Perguntar…

Penso que o objetivo deste blog é incentivar, estimular, provocar os leitores a pensar. Independentemente se eles concordam com meus pontos de vista ou não, ou se os posts são incompletos, pelo menos levo-os a pensar sobre alguma coisa por algum tempo.

A melhor forma de levar alguém a pensar é trazer a dúvida, a pergunta. Lembrá-los que ainda há, e sempre existirá, conhecimentos não adquiridos, pulgas atrás das orelhas, novas formas de ver o mundo.

Você lembra de quando era criança e achava um grande mistério coisas que hoje são triviais? Dunga e Paula Toller descrevem essa fase em uma música primorosa:

Oito Anos
Composição: Dunga / Paula Toller

Por que você é flamengo
E meu pai botafogo?
O que significa
“impávido colosso”?

Por que os ossos doem
Enquanto a gente dorme?
Por que os dentes caem?
Por onde os filhos saem?

Por que os dedos murcham
Quando estou no banho?
Por que as ruas enchem
Quando está chovendo?

Quanto é mil trilhões
Vezes infinito?
Quem é Jesus Cristo?
Onde estão meus primos?

Well, well, well
Gabriel…
Well, Well, Well, Well…

Por que o fogo queima?
Por que a lua é branca?
Por que a terra roda?
Por que deitar agora?

Por que as cobras matam?
Por que o vidro embaça?
Por que você se pinta?
Por que o tempo passa?

Por que que a gente espirra?
Por que as unhas crescem?
Por que o sangue corre?
Por que que a gente morre?

Do que é feita a nuvem?
Do que é feita a neve?
Como é que se escreve
Re…vèi…llon

Well, Well, Well
Gabriel…(4x)

Diante dessas perguntas feitas por uma criança, o que fazemos? Normalmente criamos contos ou mitos para dar apenas uma resposta e satisfazer a sede curiosa dos pequeninos, como por exemplo a cegônha para explicar o nascimento dos bebês, ou respondemos: “você ainda é muito novo para entender isso.”

Essa criação de mitos foi uma grande forma no passado de responder as coisas que desconhecemos. As serpentes marinhas como resposta aos riscos das grandes navegações, as habilidades de Thor, Deus mitológico escandinavo, para descrever os raios e trovões.

Os mitos, as fantasias devem existir para dar cor à vida. Porém sabendo que são complementares às verdadeiras respostas. Complementares. Uma vida sem uma fantasia, é uma vida em preto e branco, não acha? Um excelente filme que mostra essa questão é o “Big Fish”.

pt.wikipedia.org/wiki/Big_Fish

Ora bolas, se a dúvida aparece, o questionador está pronto para receber a resposta. Guardada as devidas proporções dessa analogia extrema, imagina um doutorando recebendo a resposta “Você ainda não sabe o suficiente para entender a resposta sobre a sua tese”. O processo de construção do saber é assim! Quando respondemos, temos a responsabildiade indireta de não matar um pensador.O melhor é sempre responder o que sabe e mostrar o quanto mais o perguntador pode ir fundo em sua dúvida. Provocar sempre.

O exercício de responder a uma pergunta também é incrível. Você reduzir a resposta a sua essência para que o outro, ainda ignorante nesse assunto, entenda de forma direta e eficaz é um outro aprendizado. Você inicia com a pergunta: “O que é realmente importante ele saber? Qual é a base desse conhecimento, para que ele possa combinar e tirar suas próprias conclusões?”

Pois bem, voltando a questão de se perguntar, quais as perguntas que te movem neste momento? Passei o final de semana inteiro me perguntando como criar mais estímulos para os leitores desse blog. Criei algumas coisas que serão temas dos próximos posts. Aguardem.

Não sei se refleti o suficiente sobre o assunto, mas deixo para os leitores novos pontos para serem levantados. O importante é que vocês sintam-se em casa para contribuir com o blog.

Para teminar uma frase de Anselmo Borges, retirada do site citador.pt:

“Perguntar coloca-nos na perplexidade, pois implica ao mesmo tempo saber e não saber. Se perguntamos é porque não sabemos, mas sobre aquilo de que nada sabemos não perguntamos. Afinal, o que sabemos, quando perguntamos? Na pergunta, o que se mostra é o imostrável. No perguntar, o Homem revela que é o ser do intervalo – entre o finito e o infinito – e que está ligado ao Transcendente, pelo menos como questão.”

Faça algo pelo mundo hoje: contemple-o.

Abraços,

DC

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