O tempo, o dinheiro e outras virtualidades…

 

Todo dia é menos um dia

Todo dia é menos um dia;

menos um dia para ser feliz;

é menos um dia para dar e receber;

é menos um dia para amar e ser amado;

é menos um dia para ouvir e, principalmente, calar!

Sim, porque calando nem sempre quer dizer

que concordamos com o que ouvimos ou lemos,

mas estamos dando a outrem a chance de pensar,

refletir, saber o que falou ou escreveu.

Saber ouvir é um raro dom, reconheçamos.

Mas saber calar, mais raro ainda.

E como humanos estamos sujeitos a errar.

E nosso erro mais primário, é não saber:

Ouvir e calar!

Todo dia é menos um dia para dar um sorriso.

Muitas vezes alguém precisa, apenas de um sorriso

para sentir um pouco de felicidade!

Todo dia é menos um dia para dizer:

– Desculpe, eu errei!

Para dizer:

– Perdoe-me por favor, fui injusto!

Todo dia é menos um dia;

Para voltarmos sobre os nossos passos.

De repente descobrimos que estamos muito longe

E já não há mais como encontrar

onde pisamos quando íamos.

Já não conseguiremos distinguir nossos passos

de tantos outros que vieram depois dos nossos.

E se esse dia chega, por mais que voltemos;

estaremos seguindo um caminho, que jamais

nos trará ao ponto de partida.

Por isso use cada dia com sabedoria.

Ouça e cale se não se sentir bem;

Leia e deixe de lado, outra hora você vai conseguir

interpretar melhor e saber o que quis ser dito.

Carlos Drummond de Andrade

Você já pensou sobre o tempo? Boa pergunta essa hein? Pois bem, vamos escrever um pouco sobre ele.

Consultando nossa amiga Wikipedia, temos várias definições:

” A concepção comum de tempo é indicada por intervalos ou períodos de duração… Pode-se dizer que um acontecimento ocorre depois de outro acontecimento (Uma forma de definir depois baseia-se na assumpção de causalidade). Além disso, pode-se medir o quanto um acontecimento ocorre depois de outro. Esta resposta relativa ao quanto é a quantidade de tempo entre estes dois acontecimentos. A separação dos dois acontecimentos é um intervalo; a quantidade desse intervalo é a duração.”

OK. Muito certinho. Mas e a percepção subjetiva do tempo? O tempo das pessoas que estão em lados opostos de uma porta de banheiro são infinitamente diferentes. Há um componente subjetivo nisso tudo.

O tempo ele é um evento psicológico, uma sensação derivada da transição de um momento.

“É o jeito que a natureza deu para não deixar que tudo acontecesse de uma vez só.” John Wheeler

“Uma ilusão. A distinção entre passado, presente e futuro não passa de uma firme e persistente ilusão.” Albert Einstein

Você já parou para pensar que, ao olhar por uma noite estrelada, a luz que você enxerga naquele instante, ou seja o presente para você, foi emitida à milhões de anos. O passado de um é o presente de outros. Realmente, o tempo é uma coisa muito virtual, abstrata, idiossincrática.

E somos regidos por ele. Temos reunião a tal hora, não podemos perder o trem…

Trem das onze (Demônios da Garoa)

Não posso ficar

Nem mais um minuto com você

Sinto muito amor

Mas não pode ser.

Moro em Jaçanã,

Se eu perder esse trem,

Que sai agora às onze horas,

Só amanhã de manhã.

Não posso ficar,

Nem mais um minuto com você,

Sinto muito amor,

Mas não pode ser.

Moro em Jaçanã,

Se eu perder esse trem,

Que sai agora às onze horas,

Só amanhã de manhã.

E além disso mulher,

Tem outra coisa,

Minha mãe não dorme

Enquanto eu não chegar.

Sou filho único,

Tenho minha casa pra olhar.

Eu não posso ficar.

Não posso ficar,

Nem mais um minuto com você,

Sinto muito amor

Mas não pode ser.

Moro em Jaçanã,

Se eu perder esse trem,

Que sai agora às onze horas,

Só amanhã de manhã.

E além disso mulher,

Tem outra coisa,

Minha mãe não dorme,

Enquanto eu não chegar.

Sou filho único,

Tenho minha casa pra olhar.

Quais, quais, quais, quais, quais, quais,

Quaiscalingudum

Quaiscalingudum

Quaiscalingudum

Quais, quais, quais, quais, quais, quais,

Quaiscalingudum

Quaiscalingudum

Quaiscalingudum

Acredito que o “pulo-do-gato” não está na definição ou existência do tempo, e sim no seu passar.

Segue um texto de Ricardo Gondim, com o Título “O Tempo que foge”, publicado no livro “Eu creio, mas tenho dúvidas” (Tudo a ver com esse Blog).

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

 Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de ´confrontação´, onde ´tiramos fatos a limpo´. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa… Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.´

O essencial faz a vida valer a pena.

Muito bom né? O essencial faz a vida valer a pena. Isso faz pensar…

Por falar em essencial, vamos falar de outra coisa muito vitual em nosso momento e que rege nossa vida (infelizmente): O dinheiro. Na escola aprendi que concreto é o que a  gente podia tocar e abstrato não. Legal. Posso ter nas mãos uma cédula de 2 reais. Mas o dinheiro não é um conceito abstrato? Ih… ficou confuso agora.

Você cria uma medida para intercambiar as trocas. Nem sempre alguém que produzia batata queria trocar por repoulho. E aí? Como fica? Criou-se o dinheiro. A partir daí veio as operações de empréstimos, opções, swaps, taxas de juros… Fico impressionado com a criatividade humana de criar coisas. Ainda mais em cima de conceitos abstratos.

Infelizmente precisamos dele para conseguir o que precisamos essencialmente. A criação do homem passou a regular o que precisamos de fato.

Ontem comecei a assistir o filme “Duro de Matar 4.0”. Além dos tiros, sangues, explosões, vemos uma sociedade que não vive sem as telecomunicações, celulares, internet. Coisa que não existia a 30 anos atrás. Puxa, ficamos dependentes de coisas que criamos. Isso é ser desenvolvido? Xiii.. outra pergunta cabeluda. Essa vou tentar tratar mais tarde.

Resumindo a ópera: Não conseguimos viver sem nossas virtualidades. A vida passou de uma coisa extritamente real para um misto de realidade e virtualidade (virtualidade essa além dos processos psicológicos de projeção, criar expectativas ou ilusões…).

Como será o amanhã? Responda que puder.. O que irá me acontecer?

O que é real? Fico com todas essas perguntas na cabeça, porém com uma visão melhor dessas conexões e dependências na nossa vida.

” Na realidade trabalha-se com poucas cores. O que dá a ilusão do seu numero é serem postas no seu justo lugar.” Pablo Picasso

Faça algo pelo mundo hoje: use o essencial.

Abraços,

DC

 

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Uma resposta to “O tempo, o dinheiro e outras virtualidades…”

  1. affonso Says:

    Capellão. Excelente texto.
    Digno de uma prova de conhecimentos básicos CESGRANRIO! Vou te indicar pra banca!

    bjos

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