Corrupção – parte 3

Caros leitores,

Seguindo a sequência de posts sobre a corrupção, baseada no dossiê da Revista de História da Biblioteca Nacional, segue um glossário muito interessante sobre a corrupção.

Amar ao pingarelho: Os portugueses, quem diria, também têm expressões para ilustrar o seu jeitinho. Se “quem não chora não mama” no Brasil, lá quem não arma ao pingarelho não participa da “chuchadeira”, ou seja, da mamata.

Colarinho Branco: Expressão criada pelo sociólogo norte-americano Edwin Sutherland, que ganhou destaque por pesquisar delitos de pessoas de altas posições sociais. Na contramão das teorias de seu tempo, Edwin desvinculou criminalidade e pobreza. Não faltaram motivos: em um estudo sobre setenta grandes empresas, encontrou um total de 980 faltas perantes a lei.

Dar gasosa: A gíria mais comum em Angola não tem nada a ver com dar água a quem tem sede. Seignifica entregar uma gratificação ou suborno. E quem passar por lá não deve se assustar se ouvir as frases “me dê um kumbu” ou “onde está o kumbu?”, usadas para pedir propina.

Escroquerie: O termo francês designa a utilização de meios fraudulentos pra obter ganhos prejudicando terceiros. Está muito ligado ao universo financeiro e é origem da palavra brasileira “escroque”, que tem significado semelhante.

Fósforo: No império, o falso eleitor que votava em lugar de outrem. Mas a palavra em si faz referência à urna, parecida com uma caixa de fósforos. A prática era tão forte que o fósforo continuou aceso na Primeira República, quando as fraudes eleitorais eram escandalosas.

Mala preta: Está ligada à compra de resultados no futebol. O alvo pode ser a equipe adversária ou o árbitro da partida.

Mordida: Recentemente, o cineasta espanhol Chema Rodríguez afirmou que, durante as filmagens de “Coyote”, sua equipe teve que dar várias mordidas para conseguir fazer o documentário, que trata da imigração ilegal nos Estados Unidos. “La mordida” siginifica propina ou suborno pago a oficiais.

Santo Unhate: Gregório de Matos, através do santo cujo nome vinha do verbo “unhar” (= roubar), denunciava o português que chegava à Colônia e enriquecia de maneira desonesta.

Tangente: Não é só a pizza que os italianos apreciam. Assim como no resto do mundo, empresas na Itália que desejam ser favorecidas em concorrências oferecem esta propina a intermediários, como políticos. A máfia, por sua vez, tem seu próprio vocabulário para suborno: mazzetta.

 Independente da nacionalidade, área de atuação, classe social, a desonestidade é um tema transversal a vida. Isto está ligado a escala de valores, que na maioria das vezes, a honestidade perde para o “não levar prejuízo” ou “ser considerado idiota”.

Agora fiquei na dúvida: Quem é mais idiota: o que transgride ou o que perde a bocada, em troca da ação moralmente correta?

Por falar em idiota, fica a indicação de leitura do livro “O Idiota” de Dostoiévski. A obra foi inspirada na figura de Dom Quixote, de cervantes. É considerado o romance mais típico do autor. Provocou perplexidade nos meios intelectuais da época.

Para terminar, uma frase de Bernadin de Saint-Pierre:

Se a galantaria é a mentira do amor, a libertinagem pode considerar-se como sendo a corrupção.

Faça algo pelo mundo hoje: seja um idiota, ou não, dependendo do seu ponto de vista na questão acima.

Abraços,

DC

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