O futuro dos livros

Olá!

Sejam bem vindos a mais um post de domingo. O que torna ele mais interessante? Ele aborda aqui várias visões de sobre um assunto específico e possui uma estrutura mais definida. Acredito que vocês irão gostar do resultado.

Infelizmente só consegui inserir o post no final de domingo, mas minha disciplina e perseverança não me deixaram não postar.

O tema que irá inaugurar o post de domingo é sobre o lançamento dos leitores digitais de livros. A pergunta que se faz hoje é: “Os livros, como conhecemos hoje, vão terminar?”

Para começar, uma frase de Henry Thoreau, escritor estadunidense, poeta e naturalista:

Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro.

Iniciando com uma definição do Wikipedia, o livro é um volume transportável, composto por páginas encadernadas, contendo texto manuscrito ou impresso e/ou imagens e que forma uma publicação unitária (ou foi concebido como tal) ou a parte principal de um trabalho literário, científico ou outro. É um produto intelectual e, como tal, encerra conhecimento e expressões individuais ou coletivas. Mas também é nos dias de hoje um produto de consumo, um bem e sendo assim a parte final de sua produção é realizada por meios industriais (impressão e distribuição). A tarefa de criar um conteúdo passível de ser transformado em livro é tarefa do autor. Já a produção dos livros, no que concerne a transformar os originais em um produto comercializável, é tarefa do editor, em geral contratado por uma editora. Outra função associada ao livro é a coleta e organização e indexação de coleções de livros, típica do bibliotecário. Finalmente, destaca-se também o livreiro cuja função principal é de disponibilizar os livros editados ao público em geral, vendendo-os nas livrarias generalistas ou de especialidade. Compete também ao livreiro todo o trabalho de pesquisa que vá ao encontro da vontade dos leitores.

Quando falamos no fim do livro, deveríamos falar, ao certo, sobre a maior mudança na indústria editorial, desde a criação da imprensa por Gutemberg. Se olharmos a definição exposta acima, mesmo na era digital, o livro é um volume transportável (só que agora ele é enviado por fibra ótica), composto por páginas, contendo um texto (conteúdo) e forma uma publicação unitária.

Umberto Eco, semiólogo, ensaísta e escritor italiano foi entrevistado pelo jornal O Estado de São Paulo sobre a questão do livro. Transcrevo aqui algumas frases para resumir a opinião do autor.

“ Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos”

“A diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar – muito embora Jorge Luis Borges, em seu livro Ficções, tenha criado um personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de selecionar o que interessa – é possível encontrar lá tanto a Bíblia como Mein Kampf, de Hitler. Esse é o problema básico da internet: depende da capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites confiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele capaz de escolher o site correto? É trágico, um problema para o futuro, pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos.”

Está vendo? Há outros assuntos que devemos analisar antes de decretarmos o fim do livro:

1. As pessoas estão preparadas para lidar com essa avalanche de informação, como afirma Umberto?

2. Os maiores players do mercado editorial estão preparados para a mudança mais radical na indústria?

3. Monopólio da informação? Vejam onde o Google quer chegar. Ele já digitalizou milhões de livros e agora vai começar a cobrar por eles. Já possui as ruas mapeadas, o céu,o universo, o fundo do mar…

4. Qual é o mercado desse produto?

O fato é que a experiência de ler mudou. Milhares de livros hoje pesam os 2 kg (ou menos) do seu notebook. Conseguimos ler diversos jornais na tela do nosso computador ou smartfone. Porém vamos perder aos poucos o cheiro do livro, o prazer de passar para a próxima página…

Em debate promovido pelo Estadão, Flávio Moura, diretor de programação da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), e Samuel Titan, coordenador executivo cultural do Instituto Moreira Salles concordam que a literatura não vai mudar junto com o suporte da informação (o livro). Para eles, a digitalização da leitura ainda não causou as mudanças que promete – nem no mercado, muito menos na linguagem.

Para o primeiro, a “a internet é mais plataforma para lançamento de autores do que de experimentação de linguagens novas”, enquanto para o segundo “o digital manteve a literatura intacta, sendo mais importante para as artes plásticas ou para o cinema”. Será mesmo que a tecnologia que virou a indústria musical de cabeça para baixo terá um impacto tão pequeno no mercado editorial?

Nem tanto. Ambos concordam também que aparelhos como o Kindle e o iPad, que libertaram os ebooks das desconfortáveis e luminosas telas dos computadores, devem renovar a publicação e a distribuição de obras. No entanto, essa seria uma questão de modelo de negócios, longe de mexer com uma longa tradição literária.

Antes, a cadeia de valor do livro era simples: Autor > Editora > Livraria > Leitor. Hoje temos algo parecido como isso:

Autor > Editora > Self-publishing (publicação faça você mesmo) > Plataforma digital (Amazon p.e.) > Diversas formas de se levar a informação (audio books, aplicativos, impressão sob demanda) > Interfaces (Itunes, p.e.) > Redes 3G e Wi-fi > Celulares, tablets, notebooks > leitor

Isso muda drasticamente os custos e criação de valor na indústria. Uma nova indústria surge.

O Kindle, primeiro leitor de livros digitais, foi uma aposta ousada da Amazon a uns anos atrás. Não decolou como um iphone. Acredito que a criação do mercado demorou mais do que os marqueteiros imaginavam. A principal inovação do kindle, ao meu ver, é de utilizar uma tecnologia de projeção na tela do texto sem a necessidade de emitir luz no fundo da tela. A sensação de ler um livro tradicional e um livro em pdf em seu notebook é completamente diferente. Leio páginas e mais páginas de um livro, mas não consigo ler duas em meu computador.

Apesar da abrangência do computador e o crescimento do acesso a internet no país, ainda temos um abismo social que precisamos superar. Um contingente de analfabetos e várias gerações que amam os livros, que gostam do cheiro dos sebos, do peso dos livros, a textura das páginas…

Enfim, o livro será, por muito tempo, o senhor da sabedoria.

Para terminar, uma frase de Hermann Hesse:

Ler um livro é para o bom leitor conhecer a pessoa e o modo de pensar de alguém que lhe é estranho. É procurar compreendê-lo e, sempre que possível, fazer dele um amigo.

Um grande abraço. Até domingo que vem.

DC

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