisador, que as políticas estão subestimando o impacto gerado pela redução individual no uso da eletricidade.

Apesar de que a maioria dos governos incentive a economia de energia e a adoção de eletrodomésticos mais econômicos, o dado mostraria que as medidas estão calculando resultados muito aquém do que aqueles que serão efetivamente obtidos – provavelmente inibindo a adoção de políticas mais agressivas.

“Contudo, isto também atua no sentido inverso: um pequeno aumento na quantidade de eletricidade que usamos pode significar um aumento nas emissões muito maior do que pensávamos, então precisamos ter certeza de que estamos fazendo tudo o que podemos para reduzir a uso de eletricidade,” conclui o Dr. Hawkes.

Bibliografia:

Estimating Marginal CO2 Emissions Rates for National Electricity Systems
Adam Hawkes
Energy Policy
Vol.: Article in Press
DOI: 10.1016/j.enpol.2010.05.053

Idéias que merecem ser espalhadas

agosto 19, 2010


Em um dos posts inciais deste blog, mencionei sobre uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo disseminar e provocar a discussão de idéias boas. Essa insituição chama-se TED (Tecnologia, Entretenimento e Design – em inglês). Leia o sucinto profile da organização:

O TED surgiu em 1984 como uma conferência anual na Califórnia e já teve entre seus palestrantes Bill Clinton, Paul Simon, Bill Gates, Bono Vox, Al Gore, Michelle Obama e Philippe Starck. Apesar dos mil lugares na platéia, as inscrições esgotam-se um ano antes. Cerca de 500 das palestras estão disponíveis no site do evento e já foram acessadas por mais de 50 milhões de pessoas de 150 países. A cada ano a organização elege um pensador de destaque e repassa a ele 100 mil dólares para ele que possa realizar “Um Desejo que Vai Mudar o Mundo”. Com essas 4 ações, TED Conference, TED Talks, TED Prize e TEDx a organização pretende transformar seu mote “ideias que merecem ser espalhadas” cada vez mais em realidade. “Acreditamos apaixonadamente no poder das ideias para mudar atitudes, vidas e, em última instância, o mundo”, dizem os organizadores do TED. Nós também. E você?

Achei interessante criar uma coluna aqui sobre as idéias apresentadas no TED, de forma a potencializar o trabalho da instituição e provocar mais e mais os leitores a pensar em possíveis soluções para o mundo.

Ainda não temos recursos de vídeo nesse Blog. Por enquanto colocaremos o link para o site do TED com o vídeo.

Inauguraremos essa coluna com o vídeo de Shaffi Mather. Em sua apresentação, ele explica por que ele deixou a sua primeira carreira para se tornar um empreendedor social, oferecendo transporte para salvar vidas com a sua empresa ” 1298 for Ambulance”. Agora, ele tem uma idéia nova e os planos para começar uma empresa para combater a corrupção no serviço público, eliminando-se a um suborno de uma vez.

Shaffi Mather: Uma nova maneira de combater a corrupção (video)

Uma empresa para eliminar o suborno no setor público. Boa idéia não é? Ainda mais em tempos de eleição. Vai ter um mercado e tanto no Brasil.

Gostou da idéia? Tem outras? Pense!

Abraços,

DC

Citações para refletir

agosto 14, 2010

Enquanto ainda não organizo a grade de programação deste Blog, deixo vocês com uma citação instigante:

” Estamos tão acostumados a nos esconder dos outros que terminamos nos escondendo de nós mesmos.”

La Rochefoucauld (1665)

Bom fim de semana,

DC

Você se conhece totalmente?

agosto 13, 2010

Escuto no ônibus a frase “Você nunca conhece o outro totalmente” de uma jovem moça a caminho do trabalho.

Quando falamos que conhecemos as pessoas (não estou falando apenas de saber nome ou conhecer de vista), partimos do pressuposto de que você sabe como a pessoa vai se comportar ou responder a tal estímulo. Fulano sempre responde de forma grosseira, ciclano é sempre paciente.

Agora, uma pergunta: Você já viveu todas as possíveis situações para você saber como vai se comportar frente a elas? Acho que não. Você concorda que, dependendo do seu estado de humor, cansaço, ou qualquer outro estado do ser humano, você pode reagir de forma diferente a uma mesma situação?

Pois então, nunca conhecemos totalmente o outro e nunca iremos conhecer. Não nos conhecemos de forma integral! Pois somos diferentes todos os dias.

Outra pergunta: Precisamos conhecer todos de forma “integral” se fosse possível?

Fica a pergunta.

Boas reflexões.

Abraços,

DC

Qual é a sua obra?

agosto 12, 2010

No livro “O livro dos saberes”, de Constantin Von Barloewen, li uma entreista com o poeta Ali Ahmed Saïd Esber, provavelmente um dos maiores poetas mulçumanos. Da entrevista, destaquei um trecho que me provoca a pensar sobre quem sou eu, sobre minha identidade.

Pensamos que a identidade é uma coisa fabricada com antecedência, preexistente, e que o ser humano é só uma realização dessa identidade pré-fabricada. É como uma fonte na qual os descendentes devem sempre encontrar sua identidade, em sua embocadura, lá onde ela brota… E eu tenho uma outra concepção da identidade. A identidade nunca é pré-fabricada, é uma abertura eterna e não vem do passado, mas sim do futuro! O homem cria sua identidade criando sua obra, portanto a identidade é infinita, não termina; mesmo com a morte, não pode ser concluída, é isso.

E aí em a pergunta: qual é a minha obra? Pensei sobre o que eu quero fazer, o que eu quero construir e a resposta que me veio a cabeça: Só saberei qual é a minha obra, quando perder o tempo, quando não puder fazer mais nada, quando morrer.

Posso ter direções, mas não saberei o lugar exato onde chegar, pois a cada segundo, um novo rumo posso tomar. A vida é uma escolha de infinidades de alternativas. É o livre-arbítrio.

Tenho que pensar sobre uma premissa que tenho sobre as perguntas: Toda pergunta possui resposta?

Fica a reflexão.

Abraços,

DC

Arte para pensar

agosto 11, 2010

Iniciamos hoje as provocações através da arte. Não poderíamos deixar de falar sobre o quadro mais famoso. A Mona Lisa, la Gioconda, de Da Vinci. Encontrei essa explicação na internet e julguei interessante para falar dos pontos principais do quadro. Fonte. Outras explicações podem ser acessadas no wikipedia.

Mona Lisa (também conhecida como a Monna Lisa; Italiano : La Gioconda; Francês : La Joconde), é uma pintura feita pelo artista italiano Leonardo da Vinci mostrando uma mulher com uma expressão introspectiva, ligeiramente sorridente. É provavelmente o retrato mais famoso na história da arte. Poucos outros trabalhos de arte são assim comemorados ou reproduzidos. Leonardo começou o retrato em 1503 e terminou-o três ou quatro anos mais tarde. A pintura a óleo em madeira exposta agora no Museu do Louvre em Paris é a maior atração do museu. O quadro só deixou o Louvre em duas ocasiões: em 1963, quando foi levado para uma exposição nos EUA e em 1974, quando foi exibido no Japão.

Proporção Áurea

Da Vinci a chamava: Divina Proporção e a usou em muitos de seus trabalhos. Na Mona Lisa observa-se a proporção Áurea em várias situações. Por exemplo, ao construir um retângulo em torno de seu rosto, veremos que este possui a proporção do retângulo Áureo. Podemos também subdividir este retângulo usando a linha dos olhos para traçar uma reta horizontal e ter de novo a proporção Áurea. Podemos continuar a explorar tal proporção em várias outras partes do corpo. Artistas têm usado a razão de ouro (medida de Ouro) em trabalhos de pintura e arte. Os trabalhos de Seurat e Mondrian mostram estas relações matemáticas.

Pessoa Retratada

Não se sabe até hoje quem é a pessoa retratada no quadro. As teorias sugerem que se trata do retrato de:

Isabelle de Este, membro da nobreza que governava a província de Mantova ;
..uma amante do nobre italiano Giuliano di Medici ;
. a idealização da “mulher ideal”, segundo da Vinci ;
..um rapaz adolescente vestido de mulher ;
..um auto-retrato

A Paisagem

Um modelo feito em computador ajudou a desvendar um dos mistérios que cerca o quadro Mona Lisa. Dois cientistas italianos disseram ter identificado a paisagem que serviu de fundo para a tela de Leonardo Da Vinci. Segundo os criadores do modelo computadorizado, a paisagem seria a vista do vilarejo de Ponte Buriano, perto do Rio Arno (o mesmo que atravessa Florença) e da cidade de Arezzo, na Toscana.

O paleontólogo Carlo Starnazzi e o especialista em computação Claudio Sartori sempre foram apaixonados pela obra de Da Vinci. Depois de quatro anos de simulações computadorizadas, eles acreditam ter descoberto o lugar que inspirou o artista. Para chegar a sua conclusão, eles misturaram e alteraram no computador imagens (fotos atuais e pinturas antigas) de vários pontos da Toscana. As alterações foram feitas para simular como seria a paisagem na época em que Da Vinci pintou o quadro (entre 1503 e 1506).

Segundo eles, a descoberta foi comprovada pelo exame da perspectiva área de Ponte Buriano, além da análise orográfica (estudo das montanhas) da região. Os dois estudiosos disseram que Da Vinci pintou a paisagem avistada do Castelo de Quarata – que não existe mais – a uma altura de 70 metros. O modelo computadorizado chegou ao requinte de indicar que o artista estaria a 2,3 quilometros da curva do Canal de Chiana, que desemboca no Arno. Eles identificaram sete pontos geográficos coincidentes entre o lugar e a pintura de Da Vinci. Segundo relatos da época, o artista teria estado na região de Arezzo entre junho e julho de 1502, acompanhando a comitiva de um nobre italiano.

O sorriso

O mistério do sorriso da Mona Lisa parece enfim ter sido decifrado. Pesquisa realizada pela professora Margaret Livingstone – de Harvard – sobre os mecanismos da visão demonstra que Da Vinci pintou o sorriso da Mona Lisa usando sombras que vemos muito melhor com nossa visão periférica e é por isso que ao apreciar a obra temos a impressão do sorriso que aparece e desaparece. Segundo ela, Mona Lisa sorri quando miramos qualquer parte do quadro que deixe seus lábios no campo de nossa visão periférica.

Viu qantas coisas estão implícitas nas cores e formas dessa obra? E o uso dos sentidos? Visão, visão periférica… O uso de conhecimentos ( proporção ), memórias ou a imaginação (nunca fui na Itália, então imagino o ambiente citado nas explicações do quadro, mas para quem foi, pode remeter a uma boa memória de viagem)…

Não precisamos ter um curso de artes para poder se beneficiar das artes. Basta deixarmos o lado pensador, provocador, questionador vir à tona e se fazer perguntas, além de nos atentarmos para os detalhes, é claro.

Há outras perguntas que podemos fazer ao apreciar um quadro desses. Você tem alguma pergunta?

Um grande abraço,

DC

Observação: Segue a explicação da proporção áurea.

Na obra 1.618, o artista plástico Antonio Peticov reproduziu a formação de um caramujo, o Nautilus marinho. A constituição da espiral do caramujo segue à risca a seqüência do “retângulo de ouro”, cuja razão entre seus lados deve ser ou tender a 1,618. Os gregos da antiguidade já consideravam mais agradáveis e belos os retângulos que estivessem numa proporção que ficou conhecida como Áurea. A fachada do templo Parthenon, toda organizada segundo a razão de ouro, revela a preocupação em realizar uma obra de extrema harmonia. Tomando a famosa Mona Lisa de Leonardo da Vinci, e construindo um retângulo em torno de seu rosto, veremos que está na proporção Áurea; subdividindo o retângulo na linha dos olhos, teremos a mesma proporção; e assim em várias partes do corpo. “Essa proporcionalidade causa no observador a sensação de harmonia e equilíbrio, sejam composições arquitetônicas, escultóricas ou pictóricas”. diz Fernanda Massagardi, aluna do Instituto de Artes da Unicamp.

A realidade e quem sou

agosto 10, 2010

Tenho como meta esse ano conhecer-me mais. É o famoso auto-conhecimento. Muitos autores já descobriram essa ânsia do ser humano de se fazer essa pergunta e escrevem diversos livros. Estou descobrindo que, quanto mais me conheço, mais eu me transformo. E aí fica a pergunta: Como quero conhecer algo que se transforma a cada segundo? Essa é a brincadeira que a vida nos faz.

Encontrei um poema de Fernando Pessoa que fala da realidade e identidade. Vale a pena ler.

Ser Real quer Dizer não Estar Dentro de Mim

Seja o que for que esteja no centro do Mundo,
Deu-me o mundo exterior por exemplo de Realidade,
E quando digo “isto é real”, mesmo de um sentimento,
Vejo-o sem querer em um espaço qualquer exterior,
Vejo-o com uma visão qualquer fora e alheio a mim.

Ser real quer dizer não estar dentro de mim.
Da minha pessoa de dentro não tenho noção de realidade.
Sei que o mundo existe, mas não sei se existo.
Estou mais certo da existência da minha casa branca
Do que da existência interior do dono da casa branca.
Creio mais no meu corpo do que na minha alma,
Porque o meu corpo apresenta-se no meio da realidade.
Podendo ser visto por outros,
Podendo tocar em outros,
Podendo sentar-se e estar de pé,
Mas a minha alma só pode ser definida por termos de fora.
Existe para mim — nos momentos em que julgo que efetivamente
                               existe —

Por um empréstimo da realidade exterior do Mundo

Se a alma é mais real
Que o mundo exterior como tu, filósofos, dizes,
Para que é que o mundo exterior me foi dado como tipo da realidade”

Se é mais certo eu sentir
Do que existir a cousa que sinto —
Para que sinto
E para que surge essa cousa independentemente de mim
Sem precisar de mim para existir,
E eu sempre ligado a mim-próprio, sempre pessoal e intransmissível?
Para que me movo com os outros
Em um mundo em que nos entendemos e onde coincidimos
Se por acaso esse mundo é o erro e eu é que estou certo?
Se o Mundo é um erro, é um erro de toda a gente.
E cada um de nós é o erro de cada um de nós apenas.
Cousa por cousa, o Mundo é mais certo.

Mas por que me interrogo, senão porque estou doente?
Nos dias certos; nos dias exteriores da minha vida,
Nos meus dias de perfeita lucidez natural,
Sinto sem sentir que sinto,
Vejo sem saber que vejo,
E nunca o Universo é tão real como então,
Nunca o Universo está (não é perto ou longe de mim.
Mas) tão sublimemente não-meu.

Quando digo “é evidente”, quero acaso dizer “só eu é que o vejo”?
Quando digo “é verdade”, quero acaso dizer “é minha opinião”?
Quando digo “ali está”, quero acaso dizer “não está ali”?
E se isto é assim na vida, por que será diferente na filosofia?
Vivemos antes de filosofar, existimos antes de o sabermos,
E o primeiro fato merece ao menos a precedência e o culto.

Sim, antes de sermos interior somos exterior.
Por isso somos exterior essencialmente.

Dizes, filósofo doente, filósofo enfim, que isto é materialismo.
Mas isto como pode ser materialismo, se materialismo é uma filosofia,
Se uma filosofia seria, pelo menos sendo minha, uma filosofia minha,
E isto nem sequer é meu, nem sequer sou eu?

Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”
Heterónimo de Fernando Pessoa