Archive for maio \31\UTC 2010

Diversidade

maio 31, 2010

Passeando por sites e blog, encontrei um texto bastante provocador. Vale a pena expandir essa provocação.

No Blog Crítica: Blog de Filosofia, há um post do dia 25 de maio que fala sobre a importância da diversidade. A pergunta “O que seria do azul se todos gostassem do amarelo?” resume o assunto. Porém ele é examinado e abre a mais provocações. Transcrevo-o:

 O Carlos põe aqui [refere-se a um post do Blog “Dúvida Metódica” dos professores de filosofia Sara Raposo e Carlos Pires] o dedo na ferida: caso toda a gente se dedicasse à matemática, física, filosofia e história, por exemplo, não haveria pão; não haveria restaurantes; não haveria supermercados nem mercearias. Há duas grandes confusões presentes quando as pessoas objectam ao que disse o Carlos e que me parece uma verdade inevitável.

A primeira está patente logo no primeiro comentário ao apontamento do Carlos: consiste em pensar que fazer pão ou guiar um taxi ou trabalhar num supermercado são coisas “estúpidas”. Mas nem a ideia original do Carlos fala de estupidez, nem tem seja o que for a ver com isso. Podemos ver o que está em causa de outro modo: imagine-se que toda a gente se interessava exclusivamente por fazer pão; nesse caso, não haveria médicos nem pedreiros. Nem filósofos, nem físicos. Dizer isto não é dizer que estas actividades são “estúpidas”. Do mesmo modo, dizer que se toda a gente se interessasse por história, matemática, física, filosofia, etc., não haveria padeiros, não sugere que ser padeiro é estúpido.

A segunda é uma incapacidade para compreender e aceitar a diferença. Presumivelmente, isto é fruto de provincianismo ou de falta de experiência de vida. As pessoas não têm todas os mesmos interesses. Felizmente. O que para uma pode ser um projecto de vida estimulante e fonte de felicidade, para outra pode ser uma perspectiva deprimente. Quem sofre desta incapacidade para ver a diferença não consegue aceitar que uma pessoa possa gostar do que ela não gosta (ou pior: do que ela finge gostar por pensar que dá estatuto social, mas da qual realmente não gosta), e se ela por azar gosta de matemática, não consegue entender como se pode gostar de ser taxista. Ou vice-versa.

Claro que está aqui subjacente outro aspecto: a valorização social. Socialmente, um emprego como professor universitário é mais valorizado do que um emprego como taxista. Mas isto é apenas um reflexo de uma sociedade classista e palerma. Lutar contra isso não é lutar contra os taxistas, mas antes lutar contra a ideia de que ser professor universitário tem mais valor ou é “superior” a ser taxista. Lutar contra uma sociedade classista não é querer acabar com actividades vistas como menores, mas antes acabar com a ideia de que tais actividades são menores. Lutar contra o classismo é lutar pela valorização de profissões tradicionalmente desvalorizadas.

O que se segue de tudo isto no que respeita ao ensino? Que se deve dar uma formação científica e cultural a todos os cidadãos e que se lhes deve dar também a oportunidade de escolher a área de actividade na qual pretendem dar a sua contribuição à sociedade em que vivem.

Muito importante nos perguntarmos se reproduzimos esse classismo descrito acima. E se reproduzimos, devemos continuar? Por que achamos que um professor universitário é mais importante do que um taxista (para usar o exemplo acima)? Já ví muito taxista ensinar mais do que muitos professores por ai…

São comportamentos como esse que esse Blog quer provocar a reflexão.

Fica a provocação.

Saudações,

DC

Pense em algo impossível

maio 30, 2010

Seja bem vindo!

No post mosaico de domingo vamos falar sobre imaginação e inovação. Para começar, uma frase de Albert Einstein:

Imaginação é mais importante do que o conhecimento.

Qual a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha? Essa e tantas outras perguntas estão no roteiro do filme Alice no País das Maravilhas, um clássico da literatura. Segundo o Wikipédia, é a obra mais conhecida do professor de matemática inglês Charles Lutwidge Dodgson, sob o pseudónimo de Lewis Carroll, que a publicou a 4 de julho de 1865, e uma das mais célebres do gênero literário nonsense ou do surrealismo, sendo considerada a obra clássica da literatura inglesa. O livro conta a história de uma menina chamada Alice que cai numa toca de coelho que a transporta para um lugar fantástico povoado por criaturas peculiares e antropomórficas, revelando uma lógica do absurdo característica dos sonhos. Este está repleto de alusões satíricas dirigidas tanto aos amigos como aos inimigos de Carrol, de paródias a poemas populares infantis ingleses ensinados no século XIX e também de referências linguísticas e matemáticas frequentemente através de enigmas que contribuíram para a sua popularidade.

O filme, ao meu ver, é uma casca para as perguntas filosóficas e conceitos matemáticos que norteiam as aventuras da pequena Alice. Contando com a ajuda da Wikipedia,mais uma vez:

Uma vez que Lewis Carroll era professor de matemática na Igreja de Cristo, é sugerida a existência de muitas referências e de conceitos matemáticos, tanto nesta obra, como na Alice no Outro Lado do Espelho. Alguns exemplos:

  • No Buraco do Coelho, durante o processo de encolhimento da altura, Alice faz considerações filosófica acerca do tamanho final com que ficará, com receio de talvez acabar por desaparecer completamente, como uma vela. Esta observação reflete o conceito do limite de uma função;
  • No Lago das Lágrimas, Alice tenta fazer multiplicações, mas acaba por produzir uns resultados estranhos: “Deixa-me cá ver: quatro vezes cinco são doze, e quatro vezes seis são treze, e quatro vezes sete são… Oh, meu Deus!Por este andar nunca mais chego aos vinte!. É assim exposto a representação de números utilizando bases diferentes e sistemas numerais posicionais (4 x 5 = 12 na base 18 notação; 4 x 6 = 13 na base 21 notação; 7 x 4 poderiam ser 14 na base 24 notação, seguindo a sequência);
  • EmConselhos de Uma Lagarta, o Pombo afirma que as meninas são uma espécie de serpentes, pois ambos seres comem ovos. Esta observação é um conceito geral de abstração que ocorre frequentemente em diversos âmbitos da ciência; um exemplo da utilização deste raciocínio na matemática é a substituição de variáveis.
  • No Chá dos Loucos, a Lebre de Março, o Chapeleiro Louco e o Arganaz dão vários exemplos em que o valor semântico de uma frase X não é o mesmo que o valor do inverso de X (por exemplo, Não é nada a mesma coisa!(…)Ora, nesse caso também podias dizer que “Vejo o que como” é a mesma coisa que “Como o que vejo”!); No ramo da lógica e da matemática este conceito é uma relação inversa.
  • Alice pondera o significado da situação quando o grupo faz a rotação dos lugares ao redor da mesa circular, colocando-os de volta ao início. Esta é uma representação da adição de um anel do módulo inteiro de N.
  • O Gato de Cheshire desvanece , deixando apenas o seu sorriso largo, suspenso no ar, levando a Alice maravilha a notar que já viu um gato sem um sorriso, mas nunca um sorriso sem um gato. É feita aqui uma profunda abstração de vários conceitos matemáticos (geometria não-Euclidiana, álgebra abstrata, o início da lógica matemática, etc), delineando, através da relação entre o gato e o próprio sorriso, o próprio conceito de matemática e o número em si. Por exemplo, no lugar de considerar duas ou três maçãs, considera-se antes os conceito de dois e de três por si só, separados do conceito de maçã, como o sorriso que, aparentemente pertence ao gato original, é separado conceitualmente do resto do corpo físico.

Quero destacar aqui também as inquietações de ordem filosófica que aparecem no filme:

  • Quem é você? É a pergunta que a lagarta azul faz a Alice, querendo saber se ela é a Alice certa;
  • A constante dialética entre sonho e realidade, que é pano de fundo do filme todo;
  • Qual caminho tomar,se não sabes onde ir?

Ver o filme e não se sentir provocado por essas perguntas, é entretenimento barato. Não agrega nada.

Aliás, uma das coisas que vi no filme e vou tentar colocar em minha vida é pensar em 6 coisas impossíveis antes do café-da-manhã (se o sono permitir, é claro!). O primeiro passo para uma coisa deixar de ser impossível é você acreditar que ela é possível. Se não acreditasse que escrever um blog poderia mudar para melhor o mundo, não o faria. Eu achei maravilhoso ter isso como hábito. Ele nos faz pensar no novo sempre.

Falei do filme para chegar a esse ponto. Você está preparado para o novo? Ainda mais um novo que poderia ser impossível a pouco tempo atrás? É imperativo deter uma capacidade de adaptação rápida. Na hora em que se pede para desligar os celulares, eles incluem BIPs e PAGERs. Uma pergunta: Ainda há BIPs e PAGERs? É incrível como uma invenção recente teve sua vida tão curta como o serviço de mensagem. O SMS acabou com empresas de mensagem numa tacada só. Já ouvi várias vezes: Se não me encontrar,me dá uma BIPADA.

Hoje, a inovação é um traço da vida moderna. Na semana passada, aconteceu a 4ª Conferência de Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento sustentável. A conferência mostrou alguns dados interessantes:

  • Precisamos formar muito mais doutores para conseguir sustentar nosso crescimento;
  • Hoje formamos um percentual ridículo de engenheiros, se comparados a uma Coréia do Sul, Japão, China;
  • As empresas investem pouco em pesquisa e desenvolvimento;

Como queremos ser um país inovativo, se a matemática é vista como um monstro? É melhor exportar milhões de toneladas de alimentos ou alguns quilos de chips? Olha quantas perguntas são criadas quando pensamos sobre o assunto.

É importante você, leitor, ficar conhecendo o que seu país pensa sobre Ciência & Tecnologia. Onde ele quer chegar. Acesse o site, faça o download dos arquivos, leia, PENSE a respeito.

Para terminar, uma frase de William Shakespeare:

O louco, o amoroso e o poeta estão recheados de imaginação.

Faça algo pelo mundo hoje: pense em algo impossível.

Abraços,

DC

Resumo fotográfico da semana

maio 29, 2010

Mais uma inovação deste Blog. Aos sábados teremos um resumo fotográfico da semana. Mas vocês não verão aqui terrorismo, violência ou coisas do tipo. Não quero criar audiência com isso. Veremos aqui fatos interessantes que muitas das vezes ficam no rodapé de alguns jornais.

Segunda: Vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2010 foi um filme tailandês. Isso mesmo. Não foi americano, nem europeu. O nome do filme é “Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives” de Apichatpong Weerasethakul.

Terça: Os presidenciáveis em debate na Confederação Nacional das Indústrias. É importante saber…

Quarta: Lançado ônibus a hidrogênio no rio. Só espero que a frota seja substituída o mais rápido possível. É para acompanhar.

Quinta: Inauguração do Centro Cultural Waly Salomão do grupo Afroreggae. Um exemplo de ação social sólida.

Sexta: Teatro Municipal reaberto depois de restauração. Tá lindo!!!!

Sobre a pobreza

maio 28, 2010

Inauguramos mais um dia temático: a sexta-feira ficou com a categoria “uma imagem vale mais do que mil palavras”. É para chocar mesmo. 

Homo Sapiens Demens

maio 27, 2010

Provocar indagações sobre nossas premissas e verdades é um dos objetivos desse Blog. O post do Blog Inteligência Empresarial fala exatamente disso. Achei sensacional. Reproduzo-o aqui:

Em 1993, quando fazia meu doutorado aqui na França, e tinha 35 anos, fiz meu primeiro check-up de saúde. E não paguei um centavo por isto. A idéia era muito simples e óbvia: é mais barato e eficaz para o sistema público de saúde identificar e prevenir doenças do que ficar tratando delas, quando elas aparecerem. O nosso SUS (Sistema Único de Saude) faz isto: gastamos um dinheirão tratando de doenças quando seria muito mais barato evitá-las. E não me venham falar da campanha em favor do uso de camisinhas, para evitar a AIDS. Claro que isto é positivo, mas devíamos garantir um chek-up geral para todos, de cinco em cinco anos, como se faz aqui. Insisto, isto é MAIS BARATO e eficaz! O que precisamos é passar a olhar para a questão da saúde, e para a vida, com uma visão sistêmica.

Um dos maiores pensadores do mundo sobre visão sistêmica (ou complexa, como ele prefere chamar) é Edgar Morin. Filósofo indisciplinado, intelectual que sempre pensou fora da caixa, Morin não só refletiu sobre a vida como viveu o que pensou, sem medo das contradições. Ele sempre se opôs ao cartesianismo dominante que, separando o mundo em caixinhas, tem uma visão simplista dos seres humanos e tenta reduzi-los à uma dimensão apenas: a racionalidade (“penso, logo existo”…). O irracional, o mágico, a loucura, o delírio, para um cartesiano (que ainda somos), são apenas acidentes, desvios, anormalidades, que precisam ser corrigidas e tratadas.

Para Morin, a razão e a loucura, a organização e a desorganização, o pensar e o fazer, são diferentes características dos seres humanos em permanente luta uma contra a outra, mas são também complementares e se auto-alimentam. Uma precisa da outra para existir. A razão pode gerar a loucura, como no caso do nazismo ou do stalinismo. Os delírios, sonhos, loucuras, podem provocar um fervilhar anárquico de idéias, e são capazes de produzir obras de arte e inovações. A razão é a faculdade de colocar em ordem os pensamentos, de sistematizar os conhecimentos, e busca dar sentido às idéias e os fatos, a teoria e experiências. Claro que tudo isto é fundamental e necessário. Mas a razão clássica, cartesiana, que privilegia a ordem, a lógica, a sistematização, precisa dar lugar a uma outra forma de pensamento, mais complexa, que seja aberta também ao irracional, ao incompreensível, ao improvável.

Esta racionalidade que se fecha ao subjetivo nos levou às tragédias contemporâneas: hiperespecialização, separação entre as diversas disciplinas (reparem no nome!) na escola, sufocamento da vida pela burocracia, ao isolamento e solidão dos indivíduos… Precisamos entender que o homem é sapiens e demens, capaz de bondade e crueldade, produzir artefatos e sonhos, agir de forma racional e lúdica…
Precisamos aprender a combinar conhecimento objetivo e conhecimento subjetivo e devemos deixar de ter medo da subjetividade.

E isto não é só papo para filósofos! Isto tem consequências práticas. Quando selecionamos alguém para trabalhar numa empresa, fazemos o(a) candidata(o) passar por uma bateria de testes e entrevistas para nos assegurar, científicamente, que estamos escolhendo a melhor pessoa. O que acontece depois todos sabemos: o candidato era o melhor racionalmente, mas não sabe se relacionar com os outros, cria caso com todo mundo, ou é muito tímido…. Não admitimos subjetividade no processo e, pior, tentamos de todas as formas aboli-la.

Como fazer então??? Uma aluna, uma vez, me fez esta pergunta. Perguntei então pra ela: “você tem namorado?” Ela disse que sim. “Como você fez para encontrar este namorado? Fez uma bateria de testes e entrevistas para ver se ele atendia seus requisitos”???

Claro que ao escolhermos alguém para namorar temos alguns “requisitos”, alguns conscientes, outros inconscientes, e fazemos algumas perguntas… A questão é que, neste caso, ADMITIMOS que entre, e de maneira importante, a subjetividade: “fui com a cara”, “bastou trocarmos um olhar e nos tocar”… Se admitimos a subjetividade na escolha de nossos amigos e namorados, que são coisas MUITO mais importantes que um colega de trabalho, porque não admiti-la no mundo do trabalho?

Talvez porque aí vamos ter que admitir que o homo não é apenas sapiens, mas também demens…

Fica a provocação.Adoro esses tipos de textos.

Abraços,

DC

Cidade Democrática

maio 26, 2010

Caros leitores,

Encontrei um site/comunidade social que contribui para a discussão e mobilização de cidadãos aos problemas das cidades. Olha a descrição do site:

“O Cidade Democrática é a principal iniciativa do Instituto Seva, entidade sem fins lucrativos com qualificação de OSCIP, composta e dirigida por especialistas em questões como juventude, novos modelos de negócios sustentáveis, saúde, cultura, empreendedorismo social e meio ambiente.

Tendo começado a operar em 2009, o sítio eletrônico se insere no atual contexto de transformação das mídias e suas relações com os cidadãos, a sociedade civil e o poder público. Nossa missão é ser uma ferramenta inovadora que gere comunicação e mobilização para a construção uma cidade melhor.

Por ser uma ferramenta colaborativa, esperamos que a sua utilização aprimore a reflexão, o debate e a discussão dos temas públicos, e também nos aponte sugestões para o seu aprimoramento constante.

Acreditamos que a solução das nossas questões públicas e coletivas só será possível com a participação e o comprometimento de todos. Por isso a sua interação contínua com as atividades do Cidade Democrática é muito importante.

O desenvolvimento do Cidade Democrática é realizado por uma equipe diversa de profissionais como sociólogos, administradores, designers, jornalistas, engenheiros de computação, entre outros, todos alinhados com a responsabilidade de buscar caminhos para a construção de uma sociedade mais próspera e mais justa para todos.”

Acho que vale a pena participar. O que você acha?

Abraços,

DC

USP cria braço robótico para tetraplégicos

maio 26, 2010

Uma das funções desse espaço é divulgar iniciativas que criam valor para as pessoas. Encontrei uma notícia que me orgulho muito de publicar aqui.

Notícia de Felipe Maeda Camargo, da Agência USP, de 25/05/2010

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um sistema híbrido para membros superiores (braço, antebraço e mãos) que auxilia as atividades motoras de pessoas tetraplégicas.

Imagem: Renato Varoto

O equipamento permite que o paciente alcance objetos distantes do corpo por comandos de voz. O trabalho foi feito na Escola de Engenharia de São Carlos, da USP.

Exoesqueleto

Renato Varoto, responsável pela pesquisa, explica que o diferencial deste sistema foi a combinação de técnicas utilizadas.

“A técnica mecânica, que inclui a órtese e que possibilita movimentos de flexão e extensão do cotovelo; e uma técnica não convencional, que é a estimulação elétrica neuromuscular, que possibilita os movimentos da mão,” diz Varoto.

O protótipo é constituído de uma órtese dinâmica para cotovelo, que funciona como um exoesqueleto, eletrodos de superfície que vão nas mãos e uma luva que contém sensores para indicar ao paciente a força aplicada.

Comando de voz

Todas as partes mecânicas e eletrônicas do equipamento são comandadas por voz.

“Com o comando de voz, cinco palavras são gravadas de acordo com o gosto do paciente: uma para estender o braço, uma para a flexão do cotovelo, uma para parar o movimento, uma para pegar o objeto e uma para soltar o objeto. Se for preciso, é possível controlar o nível de estimulação para o movimento da mão e a velocidade da órtese do cotovelo, cada uma com duas palavras”, descreve Varoto.

Segundo o pesquisador, o sistema é indicado para tetraplégicos que possuem movimentos somente do pescoço e do ombro. Desse modo, o comando de voz é essencial para que os tetraplégicos realizem os movimentos voluntariamente.

Braço robótico para tetraplégicos

O braço robótico criado por Varoto foi testado em 15 pacientes do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em março e abril deste ano.

O pesquisador ressalta que “o que chama a atenção é o auxílio que o sistema pode trazer aos tetraplégicos”.

Nos testes clínicos, os pacientes conseguiram exercer de forma autônoma atividades como beber água e se alimentar. “São atividades simples para nós, mas para os pacientes, que perderam quase todos os movimentos do corpo, traz uma grande satisfação a esperança de poder fazê-las”, diz Varoto.

Fisioterapia com robô

O pesquisador pretende continuar as aplicações com os pacientes. O próximo passo será aplicar uma terapia assistida por robô. Nessa terapia, o paciente faz uma série de movimentos repetitivos com o sistema, com a diferença de que, em vez de ser um fisioterapeuta que o auxilia nas atividades, é um robô que exerce essa função.

O objetivo da terapia é tentar fazer o tetraplégico ganhar movimentos naturais com um método artificial.

Varoto explica como isso pode acontecer pelo conceito de neuroplasticidade: “Quando um paciente apresenta paralisia e começa a fazer movimentos repetitivos com a ajuda de aparelhos, ele pode reaprender, ainda que não totalmente, alguns movimentos. O que pode acontecer em termos biológicos é que há um rearranjo dos neurônios no sistema nervoso central.”

O pesquisador ressalva que ainda há alguns aspectos do sistema que precisam ser aperfeiçoados: “O sistema pode ser mais leve e pode melhorar esteticamente. Quanto mais atender as expectativas do paciente melhor”.

Parabéns USP e a todos envolvidos no desenvolvimento da tecnologia!

Abraços,

DC

Você dá valor a que?

maio 26, 2010

Foi divulgado recentemente uma pesquisa da ONU – PNUD a respeito da percepção dos valores pelos brasileiros. Ainda não consegui a publicação completa, porém encontrei um quadro resumo de algumas informações interessantes.

Há algumas informações interessantes…

  • A família está relacionada como responsável por passar os valores. Essa é uma instituição que está muito fragilizada no momento, tanto que a prórpia ONU tem como unidade básica de atuação a própria família;

Para agregar valor a minha provocação, coloco também aqui alguns cartoon criados por Quino, autor de “Mafalda”.








É de suma importância um trabalho extensivo e exaustivo sobre essa questão de herança imaterial que é passada de geração em geração. Como queremos ver a nova geração sem certos hábitos, se nós mesmos os cultivamos? É isso que queremos passar para as próximas gerações? O dinheiro como Deus, a nudez explícita e sexo banalizado como característica cultural do brasileiro? O país do Oba-Oba?

Provoco os leitores.

Abraços,

DC

A quem interessa o ceticismo sobre o aquecimento global?

maio 25, 2010

Nessa terça-feira, colocamos um texto de Jean Remy Davée Guimarães, publicado na revista Ciência Hoje. Ela fala sobre os céticos do clima, grupo que vai contra as teses vigentes sobre o aquecimento global e defende que as mudanças climáticas recentes não são fruto da ação humana.

É muito importante ouvir os argumentos de todos os lados.

Como todos os cariocas, estou derretendo sob uma onda de calor sem precedentes, na qual os dias tórridos se sucedem sem piedade há duas semanas. A sensação térmica é de 50 graus ou mais. De moto então, sobre o asfalto escuro de uma linha expressa, e imerso em gases veiculares recém-emitidos, 70 graus, talvez? No início do verão foi o inverso, choveu quase sem parar durante cerca de duas semanas. São recordes: o mês mais chuvoso ou as temperaturas mais altas dos últimos 70 e tantos anos. Ora direis que isso já ocorreu no passado recente ou geológico, são ciclos naturais. Pode ser. E pode não ser.

Um grupo de cientistas do ramo, nada pequeno – são quase 2 mil – está convencido de que o aquecimento é um fato, e que é devido às atividades humanas, em particular às emissões de dióxido de carbono e de outros gases de efeito estufa. Esse grupo, conhecido como IPCC ou Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas, tem acesso às bases de dados mais longas e completas, aos computadores mais velozes, aos satélites com a melhor resolução, etc etc… Ganharam um Nobel pelo trabalho coletivo realizado, assim como o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, o conhecido paladino que vem batendo na tecla há anos.

Mas as conclusões do IPCC são de fato uma chatice. Se as levarmos a sério, vamos ter de mudar tudo. Ai, que preguiça, andar 34 km diários de bicicleta entre a minha casa e o trabalho, sem ciclovia, neste calor. Mas e o metrô, de fundo e de superfície? O primeiro não passa nem aqui em casa nem no meu trabalho. O de superfície eu ouvi falar, mas nunca vi. E as inúmeras linhas de balsas e lanchas interligando os bairros que se encontram nas margens da baía de Guanabara, e que, como o metrô, não engarrafam nunca? Essas eu nunca ouvi nem falar, só sonhei, que é coisa que ainda não paga imposto e não ofende ninguém.

Portanto, continuo andando de carro ou de moto. E você acha que continuo abastecendo com gasolina porque o álcool ficou (temporariamente?) mais caro por quilômetro rodado do que a gasolina? Não. Como eu prefiro ser menos ambientalmente incorreto, pago um pouco mais e ainda tenho que aturar a demora do frentista que não acredita no que vê e, quando confirmo que é mesmo o álcool que eu quero, me olha como se eu fosse um meteorito recém-caído.

Céticos do clima

Como esse tipo de experiência propicia devaneios no engarrafamento, me ponho a pensar: nossos governos, embora jurem que não, são céticos do clima. Isso mesmo, eles acham que o aquecimento global é balela e que, se existe, não é culpa nossa. Como assim? Por absurdo: se não fossem céticos, já haveria uma ciclovia para cada calçada, haveria a bolsa-bicicleta, o ticket-álcool, concorrências regulares para novas linhas aquaviárias, ônibus movidos apenas a biogás, subsídios para empresas que processam alimento produzido a menos de 100 km da fábrica, crédito na conta de luz para quem reduzir o consumo e assim por diante.

Mas o engarrafamento que me faz pensar tanta besteira é causado por uma obra. Em via pública. Feita por empresa privada. No horário comercial. E tenho certeza de que já vi a mesma obra sendo feita, no mesmo lugar, há pouco tempo, por outra empresa. De fato o trabalho noturno é mais caro e as emissões de carbono e calor do engarrafamento evitável não estão em planilha alguma, pública ou privada.

Não sei não, acho que vai ser difícil mudar. Dá muito trabalho, requer muita imaginação, e ela não está no poder.

Mas quem são esses céticos que acham o IPCC feio, bobo, mentiroso e vendido?

Bom, eles não põem adesivo no carro, mas podemos imaginar que os mais incomodados são as grandes empresas de petróleo. Oops, desculpe, elas agora são todas empresas de energia. As indústrias de cimento, siderurgia, alumínio e vidro também não estão gostando nada disso. As automobilísticas idem. Ixe! Haja peso-pesado. Mas então quem assume publicamente o ceticismo? Cientistas.

Os autores dos numerosos livros que têm questionado a ‘tese’ do aquecimento antropogênico assinam sozinhos ou em dupla. Têm currículos razoáveis ou mesmo sólidos. Mas seus argumentos são bastante parecidos. Um dos mais recorrentes é de que as estações de medida de temperatura que eram rurais ou suburbanas estão agora cercadas de áreas urbanas, e como as cidades são mais quentes que a média da crosta terrestre, isso criaria um artefato, superestimando as temperaturas.

Mas… O mundo não é justamente cada vez mais urbano, as cidades cada vez maiores e mais numerosas? Embora eu ache assustador testemunhar o sumiço das geleiras e o derretimento acelerado dos polos, me preocupo mesmo é com meu pedaço de crosta terrestre, que é urbano e, portanto, mais quente que a média da crosta.

E há umas coisas que eu não entendo. Como é que esses poucos céticos perceberam algo que os 2 mil cientistas do IPCC não notaram? Ou ainda, que interesses escusos moveriam essa turma do IPCC? Quem estaria interessado em nos convencer, com dados talvez manipulados, de que o planeta está se aquecendo e que isso não vai acabar bem? Os fabricantes de bicicletas, aquecedores solares e energia eólica? O Greenpeace? O Al Gore? O Bin Laden? Deixem-me rir (pensando bem, neste calor, melhor não). Uma teoria conspiratória que não identifica seus interessados diretos, nunca vi. Já o inverso, grupos econômicos tentando desqualificar as conclusões incômodas da ciência, não é novidade.

Mas esqueci justamente dos cientistas: quem sabe são eles que criaram uma aliança planetária secreta para gerar o pânico, visando obter mais verbas para suas pesquisas, o que resultaria em mais publicações em revistas indexadas e possibilidade de obter uma bolsa em seus respectivos conselhos nacionais de pesquisa? Hum… Já vi desenhos animados melhores.

Mas, vai ver, estou mal informado.

Ou será efeito do calor?

Jean Remy Davée Guimarães
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Para pensar.

Abraços,

DC

Em uma lauda

maio 24, 2010

Encontrei no blog do Armando Antenore a vida resumida em uma lauda. É para refletir…

Abraços,

DC