Pensar sobre a revolta

Sinopse: Um homem desempregado chega ao seu limite um dia durante um congestionamento e resolve combater a escória da sociedade ele mesmo. Será um dia inesquecível para William Foster (Michael Douglas) e o detetive que estava para se aposentar, Martin Prendergast (Robert Duvall), que tem a missão de encontrá-lo e capturá-lo na imensa Los Angeles.

Direção: Joel Schumacher
» Roteiro: Ebbe Roe Smith
» Gênero: Drama/Policial/Suspense
» Origem: Estados Unidos/França

Um clássico! Magnífico! Lembro até hoje dele entrando em um restaurante fast food para comprar o café da manhã.

O motivo de citar essa obra prima do cinema mundial é justamente para falar sobre a passividade do povo brasileiro.

Não é o sofrimento das crianças que se torna revoltante em si mesmo,

mas sim que nada justifica tal sofrimento

Albert Caus

Escritor/Novelista/Ensaísta/Compositor/Filósofo Francês

Para iniciar o post, encontrei um texto do Alexandre Alves, ao procurar por referências na internet, que retrata sua indignação frente a passividade do povo de sua cidade, São Francisco do Sul. Segue um trecho:

“O resultado eleitoral das últimas eleições nos mostra que estamos sofrendo um grande mal, talvez o mais graves dos males sociais, que é a passividade. Nos acostumamos a achar que nada pode mudar e não importa quem está no comando, pois sempre haverá algum comandando e se impondo sobre a sociedade.

Esta situação deve-se principalmente a nossa história política que sempre foi pobre em opções e principalmente unilateral, precisamos, porém,  modificar essa trajetória política antes que seja tarde e que tenhamos apenas do que lamentar e não mais o que mudar.

A população precisa colocar-se em seu devido lugar, que é o lugar mais alto da sociedade, afinal vivemos em uma democracia, sistema de governo em que o povo elege seus representantes para que estes trabalhem em prol de seu bem estar e desenvolvimento mútuo da sociedade, porém, nem sempre aqueles que elegemos sabem disso, ou quem sabe se esquecem de seu verdadeiro papel. Devemos ter consciência do poder que temos em nossas mãos, e que este poder não está presente somente no período eleitoral. Mas temos que ter pressa, está consciência tem que aflorar antes que não haja mais ninguém sequer para pedirmos socorro. Nosso município não tem mais tempo para errar e nem possui mais justificativas para seus erros.”

Poesias ao longo dos tempos….

Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

Maiakovski – Início do séc. XX

Primeiro levaram os negros                                                                                                                                                                                        Mas não me importei com isso                                                                                       Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898-1956)

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram                                                                                                                                                                             meu outro vizinho que era comunista.                                                                                      Como não sou comunista, não me incomodei .

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar…

Martin Niemöller, 1933
– símbolo da resistência aos nazistas.

Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,

Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;

Depois fecharam ruas, onde não moro;

Fecharam então o portão da favela, que não habito;

Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho…

Cláudio Humberto, em 09 FEV 2007

Diferentes autores, em diferentes épocas, mas uma mensagem: Não é comigo. A resposta para “O que causa a passividade?” passa pela visão egocêntrica do homem moderno. Não é comigo.

A passividade é quebrada quando a empatia vem a tona e sentimos o sofrimento alheio. Todas as mães pensaram em seus filhos pequenos quando escutaram o caso do menino João Hélio ou da Isabella Nardoni. Quando há crimes bárbaros, o povo se manifesta, quer agredir o criminoso.

O problema que é: Não nos sentimos roubados quando vemos um assessor colocar dinheiro na cueca ou na meia. Não sofremos quando ouvimos uma notícia sobre a qualidade da educação brasileira. Não sentimos a fome dos famintos.

Para termos uma sociedade que seja sujeita do seu destino, precisamos expandir o sentimento de empatia nas pessoas.

Essa é a saída que vejo para a nossa passividade. A empatia.

Um artigo publicado no site do O Globo, o leitor José Noronha Marinho fala sobre a passividade:
A passividade do povo brasileiro parece não ter limites.

E você, concorda com o texto acima? Discorda? Tem algo a acrescentar? Comente.

Faça algo pelo mundo hoje: veja-o pelos olhos de outra pessoa.

Abraços,

DC

Nesse contexto nasce a revolta em conjunto.

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