Diversidade

Passeando por sites e blog, encontrei um texto bastante provocador. Vale a pena expandir essa provocação.

No Blog Crítica: Blog de Filosofia, há um post do dia 25 de maio que fala sobre a importância da diversidade. A pergunta “O que seria do azul se todos gostassem do amarelo?” resume o assunto. Porém ele é examinado e abre a mais provocações. Transcrevo-o:

 O Carlos põe aqui [refere-se a um post do Blog “Dúvida Metódica” dos professores de filosofia Sara Raposo e Carlos Pires] o dedo na ferida: caso toda a gente se dedicasse à matemática, física, filosofia e história, por exemplo, não haveria pão; não haveria restaurantes; não haveria supermercados nem mercearias. Há duas grandes confusões presentes quando as pessoas objectam ao que disse o Carlos e que me parece uma verdade inevitável.

A primeira está patente logo no primeiro comentário ao apontamento do Carlos: consiste em pensar que fazer pão ou guiar um taxi ou trabalhar num supermercado são coisas “estúpidas”. Mas nem a ideia original do Carlos fala de estupidez, nem tem seja o que for a ver com isso. Podemos ver o que está em causa de outro modo: imagine-se que toda a gente se interessava exclusivamente por fazer pão; nesse caso, não haveria médicos nem pedreiros. Nem filósofos, nem físicos. Dizer isto não é dizer que estas actividades são “estúpidas”. Do mesmo modo, dizer que se toda a gente se interessasse por história, matemática, física, filosofia, etc., não haveria padeiros, não sugere que ser padeiro é estúpido.

A segunda é uma incapacidade para compreender e aceitar a diferença. Presumivelmente, isto é fruto de provincianismo ou de falta de experiência de vida. As pessoas não têm todas os mesmos interesses. Felizmente. O que para uma pode ser um projecto de vida estimulante e fonte de felicidade, para outra pode ser uma perspectiva deprimente. Quem sofre desta incapacidade para ver a diferença não consegue aceitar que uma pessoa possa gostar do que ela não gosta (ou pior: do que ela finge gostar por pensar que dá estatuto social, mas da qual realmente não gosta), e se ela por azar gosta de matemática, não consegue entender como se pode gostar de ser taxista. Ou vice-versa.

Claro que está aqui subjacente outro aspecto: a valorização social. Socialmente, um emprego como professor universitário é mais valorizado do que um emprego como taxista. Mas isto é apenas um reflexo de uma sociedade classista e palerma. Lutar contra isso não é lutar contra os taxistas, mas antes lutar contra a ideia de que ser professor universitário tem mais valor ou é “superior” a ser taxista. Lutar contra uma sociedade classista não é querer acabar com actividades vistas como menores, mas antes acabar com a ideia de que tais actividades são menores. Lutar contra o classismo é lutar pela valorização de profissões tradicionalmente desvalorizadas.

O que se segue de tudo isto no que respeita ao ensino? Que se deve dar uma formação científica e cultural a todos os cidadãos e que se lhes deve dar também a oportunidade de escolher a área de actividade na qual pretendem dar a sua contribuição à sociedade em que vivem.

Muito importante nos perguntarmos se reproduzimos esse classismo descrito acima. E se reproduzimos, devemos continuar? Por que achamos que um professor universitário é mais importante do que um taxista (para usar o exemplo acima)? Já ví muito taxista ensinar mais do que muitos professores por ai…

São comportamentos como esse que esse Blog quer provocar a reflexão.

Fica a provocação.

Saudações,

DC

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