Realidade não é nada, imagem é tudo

A Fuvest divulgou as melhores redações do vestibular deste ano. Entendi, através das redações que li, que a temática desse ano é a presença da imagem, do simbolismo, na vida humana. Encontrei uma redação que fala sobre a questão das eleições, simbologia, imagem. Achei interessante, sobretudo no momento pré-eleitoral que nos encontramos. Infelizmente as redações de concursos não são identificadas, por isso não poderei dar os devidos créditos ao autor. Vou transcrevê-la:

O Espetáculo do Estado

Vivemos em um mundo em que as relações sociais passaram a ser mediadas quase completamente por imagens. Esse contexto, caracterizado em 1968 por Guy Debord como “sociedade do espetáculo”, nos faz refletir como as instiutições atuais já não precisam “ser” e as vezes nem mesmo “ter”, mas somente “parecer”.

Vejamos o Estado, isso é, o conjunto das instituições que exercem poder político legitimado. A população só se relaciona com ele através de imagens. Não podemos saber muito mais do que é apresentado na TV e a sua própria existência para nós não passa muito de bandeiras, obras e figuras políticas. Não existe participação no Estado, fazendo com que não haja uma realidade substituída por imagem, mas puramente imagens. Dessa forma, a política passa a ser (conjuntamente com a  história) um espetáculo assistido.

A única forma de participação popular são as eleições, em que apenas se escolhe quem irá comandar. E isso é feito exclusivamente por imagens, pelas propagandas políticas. Não conhecemos realmente os candidatos e cada vez há menos discussões sobre projetos políticos e lados a defender. Votamos apenas em uma imagem criada por marqueteiros que se aprsentam como bom universal.

Dessa forma, o Estado se apresenta apenas como um conjunto de imagens externas, as quais só se cabe assistir. Essa falta de participação é idêntica a uma pequena possibilidade de liberdade política, e cria uma legitimidade absurda para o Estado. O indivíduo pouco ou nada pode, só lhes resta assistir, e ficar contente observando uma boa imagem (criada externamente).

O que estamos deixando de herança para a próxima geração? De que a democracia é construída por imagens? De que não há mais nada a fazer, a não ser assistir?

Este é o motor da passividade política do povo brasileiro.

Pense nisso!

Abraços,

DC

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