Archive for julho \24\UTC 2010

Resumo Pictográfico Semanal

julho 24, 2010

Notícias importantes que a mídia não dá destaque, você vê aqui no Pense e Exista.

2ª: VIENA (Reuters) – Um estudo divulgado nesta segunda-feira mostrou que um gel medicinal pode reduzir drasticamente a contaminação pelo vírus HIV entre as mulheres. O gel, que contém a droga tenofovir, do laboratório Gilead Sciences, reduziu em 39 por cento a contaminação pelo vírus da Aids ao longo de dois anos e meio de testes. Foi a primeira vez que essa abordagem funcionou na proteção contra a transmissão sexual do vírus.

3ª: Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) – O próximo governo vai herdar contas previdenciárias que já representam um dos principais desafios fiscais do país e tendem a ser crescentemente pressionadas pelo processo de rápido envelhecimento da população brasileira. O tema ainda não foi explorado na campanha presidencial e dificilmente o será, dada sua impopularidade e o momento favorável pelo qual passa a economia. Mas especialitas alertam que o país não poderá adiar por muito tempo uma mudança nas regras de aposentadoria, consideradas generosas na comparação internacional e insustentáveis no longo prazo.

4ª: Por Golnar Motevalli. FARNBOROUGH Inglaterra, 21 de julho (Reuters) – Os celulares inteligentes podem se tornar a próxima arma no arsenal de batalha dos Estados Unidos, à medida que as companhias do setor de defesa tentam aproveitar o uso rapidamente crescente de sofisticados aplicativos móveis. Que tristeza, usar um aparelho que aproxima pessoas para a guerra.

 

Às vezes, o que parece não é.

5ª: RIO DE JANEIRO (Reuters) – Uma menor procura por trabalho no mês de junho derrubou a taxa de desemprego brasileira do país para 7 por cento, a menor do ano e a menor para um mês de junho desde o início da série histórica iniciada em 2002, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.O dado segue a taxa de desemprego de 7,5 por cento em maio e de 8,1 por cento em junho de 2009 nas seis maiores regiões metropolitanas. Economistas consultados pela Reuters projetavam uma taxa de 7,3 por cento, de acordo com a mediana de 10 respostas que variaram de 7,1 a 7,5 por cento.”Junho você não tem dispensa de temporários, mas há muita desistência de procurar trabalho porque é um período de férias, viagens e passeios”, disse o economista do IBGE, Cimar Pereira Azeredo.

6ª: NOVA DÉLHI, 23 de julho (Reuters) – A Índia apresentou nesta semana o que chamou de laptop mais barato do mundo, um computador com tela sensível ao toque que custa 35 dólares. O ministro do Desenvolvimento de Recursos Humanos, Kapil Sibal, revelou um computador de baixo custo projetado para estudantes, afirmando que sua pasta iniciou negociações com fabricantes globais para iniciar a produção em massa.

E eu acabei de gastar um dinheirão em um novo….

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Arte para provocar

julho 23, 2010

Tantas barbáries, crimes, assassinatos, nos remetem a uma verdadeira guerra. Hoje, a provocação em imagem nos traz o quadro de Picasso, chamado Guernica. É sobre os horrores da Guerra Civil Espanhola. Um quadro “horrorozo” e genial.

Idéias de Saramago

julho 22, 2010

Encontrei no Blog “A literatura na Poltrona” um post que cita algumas idéias do já saudoso Saramago. Senti-me provocado a pensar por suas idéias e posições relacionadas aos mais diversos assuntos. Transcreverei aqui para provocar os leitores também.

Imaginação:

“Não creio que a imaginação seja perigosa. Não creio nisso. Mas é certo que, em meus romances, prevalesce a razão. Para mim, a imaginação deve estar a serviço da razão. O que não me impede de ter uma imaginação forte, e de trabalhá-la intensamente em meus livros. A imaginação, para mim, é sempre o ponto de partida. Mas o caminho que tomo a partir dela pertence, sempre, à razão”.

Sensibilidade:

“Pode não parecer, mas sou um homem muito sensível aos sentimentos e às emoções. Quem me olha, vê um sujeito de aparência fechada e severa. Alguns a confundem com indiferença, ou talvez com arrogância. Mas a verdade é que sou um homem muito sensível. Talvez sensível demais”.

Tristeza:

“A tristeza no mundo de hoje é causada pelo irracionalismo e pelos fanatismos. Mas a tristeza é, também, compaixão. No fundo, somos uns pobres diabos. É a compaixão que nos leva a interrogar: _ Por que não podemos ser de outra maneira? Por que não conseguimos ser melhor do que somos? Por que não conseguimos ser bons?”

Religião:

“O fenômeno religioso sempre me interessou muito, o que pode parecer estranho, porque sou um homem totalmente indiferente à inquietação religiosa. Mas, como a religião é um fenômeno histórico, ela nunca deixou de me interessar. Por isso me interesso pelo cristianismo. Não sou um crente, mas é verdade que tenho _ todos temos _ uma mentalidade cristã, e não islâmica, ou budista. Às vezes me contestam: “Se você não é crente, não tem o direito de falar sobre a religião”. Tenho sim, e por dois motivos. Primeiro, porque tenho o direito de falar sobre o que não quero, o que não aceito. Segundo: porque tenho o direito de falar sobre algo que, ainda assim, faz de mim, um pouco, o homem que sou”.

Repugnâncias:

“Creio que não tenho medos, apenas repugnâncias. A aranhas, por exemplo _ e, felizmente, quase não temos aranhas em Lanzarote. Lembro-me que, quando menino, apreciava andar com lagartixas nas mãos, e elas não me davam repugnância. Mas as aranhas, sim. E os ratos, também. As baratas, então, são nojentas”.

Discrição:

“O que acontece é que nunca dramatizei minha vida, nunca fiz dela algo de existencialmente interessante, ou dramático. Vivi, sempre, discretamente, e com toda a naturalidade. A partir dos cinquenta anos, comecei a escrever alguns livros. Foi só isso. A vida é o que é, tem coisas boas e tem coisas más, e devemos aceitar isso, e viver com isso. Só escolhemos 5% do que nos acontece na vida. Os outros 95% são decididos por outras pessoas, ou pelo acaso. De nada serve dramatizar”.

Afinidades:

“Sempre se diz que, a partir de certa idade, a gente relê mais do que lê, e é verdade. Ultimamente, me interesso mais em reler _ o Padre Vieira, Fernão Lopes, Almeida Garret. E, é evidente, o Eça. Releio, também, o Oliveira Martins e o Camilo. Afinidades, porém, é difícil. Não creio que existam afinidades bilaterais, mas sim afinidades múltiplas, fragmentadas. Se busco minha ascendência literária, sou franco: não a encontro. Não encontro relação direta entre o que eu faço e o que os outros fizeram. Existem ecos, só isso. Veja o caso do Vieira: ele viveu no século 17, e não no século 20. Escreveu sermões, e não romances. Mas tenho uma imensa admiração por ele e sempre que o leio percebo alguns ecos em mim”.

Barroco:

“Dizem que sou um escritor barroco. Posso reconhecer que sim. Esse tipo de frase envolvente, quase interminável, que faz rodeios, volta atrás, se isso tem algo a ver com o barroco, aceito, então, que sou barroco. Mas é, também, muito perigoso reduzir um estilo, uma forma de escrever a uma etiqueta. Isso não é nada bom. Quando usamos etiquetas para falar das coisas, parece que fica tudo dito, mas o principal está sempre de fora”.

Comunismo:

“Continuo a ser comunista e não vejo nenhum motivo para deixar de ser. Fala-se, muito, dos grandes erros do passado e também do presente. Ser comunista não me impede de observar os erros do passado, do presente, e mesmo do futuro com um olhar crítico. Esquece-se que o olhar crítico está na base do marxismo. A URSS desmoronou, provavelmente, por falta deste olhar crítico. E também por falta da participação dos cidadãos”.

Alvaro Cunhal:

“Alvaro Cunhal está vivo (presidente do Portido Comunista Português, viria a falecer em 2005). Tenho uma relação de imenso respeito com ele, tanto como pessoa, quanto como dirigente comunista. Nos últimos anos, a adaptação do partido aos novos tempos foi conduzida, basicamente, por Cunhal. É um homem, porém, que veio da clandestinidade, de lutas muito dolorosas, e isso deixa marcas profundas nas pessoas. Daí a vê-lo como um homem petrificado vai muito longe. É, além disso, um bom escritor, autor de três romances, que publicou sob o pseudônimo de Manuel Trigo. Como escritor, está marcado pelo realismo clássico, de cunho socialista. Dentro de seu estilo, é um escritor que leio com satisfação”.

Romance histórico:

“A história que nós aprendemos na escola é, até certo modo, a visão oficial da história. O mal é quando essa versão se institui como versão única. Daí que, quase sempre, temos uma visão incompleta e deformada da história de nosso país. O historiador que não quiser se contentar em repetir o que já foi dito terá que investigar o não-dito e, sobretudo, o oculto. O ficcionista que se interessa por temas históricos tem, então, um papel muito importante nessa busca do não-dito e do oculto. Claro que não devemos alimentar ilusões, a verdade histórica, completa, não se saberá nunca”.

Literatura:

“A literatura tanto pode ordenar o mundo, como desordená-lo. Há momentos em que sua função é desordenar _ em nome de uma causa, para questionar uma norma social, ou falsamente moral, sobre a qual a sociedade se instala. Mas é função da literatura, também, ordenar o mundo, procurar um sentido para a existência. Sentido que não pode ser único, estável, mas deve ser, ao contrário, constantemente posto em causa e questionado. Procuramos sempre um sentido que acolha o caos aparente que é a vida. Procuramos uma certa ordem em relação à qual possamos nos situar. Eu creio que o escritor, com a sua obra, participa dessa busca de sentido”.

Limites:

“Não quero dar lições ao mundo. Todas as reflexões que faço são sobre mim mesmo. Há que ter consciência de nossos limites. Nossos limites nos definem. Somos nossos limites. É importante evitar tentações que estão fora de nosso alcance. Eu sei que, em literatura, há coisas que não devo fazer, porque estão além de meus limites. Conhecendo meus limites, o que tento fazer é aprofundar meu trabalho dentro deles. Eu não posso aspirar a um trabalho que se aproxime do ensaísmo, não posso porque não tenho condições. Escrevi alguns poemas, que valem o que valem, mas sei que não posso ir além deles, e por isso renunciei à poesia. O importante é a gente se acostumar a ser o que é. E não mais que isso”.

Mal:

“Não creio que tenha uma obsessão pelo Mal. Francamente, não sei se devo falar em obsessão. Mas, se há algo que não compreendo e que me ultrapassa, é a existência do Mal. Não falo do Mal do ponto de vista religioso, mas como uma espécie de fatalidade que encontramos em nossa espécie. A pergunta que mais me persegue é: por que sendo nós, seres de razão, nos comportamos irracionalmente? E, para essa pergunta, não vejo resposta. É uma coisa realmente impressionante chegar à conclusão de que o único ser verdadeiramente cruel é o ser humano. Nenhum animal, mesmo entre os mais ferozes, se comporta com tanta crueldade. O animal não é cruel, pois a crueldade é uma categoria mental. Mas o ser humano é cruel”.

Portugal:

“A sensibilidade portuguesa é um pouco apática. Somos facilmente sentimentais, o que não significa que sejamos capazes de grandes sentimentos. Caimos mais no sentimentalismo, que é o contrário do grande sentimento _ que não exalta, mas faz acteditar e nos leva a realizar. A principal característica portuguesa é o sentimentalismo, como se tivéssemos a lágrima fácil”.

Poemas e seu poder transformador

julho 21, 2010

Ao navegar por blogs, notícias e afins, esbarrei com um post do Blog “Momento Arrá” do Rodrigo Baggio, fundador do CDI.

O blog tem uma proposta muito interessante: narrar o mundo das empresas sociais e narrar os momentos “Arrás” das pessoas. O momento Arrá é quando vem a idéia, EUREKA!!! Recomendo o acesso.

Pois bem, encontrei uma história muito interessante. A história de Michele Hunt. Sua descrição no Blog é esta:

Ela foi a primeira mulher oficial de condicional nos EUA e primeira mulher vice-diretora de um presídio primeira. Foi a primeira mulher e a primeira pessoa negra a estar na equipe top de gerência de uma empresa da lista de 500 melhores da Forbes, a Herman Miller, na década de 80, então maior fabricante mundial de móveis para escritório. Ela liderou um equipe que promoveu um reposicionamento mundial da empresa, o que rendeu à companhia diversos títulos, entre eles o de mehor empresa para trabalhar.

Tanta competência fez Michele ser convidada pelo ex-presidente Clinton para estar em sua administração, liderando uma equipe para catalisar mudanças e se reportando diretamente ao Al Gore, ganhador do Prêmio Nobel da Paz e então vice-presidente norte-americano.

Pois bem, falei do Blog e da Michele para justamente falar do poema que motivou-a a fazer muitas coisas. Poema de Marianne Williamson:

Our deepest fear is not that we are inadequate. Our deepest fear is that we are powerful beyond measure. It is our light, not our darkness that most frightens us. We ask ourselves, Who am I to be brilliant, gorgeous, talented, fabulous? Actually, who are you not to be? You are a child of God. Your playing small does not serve the world. There is nothing enlightened about shrinking so that other people won’t feel insecure around you. We are all meant to shine, as children do. We were born to make manifest the glory of God that is within us. It’s not just in some of us; it’s in everyone. And as we let our own light shine, we unconsciously give other people permission to do the same. As we are liberated from our own fear, our presence automatically liberates others.

Nosso medo mais profundo não é que sejamos inadequados. Nosso medo mais profundo é que sejamos poderosos além da medida. É a nossa luz, não nossa escuridão que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso e fabuloso? Na verdade, quem é você para não ser? Você é um filho de Deus. Bancar o pequeno não serve ao mundo. Não há iluminação em se encolher para que outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você. Somos todos feitos para brilhar, como fazem as crianças. Nós nascemos para manifestar a glória de Deus que está dentro de nós. Não é apenas em alguns de nós, está em todos. E quando deixamos nossa luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo. Quando nos libertamos do nosso medo, nossa presença automaticamente liberta os outros.

Um poema que dá o que pensar hein… não acha?

Fica a provocação para você. Se quiser deixar um comentário, será muito bem vindo.

Abraços,

DC

Você confia?

julho 20, 2010

Estou me deliciando com um livro chamado ” Muito Longe de casa” que narra o terror da guerra civil em Serra Leoa e a vida dos meninos soldados.

Descrito em suas tensas linhas, há uma consequência direta da guerra civil que muito me assusta (todas me assustam muito) que é a perda de confiança no outro. Por ser civil, “todos” podem ser possíveis rebeldes ou assassinos.

Engraçado que mesmo não enfrentando uma guerra civil, apesar do nível de violência estar tão alto que, em alguns momentos, achamos que há uma guerra civil no Brasil (principalmente no Rio, São Paulo…), há uma falta de confiança no outro. Não a ponto de achar que o outro pode te assassinar, mas não acreditamos mais na honestidade alheia. Sempre achamos que há segundas intenções, que vamos ser passados para trás…

Você já parou para pensar nisso? Você confia em quem?

Ditados como “Quando a esmola é demais, o santo desconfia” ou ” Todos os dias, um otário e um esperto levantam e até o meio dia eles se encontram” explicam um pouco do que estou falando.

Precisamos inverter a tendência dessa falta de confiança. Senão, seremos uma sociedade que perderemos a magia da sinergia. Seremos um conjunto de indivíduos, e não um grupo.

Faça algo pelo mundo hoje: confie em alguém. Você vai se surpreender.

Abraços,

DC

Saber não saber

julho 18, 2010

Texto publicado na revista Página 22, fonte recorrente deste blog.

Já dizia Sócrates:  Só sei que nada sei.

“Infelizmente, não sabemos”, diz a economista francesa Esther Duflo sobre o papel que a ajuda internacional exerce no combate à pobreza. “Nunca saberemos.” Os bilhões de dólares destinados a erradicar a pobreza na África no passado não melhoraram o desempenho econômico – medido pelo Produto Interno Bruto – de países que receberam ajuda. “Mas como saber o que teria acontecido sem essa ajuda?”, questiona Esther, pesquisadora do Massachusetts Institute of Technology (MIT), instituição onde também se graduou.

Para ela, tal situação nos deixa no mesmo pé em que o médico da Idade Média que usava sanguessugas como tratamento. “Às vezes o paciente melhora, às vezes ele morre. É efeito das sanguessugas ou alguma outra coisa? Não sabemos.”

Como era de imaginar, Esther Duflo causa espécie entre seus colegas economistas, que raramente admitem sua ignorância, mesmo diante de um problema com a dimensão da pobreza. Ela lembra que, no caso da pobreza, há pelo menos dois grandes campos que se arvoram saber a resposta*. Um, liderado pelo economista Jeffrey Sachs, da Universidade Columbia, garante que a ajuda internacional reduz a pobreza, mas é preciso mais. Outro, encabeçado pelo economista William Easterly, da New York University, defende que mais ajuda só piora a situação, pois aumenta a corrupção e a dependência dos países pobres em relação aos ricos.

*Assista à apresentação de Esther Duflo no TED – Ideas Worth Spreading

Uma vez que modelos e estatísticas não levam a uma resposta conclusiva, Esther optou por ir a campo – passo que causa ainda mais estranheza, uma vez que se aprende nos livros-texto sobre a impossibilidade de experimentos controlados nas sociedades humanas para testar hipóteses econômicas.

Esther e seu laboratório no MIT – o Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab (J-Pal) – vêm há anos praticando “testes controlados de aleatoriedade” para apontar quais ações levam à redução da pobreza e, assim, contribuir para as políticas sociais. A ideia é a mesma utilizada pela medicina para testar novas drogas, em que se tenta estabelecer causas e efeitos e, assim, livrar-se da aleatoriedade com que conviviam o médico medieval e suas sanguessugas.

Tome-se, por exemplo, a eficácia do microcrédito como ferramenta para catapultar os cidadãos para fora da pobreza extrema. A estratégia do J-Pal é dar o remédio – no caso o microcrédito – a um grupo de uma determinada população, mas não a outro. Este último funciona como o “controle”, com basicamente as mesmas características do primeiro, exceto pela falta de microcrédito. Se, ao fim do experimento, os grupos mostrarem resultados diversos, pode-se dizer que a diferença foi causada pelo “remédio”.

Nem sempre é possível aplicar o método praticado por Esther Duflo e, mesmo quando é possível, o desafio consiste em fazer as perguntas certas, do jeito certo. Os testes controlados de aleatoriedade possuem a virtude de quebrar o problema em questões menores e, embora os resultados não respondam à questão maior sobre o papel da ajuda na redução da pobreza, é possível saber os efeitos de, por exemplo, microcrédito, mais educação ou imunização de uma dada população. Esses elementos, se atacados, provavelmente contribuirão para reduzir a pobreza.

Mas talvez a ousadia maior esteja em admitir nossa suprema ignorância, seja em estabelecer causas e efeitos dos fenômenos naturais à nossa volta, seja em conhecer o que motiva a própria espécie humana a se comportar como se comporta. Ao admitir que não sabem, Esther e seus colaboradores abrem-se a formular perguntas que talvez possam vir a ser respondidas, mas que, com certeza, levarão a mais perguntas. Isso, lembra o biólogo Robert Root-Bernstein, é a base da ciência. “As respostas são importantes principalmente ao nos levar a novas perguntas”, escreveu ele em um livro inteiro dedicado à ignorância.

Em As Virtudes da Ignorância – Complexidade, Sustentabilidade e os Limites do Conhecimento (The University Press of Kentucky, 2008), Bernstein assina um capítulo intitulado “Eu não sei!” “O objetivo de centrar-se na ignorância é construir conhecimento à luz tanto do que sabemos quanto do que não sabemos”, escreveu ele. “Construir mais conhecimento vai revelar novas formas de ignorância, ad infinitum. Para mim, conhecimento e ignorância são o ‘yin e yang’ da compreensão. Você não pode ter um sem ter o outro, e, quando eles estão fora de equilíbrio, o mundo está com problemas.”

De acordo com os organizadores do livro, o mundo está com problemas pelo menos desde o Iluminismo, período que sucedeu a Idade Média e seus médicos com- sanguessugas, e que enraizou a visão ocidental baseada na racionalidade.

As revoluções científicas, políticas e econômicas que a nova visão de mundo proporcionou permitiram ao homem lançar-se na aventura de controlar a natureza, criar economias e tecnologias que o levaram além da subsistência, e libertar o indivíduo de governos, religiões, tradições familiares e do passado.

A resposta aos problemas que derivam dessas novas atividades – por exemplo, poluição, corrupção, injustiça – é mais racionalidade e conhecimento. Porém, escreve Bernstein, se um problema persiste – seria o caso da poluição, da corrupção, da injustiça, e da pobreza? –, “é precisamente porque o conhecimento existente é inadequado para enfrentá-lo ou causou o problema em primeiro lugar”.

Currículo da ignorância

Mesmo com a moderna medicina em lugar das sanguessugas, os médicos talvez saibam melhor do que ninguém que somos infinitamente mais ignorantes do que conhecedores. “Sabemos, de fato, muito pouco para efetivamente prevenir doenças, curar e aliviar o sofrimento”, segundo a filósofa Ann Kerwin. “A medicina está implicada em nossa ignorância, em nossa incapacidade de compreender nossos sistemas complexos, formas de reparação e reconstrução.”

Ann ajudou a criar, nos idos dos anos 1980, o Currículo sobre Ignorância na Medicina (Curriculum on Medical Ignorance, ou CMI), da Escola de Medicina da Universidade do Arizona, que incentiva médicos aspirantes e profissionais a pensar, ponderar, duvidar, revisar, pesquisar e a explorar sua ignorância.

Para ajudar os estudantes a fazer isso, Ann e os demais formuladores do CMI desenharam um “mapa da ignorância”, em que identificam várias formas com que ela ocorre: todas as coisas que você sabe que não sabe (ignorância aberta), todas as coisas que você não sabe que não sabe (ignorância oculta), todas as coisas que você acha que sabe, mas não sabe (erros), todas as coisas que você não sabe que sabe (conhecimento tácito), conhecimento perigoso ou proibido (tabu), e todas as coisas muito dolorosas de saber, então você não as sabe (negação).

“Como educadores da medicina, devemos preparar os estudantes para o futuro”, escrevem Marlys Witte, Peter Crown, Michael Bernas e Charles Witte, responsáveis pelo CMI na Universidade do Arizona. “Apesar disso, os estudantes gastam a maior parte de seus anos de ciência básica memorizando o conhecimento do dia, que em grande parte estará desatualizado logo depois.” Em vez disso, acreditam, é essencial que os alunos “aprendam a como aprender, cuidadosa e continuamente, ao longo de suas vidas”. E que vejam a universidade não como “fábrica de conhecimento”, mas como um “commons da ignorância”, ou seja, o lugar ideal para aprender e descobrir o desconhecido.

O CMI é apenas um currículo em uma imensidão de escolas – de medicina, economia e tantas outras disciplinas – que se dedicam a ensinar o conhecimento corrente e não seu questionamento. Para quebrar com isso, os organizadores de As Virtudes da Ignorância propõem que a humanidade assuma o seu forte e adote uma visão de mundo baseada na ignorância. “Isso não significa”, dizem eles, “que não devemos buscar o conhecimento ou que somos estúpidos ou malvados. Mas nos força a nos lembrar das coisas, nos leva a esperar por segundas chances, e nos dá incentivo a manter a escala pequena.”

Esses três elementos vêm bem a calhar no momento em que – para citar mais um problema sem solução além da pobreza, corrupção, injustiça – 60 mil barris de petróleo por dia se espalham pelas águas do Golfo do México, sem fim à vista. O que mais podemos aprender desse triste episódio, além de que somos profundamente ignorantes diante da enorme complexidade e interdependência do mundo à nossa volta? O que aconteceria se, como lembrou o colunista americano David Roberts, não houvesse nada que pudesse cessar o derramamento? Talvez aí nos lembrássemos de nossa imensa ignorância. E aprendêssemos, como disse o poeta Wendell Berry, a perguntar o que precisamos saber.

*Jornalista e fundadora de Página 22

Resumo Pictográfico Semanal

julho 17, 2010

Notícias importantes para pensarmos…

2ª: BRASÍLIA (Reuters) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em seu programa semanal de rádio que ao deixar a Presidência deseja passar para outros países a experiência das políticas sociais adotadas no Brasil. “Tenho que aproveitar o acúmulo dos acertos que nós tivemos em política social no Brasil, e que são muitos, para que a gente possa trocar experiência com os países, por exemplo, da América Central, com os países da América do Sul, com os países do Caribe e com a África”, disse Lula no programa “Café com o Presidente”, após um giro em países africanos. “É preciso que a gente faça com que o mundo saiba que é possível, sabe, a gente construir um outro mundo”, acrescentou. O presidente, no entanto, não especificou como pretende fazer isso. Hum.. eu sei como. Ainda não está claro?

3ª: Por Kate Kelland LONDRES (Reuters) – Pelo menos 10 milhões de mortes causadas pela Aids podem ser evitadas até 2025, e milhões de novas contaminações pelo HIV podem ser prevenidas anualmente, caso os países reavaliem a forma como pretendem alcançar as metas de tratamento da doença, disse na terça-feira o programa da ONU para a Aids (Unaids).

4ª: Por Iain Blair LOS ANGELES (Reuters) – O que há de errado com este filme? O lançamento mais comentado desta temporada não tem robôs, vampiros, alienígenas, brinquedos nem personagens dos quadrinhos. E nem mesmo é em 3D! Mas o que “A Origem”, que estreia na sexta-feira nos EUA, tem é Leonardo DiCaprio no papel principal, o diretor Chris Nolan, de “Cavaleiro Negro”, e ideias suficientes para afundar um Titanic. Essa ficção científica de alto orçamento sobre ladrões de sonhos lança o espectador nas profundezas obscuras e perturbadoras do inconsciente, onde tudo vale, mas nada é o que parece. Numa cena assustadora, a mulher do protagonista Dom Cobb (vivida por Marion Cotillard) comete suicídio na frente dele. Ou será só na cabeça de Cobb? “Sempre fui fascinado pelos sonhos, pela memória e a percepção, e me pus a explorar mais essas áreas neste filme”, disse Nolan, que já havia tratado do tema em “Amnésia”. Para manipular a percepção de realidade da plateia, ele usou “equipamentos bizarros” e “tipos bizarros de instrumentos de tortura”, especialmente nas várias cenas de levitação. “Quis deixar a plateia se perguntando o que exatamente está acontecendo”, disse Nolan. E ele não está brincando. Não vi o filme, mas se provoca o espectador a pensar, já vale para estar aqui.

5ª: Por Karina Grazina. BUENOS AIRES (Reuters) – A Argentina tornou-se o primeiro país latino-americano a autorizar homossexuais a se casarem e adotarem filhos, desafiando a oposição católica para engrossar as fileiras dos poucos países, em sua maioria europeus, que já contam com leis semelhantes.

6ª:  Do G1, com informações de agências. O Senado dos EUA aprovou nesta quinta-feira (15), com 60 votos a favor e 39 contra, o projeto de reforma regulatória do sistema financeiro do país. A nova lei representa a maior reforma de Wall Street desde a Grande Depressão, em 1930 e dá ao presidente americano Barack Obama uma importante vitória política. A legislação, que tem o objetivo de evitar outra crise como a que afetou a maior parte dos mercados mundiais entre 2008 e 2009, deve ser sancionada por Obama na próxima semana, segundo a Casa Branca. Com cerca de 2 mil páginas, o documento aprovado impõe limites à capacidade dos bancos de fazerem investimentos especulativos arriscados.

Homen(ima)agem

julho 16, 2010

A provocação de sexta, desta vez será uma homenagem às conquistas do movimento GLBT. Na argentina, a união civil homosexual foi aprovada no senado. Mesmo assim, não deixo a oportunidade de perguntar passar: Você tem preconceito?

Pernas biônicas

julho 15, 2010

Para mostras que há pessoas que pensam fora da caixa e fazem um mundo melhor…

Da BBC

Uma empresa da Nova Zelândia criou um par de pernas biônicas que permite que pessoas paraplégicas possam caminhar. Assista ao vídeo.

Durante o lançamento, nesta quinta-feira, o aparelho foi testado por Hayden Allen, que é paraplégico.

Com as pernas biônicas, Allen foi capaz de caminhar para o outro lado da sala para cumprimentar o primeiro-ministro da Nova Zelândia, John Key.

Homenagem a Saramago

julho 15, 2010

Acho que na sociedade actual nos falta
filosofia. Filosofia como espaço, lugar,
método de reflexão, que pode não ter um
objectivo determinado, como a ciência, que
avança para satisfazer objectivos. Falta-nos
reflexão, pensar, precisamos do trabalho de
pensar, e parece-me que, sem ideias, não
vamos a parte nenhuma.