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Texto muito bom para refletir sobre a nossa maneira de querer ser os perfeitos, de repetir o melhor. Texto do Blog Inteligência Empresarial do Prof. Marcos Cavalanti

O que nos encanta?

Considero Fernando Meirelles um dos melhores, senão o melhor, cineasta brasileiro. Ele consegue ser criativo (tanto na linguagem quanto nos temas), fazer filmes com conteúdo e ser popular. Uma mistura muito difícil de acontecer! Ontem ele deu uma entrevista no O Globo sobre a produção de conteúdo em meio digital que deveria nos fazer parar para pensar.

Disse ele: ” Atualmente a tendência é deixar tudo para ser resolvido depois (na edição das imagens digitais). O problema desse hábito é que os filmes vão ficando cada vez mais perfeitos e, sinceramente, não há nada mais chato do que a perfeição. Não podemos nos esquecer de que esse troço todo mundo digital é apenas ferramenta. O que encanta ainda são os atores e as histórias “.

Se olharmos em volta, vivemos num mundo onde a ” imagem é tudo”, como diz uma propaganda. Mulheres ( e homens) cheios de botox, uma seleção que tenta ser ” européia ” e jogar um futebol “competitivo” ( e mecânico), empresários que querem sua empresa funcionando “como um relógio”. Em todas a mesma visão, a mesma maneira de encarar a vida e as empresas: como uma máquina capaz de produzir milhares de cópias cada vez mais perfeitas!

Neste mês que passei na França, vi o filme que deu a Juliette Binoche a palma de ouro de melhor atriz em Cannes: Cópia Conforme. Ele retrata esta nossa vida de mentirinha, onde representamos papéis pré estabelecidos, onde não conseguimos viver a vida de carne, osso e alma. Só uam cópia dela. Queremos que nossa cara seja uma cópia daquela artista famosa; que nosso produto seja o mais próximo possível do “benchmarking” do mercado e que nossa seleção jogue parecido com a Itália, a Inglaterra ou a Espanha. E quando queremos ser maria-va-com-as-outras, na maioria das vezes o resultado é parecido com o que a seleção do Dunga obteve…

O que encanta é a obra humana, única. É o drible e o gol;é o ser humano e a mulher inteira, verdadeira, sem retoques; é a empresa que inova e tem produtos difíceis de serem imitados. É a imperfeição do humano, não a perfeição mecânica e sem alma da máquina!

Muitos ainda vão continuar correndo atrás do outros, tentando ser uma cópia conforme de alguém. E ficando eternamente insatisfeitos e frustrados. E o que é pior: no fim, o tempo e o vento levarão tudo isso embora… O que fica?

” No fim tu hás de ver que as coisas mais leves

são as únicas que o vento não consegue levar:

um estribilho antigo, um carinho no momento preciso

o folhear de um livro de poemas, o cheiro que tinha um dia o próprio vento…”

Mario Quintana

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